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Vacinas contra gripe têm distribuição intermitente na Grande São Paulo

Com campanha antecipada, remessas a governos locais têm sido parciais e doses se esgotam em partes da região metropolitana

25 mar 2020
20h05
atualizado em 4/6/2020 às 16h50
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A primeira semana de vacinação contra gripe teve problemas de abastecimento e distribuição na região metropolitana de São Paulo. Com a campanha antecipada pelo Ministério da Saúde por causa da pandemia do novo coronavírus, os governos estadual e municipal têm recebido remessas parciais de vacinas do governo federal, enquanto a demanda tem sido muito mais alta nos postos de saúde do que em anos anteriores.

Na zona norte da capital paulista, a reportagem do Estado encontrou duas Unidades Básicas de Saúde (UBS) onde as doses se esgotaram em poucas horas nesta quarta-feira, 25. O mesmo ocorreu em Guarulhos, onde unidades ficaram mais de um dia desabastecidas.

Enquanto isso, no centro da capital, locais como a UBS Humberto Pascale e o Centro de Saúde Escola Barra Funda tiveram abastecimento normal durante a manhã e a tarde. Na escola municipal Antônio Figueiredo Amaral, na Barra Funda, o movimento estava tão baixo que menos de dez pessoas foram imunizadas até as 13h30 desta quarta.

"Quase ninguém apareceu, acho que as pessoas não estão sabendo que as escolas também estão vacinando", disse a agente de saúde Nádia, que atendia no local.

No extremo norte, o cenário era oposto. As vacinas esgotaram na UBS Jardim Peri por volta das 14h30. Alguns moradores, em busca de informações, se aglomeravam no pequeno trecho de calçada entre a rua e o muro da unidade de saúde.

"Ontem (terça) vi que as pessoas estavam sendo vacinadas até 18h, mas não consegui sair de casa pois tenho um problema grave na coluna e estava doendo muito, eu não conseguia andar", contou Maria José Lima de Almeida, de 64 anos, após ouvir dos agentes de saúde que teria de voltar para casa. Ela e o filho Sergio Leandro, de 43, moram a cerca de três quarteirões da UBS e não têm carro para ir a outro posto. "Não é justo isso, não. Eles antecipam a campanha, mas não tem vacina suficiente para todo mundo, e aí chegamos aqui sem saber quando vamos conseguir receber a dose."

A meta da Prefeitura é imunizar 1,8 milhão de pessoas em meio à pandemia do novo coronavírus. Um total de 928 mil pessoas haviam recebido a vacina até a noite desta quarta, segundo a Secretaria Municipal de Saúde - entre elas, nesta quarta foram 261 mil pessoas vacinadas até as 16h. A campanha estava inicialmente programada para o mês de abril, mas foi antecipada por decisão do Ministério da Saúde.

Na UBS Vila Barbosa, também na zona norte, a avaliação dos agentes de saúde era que a pandemia aumentou a procura pela vacina. O estoque no local durou até 12h30 desta quarta. "Como estamos vacinando também pelo 'drive thru', não estamos atendendo só a nossa região, por isso também acabou mais rápido", explicou uma das agentes que administram a unidade, que pediu para não ter o nome divulgado.

"Estamos com medo de ficar muito tempo fora, então agora vamos para casa", disse Maria Inês, de 79 anos, de dentro de um carro e acompanhada pela família. O sistema 'drive thru' serve para evitar contato entre pacientes nas filas, já que a recomendação para conter o novo coronavírus é o afastamento social. "Eu falei para a minha filha que deveria ter vindo de manhã porque à tarde corria o risco de acabar (a vacina). Dito e feito", disse Maria Inês.

Em Guarulhos, a vacina acabou em menos de 12h de atendimento na segunda. A vacinação foi retomada apenas nesta quarta. Os postos de saúde precisa de 135 mil doses para imunizar os idosos da cidade, mas menos de 100 mil foram entregues - houve um primeiro lote com 39 mil vacinas que esgotou na própria segunda-feira, e um segundo lote entregue na quarta com 60 mil. Não há previsão para a chegada das 36 mil vacinas restantes.

Remessas parciais

A Prefeitura de São Paulo disse, por meio de nota, que "a vacinação ocorre simultaneamente em 468 Unidades Básicas de Saúde da capital e, mesmo com a alta adesão, não foram registradas aglomerações de pessoas nos postos de atendimento". "Sobre os casos pontuais citados pela reportagem, a Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) Norte esclarece que as unidades já foram abastecidas", disse a Prefeitura. A gestão municipal também esclareceu que a estimativa é vacinar mais de 90% do público alvo de idosos e profissionais da saúde, e que a campanha dura até 22 de maio.

A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo informou nesta quarta-feira, 25, que a campanha de vacinação contra a influenza imunizou mais de 261 mil pessoas até as 16h. "Desde o início da campanha, na segunda-feira (23), 928 mil pessoas receberam a vacina", declarou a pasta.

Questionada, a Secretaria Estadual de Saúde informou que "a responsabilidade de compra e envio aos Estados da vacina contra Influenza (gripe) é do Ministério da Saúde" e que o governo estadual tem recebido remessas parciais. A secretaria disse que mantém "diálogo contínuo" com o Ministério para garantir o abastecimento.

Segundo a secretaria estadual, foram entregues 2,8 milhões de doses. "Esse montante, somado a outras 2 milhões de doses recebidas anteriormente, corresponde a 70% da demanda para imunizar os grupos prioritários da primeira etapa da campanha - idosos e profissionais de saúde."

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Estadão
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