Sensação de cócegas pode ser igual em diferentes culturas
Um estudo da Universidade Radboud com adultos da China, Grécia e Holanda revelou que a sensibilidade às cócegas é consistente entre diferentes culturas. As áreas mais sensíveis apontadas foram pescoço, axilas, abdômen e plantas dos pés. Publicada na revista Nature Human Behaviour, a pesquisa concluiu que as cócegas constituem uma experiência sensorial única e complexa, com mecanismos próprios e distinta de outras respostas físicas, como a dor e o prazer.
Estudo com adultos de China, Grécia e Holanda encontrou padrões semelhantes. Participantes identificaram pescoço, axilas, abdômen e plantas dos pés como as principais áreas sensíveis às cócegas.Cócegas provocam risos e gargalhadas, mas será que todas as pessoas reagem da mesma forma? Cientistas da Holanda investigaram essa questão e concluíram que as regiões do corpo onde sentimos cócegas parecem ser comuns entre diferentes culturas.
Durante o estudo, foram analisadas pessoas de origem chinesa, holandesa e grega. Os detalhes desse mapa corporal das cócegas, que também sugere que as sentimos com mais intensidade em áreas onde menos esperamos esse tipo de estímulo, foram publicados na revista Nature Human Behaviour.
Os seres humanos não são os únicos animais sensíveis às cócegas. Os grandes primatas, por exemplo, fazem cócegas uns nos outros, enquanto os ratos também respondem às cócegas provocadas por humanos. Ainda assim, esse fenômeno continua sendo um mistério para a ciência, e muitas perguntas permanecem sem resposta.
Desde a época de Aristóteles e Sócrates, estudiosos especulam sobre a origem e a função das cócegas. Apesar disso, questões fundamentais continuam em aberto: a sensibilidade às cócegas é compartilhada entre diferentes culturas ou depende de cada indivíduo? Existe uma organização específica das áreas do corpo mais sensíveis? E como essa sensação se relaciona com outras experiências corporais?
Mapa corporal das cócegas
Para tentar responder a essas perguntas, os pesquisadores Ziliang Xiong e Konstantina Kilteni, da Universidade Radboud, estudaram 448 adultos, sendo 50% mulheres, com idades entre 18 e 30 anos, provenientes de três contextos culturais distintos: China, Holanda e Grécia.
Cada participante respondeu a um questionário sobre suas experiências e percepções relacionadas às cócegas. Além disso, foi solicitado que marcassem em um modelo do corpo as regiões em que sentiam cócegas e indicassem se essas sensações estavam associadas à dor ou ao toque agradável.
Os participantes identificaram de forma consistente o pescoço, as axilas, o abdômen e as plantas dos pés como as principais áreas sensíveis às cócegas.
Dos entrevistados, 98,4% afirmaram já ter recebido cócegas pelo menos uma vez, e 95,8% disseram já ter feito cócegas em outra pessoa. Além disso, 71% se classificaram como moderadamente ou muito sensíveis às cócegas.
As experiências relatadas foram semelhantes nos três grupos culturais. Esse é um resultado interessante, pois pesquisas anteriores sugerem que as pessoas podem interpretar contatos emocionais, como abraços, de formas diferentes de acordo com sua cultura.
Os participantes descreveram reações semelhantes, especialmente o riso, e identificaram sistematicamente o pescoço, as axilas, o abdômen e as plantas dos pés como as áreas mais sensíveis.
Sensação diferente da dor e do prazer
Os pesquisadores também encontraram diferenças consistentes entre as regiões do corpo mais associadas às cócegas e aquelas relacionadas a outras sensações físicas, como prazer ou dor.
As cócegas podem constituir uma experiência somatossensorial específica, com características fisiológicas, neurais e sociopsicológicas próprias.
"As cócegas parecem formar uma categoria à parte, tanto fisiológica quanto psicologicamente. Não parecem ser apenas um subproduto ou uma integração de outras sensações corporais", afirmou Xiong.
Os resultados sugerem que as cócegas representam uma experiência sensorial particular, com mecanismos próprios. "As cócegas são mais complexas do que se poderia imaginar", destacou Kilteni.
"Neste estudo, analisamos dados de três grupos culturais e identificamos padrões consistentes de comportamento e dinâmica social. Elaboramos um mapa corporal de alta resolução da sensibilidade às cócegas e demonstramos que ele se repete entre culturas e indivíduos, além de ser diferente dos mapas de sensibilidade ao toque, à dor e ao prazer."
No entanto, os cientistas alertam que serão necessários novos estudos para verificar se esses resultados também se aplicam a outras culturas e para compreender como fatores sociais, como intenção e consentimento, influenciam a experiência das cócegas.
md (EFE, ots)
---------
Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.