Segundo estudo, vacina contra herpes-zóster reduz risco de ataque cardíaco e derrame
Pesquisa acompanhou 70 mil adultos e encontrou associação entre a imunização e uma menor ocorrência de problemas cardiovasculares
Um estudo publicado na Nature Medicine indica que a vacina contra herpes-zóster (Shingrix) pode reduzir em até 12% o risco de infarto, insuficiência cardíaca e AVC em idosos. A hipótese é que a imunização atenue inflamações ligadas à reativação do vírus. Apesar do promissor impacto preventivo para a saúde pública global, especialistas ressaltam que ensaios clínicos randomizados ainda são necessários para confirmar em definitivo a eficácia dessa proteção cardiovascular adicional.
A vacina contra herpes-zóster pode estar relacionada a uma proteção adicional para o coração e o cérebro. É o que sugere um estudo publicado na revista científica Nature Medicine, que encontrou menor ocorrência de problemas cardiovasculares entre adultos mais velhos que receberam a vacina Shingrix.
A pesquisa analisou registros de saúde de aproximadamente 70 mil pessoas com 60 anos ou mais. Nos primeiros três anos e meio após a vacinação, aqueles que receberam o imunizante apresentaram risco 12% menor de eventos cardiovasculares, incluindo ataque cardíaco, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC).
O que o estudo descobriu?
Os cientistas aproveitaram a rápida substituição da vacina Zostavax pela Shingrix nos Estados Unidos, a partir de 2017, a fim de comparar os resultados de saúde de pessoas que receberam os dois imunizantes. A análise, então, acompanhou os participantes por até sete anos e avaliou a ocorrência de doença isquêmica do coração, insuficiência cardíaca e AVC isquêmico.
Nos primeiros três anos e meio após a vacinação, os participantes que receberam a Shingrix apresentaram 12% menos risco de eventos cardiovasculares em comparação ao grupo analisado. Ao final dos sete anos de acompanhamento, essa diferença era de 4%. Segundo os autores, se o efeito for confirmado em ensaios clínicos, o possível benefício poderá ter impacto relevante para a saúde pública.
Vacina de herpes-zóster e proteção
Ainda não existe uma explicação definitiva para a possível relação entre a vacina e a redução dos problemas cardiovasculares. Uma das hipóteses é que o próprio herpes-zóster possa aumentar o risco de doenças do coração e dos vasos sanguíneos.
A doença surge quando o vírus da catapora, que permanece adormecido no organismo após a infecção, é reativado. Além das lesões na pele, esse processo pode provocar uma resposta inflamatória no corpo, o que levanta a possibilidade de contribuir para complicações cardiovasculares.
Outra possibilidade investigada pelos cientistas é que a imunização tenha efeitos mais amplos sobre o sistema imunológico. A redução de processos inflamatórios poderia, em tese, contribuir para uma menor ocorrência de problemas cardiovasculares. Por enquanto, contudo, essas explicações permanecem no campo das hipóteses.
O que dizem os pesquisadores?
O responsável pelo estudo, Maxime Taquet, professor clínico da Universidade de Oxford, reforçou, em entrevista ao 'The Guardian', que os resultados podem ter impacto importante caso sejam confirmados. "A vacinação de adultos mais velhos contra o herpes-zóster poderia prevenir centenas de milhares de doenças coronárias, AVCs e casos de insuficiência cardíaca em todo o mundo", afirmou.
Para Hugo Pedder, pesquisador da Universidade de Bristol que não participou da pesquisa, o trabalho apresenta evidências observacionais relevantes. No entanto, um ensaio randomizado ainda é necessário para estabelecer a relação com maior segurança.
"Um ensaio randomizado seria a melhor maneira de responder com segurança se as vacinas recombinantes realmente proporcionam os benefícios observados aqui", avaliou.
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