SUS registra mais de 2,5 milhões de brasileiros em tratamento contra o cigarro em 2025
Crescimento na procura por tratamento contra o tabagismo reflete ampliação das ações do SUS e maior conscientização sobre os riscos do cigarro e dos vapes
Parar de fumar continua sendo um dos maiores desafios para quem convive com a dependência da nicotina. Mas, ao mesmo tempo, também representa um dos passos mais transformadores para a saúde física e emocional. Em 2025, mais de 2,5 milhões de brasileiros buscaram tratamento contra o tabagismo no Sistema Único de Saúde (SUS), um crescimento expressivo em comparação aos últimos anos.
Dados do Ministério da Saúde mostram que houve um aumento de 95% na procura por atendimentos relacionados ao tabagismo desde 2022. Na época, cerca de 1,2 milhão de pessoas haviam recorrido às Unidades Básicas de Saúde (UBS) em busca de apoio para abandonar o cigarro. Agora, o avanço indica não apenas uma maior conscientização sobre os riscos do fumo, mas também uma ampliação importante das estratégias de acolhimento e cuidado oferecidas pela rede pública.
O que explica o aumento na procura por tratamento?
Nos últimos anos, o SUS ampliou significativamente as ações voltadas à prevenção e ao acompanhamento de pessoas que desejam parar de fumar. Além dos atendimentos individuais, as UBS passaram a investir mais em grupos terapêuticos, rodas de conversa e atividades educativas conduzidas por profissionais da saúde.
Esses encontros ajudam os participantes a compreenderem melhor a dependência, reconhecerem gatilhos emocionais e criarem estratégias para lidar com a vontade de fumar no dia a dia. Entre 2022 e 2025, o número dessas atividades coletivas mais do que dobrou no país.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o fortalecimento da rede pública tem sido fundamental para ampliar o acesso ao tratamento. "Ampliar o acesso ao tratamento do tabagismo é salvar vidas. Os dados mostram que mais brasileiros estão procurando ajuda e que o SUS está preparado para acolher essa demanda, com equipes capacitadas, acompanhamento contínuo e medicamentos gratuitos. Nosso compromisso é garantir que qualquer pessoa que queira parar de fumar encontre apoio perto de casa", afirmou.
O cigarro eletrônico preocupa especialistas
Ao mesmo tempo em que cresce o número de pessoas tentando abandonar o cigarro convencional, outra tendência vem chamando a atenção das autoridades de saúde: o aumento do consumo de cigarros eletrônicos, principalmente entre os jovens.
Com aparência moderna, sabores adocicados e forte presença nas redes sociais, os chamados "vapes" muitas vezes são vistos como alternativas menos prejudiciais. Mas especialistas alertam que essa percepção é enganosa.
Pesquisas já associam o uso desses dispositivos a problemas respiratórios, dependência química, alterações cardiovasculares e lesões pulmonares graves. Além disso, sintomas como tontura, náusea, tosse e dor de cabeça também podem surgir com frequência.
Os dados mais recentes do Vigitel apontam crescimento do consumo no Brasil. Entre jovens de 18 a 24 anos, o uso atual de cigarros eletrônicos atingiu o maior índice já registrado para essa faixa etária.
Como funciona o tratamento para parar de fumar no SUS?
O tratamento oferecido gratuitamente pelo SUS pode combinar acompanhamento psicológico, encontros em grupo e uso de medicamentos que ajudam a controlar os sintomas da abstinência.
Entre os recursos disponíveis estão adesivos de nicotina, gomas, pastilhas e medicamentos específicos, como a bupropiona. Em alguns casos, práticas integrativas também podem complementar o cuidado, auxiliando no controle da ansiedade e do estresse durante o processo.
A abordagem utilizada nas UBS costuma seguir princípios da terapia cognitivo-comportamental, ajudando a pessoa a identificar padrões ligados ao hábito de fumar e desenvolver novas formas de lidar com emoções, rotina e gatilhos.
Parar de fumar também é um processo emocional
Mais do que abandonar um hábito, parar de fumar costuma envolver mudanças profundas na relação da pessoa consigo mesma. Muitas vezes, o cigarro aparece associado a momentos de ansiedade, estresse, socialização ou até sensação de conforto emocional.
Por isso, o acompanhamento profissional pode fazer diferença não apenas na interrupção do consumo, mas também na construção de novas formas de cuidado, prazer e regulação emocional.
E quanto mais cedo acontece essa decisão, maiores tendem a ser os benefícios para o organismo. O corpo começa a se recuperar rapidamente após a interrupção do tabagismo - e os impactos positivos podem aparecer tanto na saúde física quanto na qualidade de vida.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.