Veneno de escorpião pode ajudar o fígado? O que já se sabe
Uma molécula do veneno de escorpião chamou atenção dos pesquisadores. Veja por que ela está sendo estudada contra doenças do fígado.
Cientistas investigam o potencial de moléculas do veneno de escorpião para tratar doenças do fígado. Uma revisão na revista iLIVER destacou que o peptídeo BmKK2 reduziu gordura, inflamação e fibrose hepática em camundongos, além de outros compostos terem inibido os vírus das hepatites B e C em laboratório. Apesar de promissores para inspirar novos fármacos, os achados são preliminares, restritos a modelos experimentais, e exigem mais testes de segurança e eficácia antes de qualquer uso humano.
Quando se ouve falar em veneno de escorpião, a primeira associação costuma ser com perigo. Mas algumas moléculas presentes nesse veneno estão chamando a atenção da ciência por um motivo bem diferente. Elas podem interferir em processos ligados à inflamação e a infecções virais, inclusive em problemas que afetam o fígado.
Isso não significa que o veneno de escorpião possa ser usado como tratamento. A ideia é investigar se algumas de suas moléculas podem ajudar a combater mecanismos envolvidos em doenças hepáticas e, no futuro, servir de base para novos medicamentos.
Para isso, os pesquisadores estudam peptídeos específicos, pequenas moléculas capazes de interagir com determinados alvos do organismo.
O que o veneno tem a ver com o fígado?
O fígado consegue acumular gordura sem que a pessoa perceba. Quando esse excesso vem acompanhado de uma inflamação persistente, porém, o tecido do órgão pode ser danificado e começar a formar cicatrizes, um processo conhecido como fibrose.
Isso pode acontecer na MASH, uma doença hepática ligada a alterações metabólicas. Em alguns casos, a progressão desse processo pode levar a danos mais graves no órgão.
É por isso que os pesquisadores procuram maneiras de interromper os sinais que mantêm a inflamação ativa. Algumas moléculas encontradas no veneno de escorpião estão sendo investigadas justamente por sua capacidade de interferir nesse mecanismo.
Uma revisão publicada recentemente na revista científica iLIVER reuniu os principais achados sobre essas moléculas e seu potencial para o desenvolvimento de novos tratamentos.
O que aconteceu nos testes com o fígado?
Entre as descobertas reunidas pela revisão, uma chama atenção. Uma molécula encontrada no veneno do escorpião Buthus martensii Karsch, chamada BmKK2, reduziu a gordura acumulada, a inflamação e a fibrose no fígado de camundongos.
Em outras palavras, o peptídeo mostrou potencial para combater alterações associadas a uma doença hepática.
Mas o resultado ainda não permite dizer que a substância funcione como tratamento em pessoas. O efeito foi observado em animais, e são necessários novos estudos para saber se ele se repetiria em seres humanos e se o composto seria seguro.
Por enquanto, a resposta é talvez, mas ainda não sabemos. O que existe é uma possibilidade que precisa ser testada muito mais antes de chegar à prática médica.
E a hepatite viral?
Alguns peptídeos do veneno de escorpião também apresentaram atividade contra os vírus das hepatites B e C em testes de laboratório. Em alguns casos, as moléculas dificultaram a multiplicação dos vírus.
O achado amplia o interesse por essas substâncias, mas ainda não significa que possam tratar pessoas com hepatite. Até agora, esses efeitos foram observados apenas em modelos experimentais.
Por que isso ainda está longe de virar remédio?
Antes de se tornar um medicamento, uma molécula precisa provar que funciona e é segura no organismo.
No caso desses peptídeos, ainda existem dúvidas sobre sua estabilidade, toxicidade e capacidade de chegar ao local certo. Tecnologias como inteligência artificial e sistemas de nanopartículas podem ajudar a superar parte desses obstáculos.
Por enquanto, o veneno de escorpião é uma fonte de moléculas que pode inspirar novos medicamentos, não uma terapia para doenças do fígado.
O que falta descobrir é se algum desses compostos conseguirá atravessar a distância entre um resultado interessante no laboratório e um tratamento seguro e eficaz para pacientes.
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