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Sol, mar e história: o que torna o verão europeu inesquecível

16 fev 2025 - 05h59
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Foto: Unsplash

Salve, salve!!! Salve-se quem puder.

“Vem chegando o verão... O calor no coração... Essa magia colorida... Coisas da vida...” Como dizia Marina cantando suas meninas, o verão já chegou faz tempo e veio pra ficar. O calor não é no coração, mas no corpo inteiro. E a magia feita pelos desodorantes e perfumes são realmente coisas fantásticas da Vida.

A playlist “European Summer” é uma miscelânea agradável de clássicos e novidades. A segunda música de uma tal Carey St já vale o play. Ela (ou eles, já que são um grupo de indie rock australiano) só soltou singles até agora, nenhum álbum. Deve ser a nova tendência do mercado.

Aproveite as 122 músicas pra você curtir com o vento no rosto, uma caipirinha e sua amada, seja em terra, no ar ou no mar. Se você está num bar de concreto fumegante, suas havaianas derretendo com aquela Glacial morna no copo lagoinha e um torresmo com limão ao lado, aproveite do mesmo jeito.

Som na caixa, mas bem devagarinho.

A náusea do verão

No Brasil a estação mais quente do ano já começou faz tempo, mas no Velho Mundo fazem 4° C neste instante.

Para quem observa de longe, a vida na Europa é um eterno capuccino no fim de tarde com uma vespa estacionada e sua amada de olhos fixos em você, sem piscar.

A realidade é um metrô lotado logo cedo, sem ar condicionado nos modelos mais antigos, de gente que realmente vai trabalhar ou de turistas querendo aproveitar ao máximo o dia. Até aí tudo bem. O problema é que a turma aqui não é chegada num banho. O desodorante deve ter sido proibido no pós-guerra.

No inverno já é praxe não tomar banho todo dia. Desconfio que uma única ducha semanal no chassis aos sábados é prática comum. As roupas e casacos ajudam a disfarçar o budum. Mas e no verão? A catinga que exala dessa turma é entorpecente. Graças à Covid, as máscaras ainda são obrigatórias no transporte público e salvam a pátria. Alguém precisa avisar essa turma que eles não são cachorros.

Entrar num ônibus ou bonde dando de cara com aquele pintor voltando do trabalho, ou mesmo indo já que não tomou banho ontem nem anteontem, ou com aquela senhora cabisbaixa e seu cachorrinho já cheio de peleira nas ancas, patas gastas e olhar de quem está indo pra forca, nao é uma experiência agradável. O ar fica estático com o fedor, você tenta respirar o mínimo possível, como se tivesse saindo de um mergulho em caverna com o cilindro de ar a 20%. Pós-Covid isso fica mais difícil ainda.

Enquanto está paralizado pelo olfato a vida continua. Desce do trem agradecendo a São Estêvão, padroeiro de Viena, por ter que usar o transporte por apenas algumas estações. Recobra os sentidos, tira a máscara para sugar o máximo possível de oxigênio e tenta se lembrar onde é o seu trabalho ou que está fazendo ali.

No verão passado teve dia com 36°C a sombra. No asfalto, mais de 50° C. Aspersores lançavam sprays de água nas principais praças da cidade. As crianças foram ao delírio e os pais ao desespero, na mesma proporção. Os velhinhos lendo seus jornais nos cafés pareciam estátuas de cera. Até gatos e cachorros se renderam à cidade-forno procurando sombras e por ali ficando.

Fontes de água natural gratuita são instaladas em pontos estratégicos. Quem sai de casa sem uma garrafinha de água a tiracolo é lelé da cuca ou nasceu no Saara.

A prefeitura deveria distribuir desodorante, sabão, xampu e toalhas para a população nessa época do ano. Fazer campanhas educacionais, explicar os benefícios do banho frio, ou simplesmente do BANHO!

Instalar duchas ao ar livre e promover o asseio geral e irrestrito da nação. Um mascote, que bem poderia ser aquele homenzinho azul dos cotonetes Johnson, seria alçado à nova identidade nacional austríaca. Selos seriam cunhados com sua figura e uma moeda de 1 Euro cunhada.

A salvação são as piscinas públicas. Bem, nem todas. Cada distrito da cidade tem pelo menos uma. Se está lotado você pega fila pra tudo, mas nada assim tão dramático. O chope é sempre gelado, a comida honesta, porém nada saudável, a criançada se sacia com picolés e sorvetes, nadam junto aos patos, cisnes e peixes e vão todos pra casa de patinete, felizes e de cabelo duro. Afinal, já tomaram “banho”.

Mediterrâneo x Bahia

Se você quer mesmo aproveitar o verão europeu, toque pra Croácia, Grécia ou Itália. Faça pelo menos um passeio de barco ou mesmo amizade com um dono de iate.

Vivi um escaldante romance de verão que dura até hoje. Corfu na Grécia é testemunha. Qualquer dia vou começar a escrever um livro contando nossa história, a lua de mel antes do casamento.

Lembra daquela cidadezinha italiana do filme “O Talentoso Ripley”? Um vilarejo com barcos indo e vindo do pequeno porto, o sol e o azul do Mediterrâneo onipresentes, algumas casinhas, cantinas e bares, comida boa de dia, farra à noite. Isso é pra poucos.

E a Bahia? Lá é verão todo dia e durante o ano todo. Já passei vários momentos memoráveis em solo baiano, inclusive o réveillon do milênio com o pé na areia em Arraial.

A Bahia é única e deveria ser tombada pela Unesco como Patrimônio Cultural Inigualável da Humanidade. A comida, as pessoas, a música, o sol, a areia, a brisa, aquele drink de verão sob coqueiros aguardando o sol se despedir, os meninos brincando na praia, os castelinhos, o siri malandro, as conchinhas, tartarugas e águas vivas, o bobó de camarão, as fitinhas do Bonfim, a capoeira, o axé, Gil, Caetano, Dorival, Jorge Amado, João Gilberto, Pepeu, Baby, Alceu, Morais e Elba.

A Bahia é melhor do que qualquer praia na Europa.

Para ver, ouvir e ler

FILMES: Before Sunrise (1995) / Before Sunset (2004) / Before Midnight (2013) - Richard Linklater. As voltas improváveis do Amor.

Vi os dois primeiros da trilogia e me lembro bem de “Antes do Pôr do Sol” com a dupla Ethan Hawke e da eterna francesinha Julie Delpy. Cada um dos três filmes são passados em um único momento do dia e foram feitos em intervalos de nove anos entre si.

No primeiro deles, “Antes do Amanhecer”, Jesse (Ethan) e Celine (Julie) se conhecem num trem Eurail indo para Paris com escala justo em Viena. Jesse convence Celine a descer na capital austríaca. Os dois se perdem nas ruas e histórias da cidade se apaixonando, claro. Mas cada um tem sua Vida e decidem tomar o rumo de casa, não sem antes combinar um encontro no futuro.

Posso dizer que isso aconteceu comigo e minha esposa, mas tomamos a decisão correta de nos encontrarmos após alguns meses, não anos.

De “Antes do Pôr do Sol”, o segundo, me lembro vagamente. O reencontro acontece nove anos depois em Paris. Jesse é casado e autor de best sellers. Celine está na cidade para promover seu livro que conta justamente o encontro de ambos em Viena. É o livro que vou escrever. Eles perambulam durante uma tarde pela capital francesa lamentando não ter seguido os planos de se reencontrar logo. Deixaram o tempo passar e cada um tomou um rumo. Até que Jesse vai ao apartamento de Celine e decide perder seu voo de volta pra casa.

O terceiro filme “Antes da Meia Noite” eu não vi, mas mostra os dois juntos nove anos depois na Grécia, ora vejam só. Nas férias de verão, agora casados e com filhas gêmeas, os dois ponderam a possibilidade de Jesse se mudar para Chicago ficando mais perto de seu filho do primeiro casamento. Celine quer ficar em Paris e arrumar um emprego estável no governo francês.

É um filme para ver a dois, apreciando as cidades e paisagens belamente retratadas e o amor imperfeito e aparentemente eterno dos dois.

São filmes sobre o que deveria ter acontecido, sobre o que poderia ter sido e sobre o que realmente foi e ainda é.

LIVRO: Trilogia Suja de Havana / Pedro Juan Gutiérrez. As entranhas de Cuba sendo dissecadas.

Faz tempo que li, mas me lembro de sentir o calor de Havana ao virar as páginas amplificado pelo rum no copo do personagem/autor quase que o tempo todo.

A suadeira, os cigarros e charutos, a bebedeira, as cubanas calientes e o sexo sem compromisso e regras, a sociedade livre mesmo sob a ditadura de Fidel, o Malecón. A vida realmente como ela é.

Pedro Juan disse que o ser humano é estômago e sexo. Mais preciso e direto, impossível.

A sinopse diz o seguinte: “O livro 'Trilogia suja de Havana' é um marco na literatura latino-americana. Em grande parte autobiográfico, é uma narrativa arrebatadora sobre o cotidiano de Cuba em plena crise econômica e o mais emblemático livro de Pedro Juan Gutiérrez. Sem medo de se expor, o escritor narra sua vida particular e tudo o que se passa ao seu redor. Com uma linguagem direta, aborda temas como sexo, fome, desencanto e luta. São relatos dramáticos, e por vezes cômicos, sempre acompanhados de muito rum e sensualidade. ''Trilogia suja de Havana é um deslumbrante conjunto de histórias de ritmo acelerado, orquestradas como um romance. Duras, comoventes e verdadeiras, elas nos revelam um escritor único, um cronista implacável em tempos contraditórios, terríveis e fascinantes.”

(*) Pedro Silva é engenheiro mecânico, PhD em Materiais, após vinte anos na Europa prefere o inverno ao verão, gosta mais de lagos do que do mar, e escreve a newsletter Alea Iacta Est.

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