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Vacinação infantil: por que o esquema da Dinamarca é mais enxuto que o do Brasil

Os calendários de vacinação infantil do Brasil e da Dinamarca seguem caminhos diferentes, mas com um objetivo comum: reduzir ao máximo o risco de doenças evitáveis. Saiba por que o esquema dinamarquês é mais enxuto.

19 fev 2026 - 11h02
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Os calendários de vacinação infantil do Brasil e da Dinamarca seguem caminhos diferentes, mas com um objetivo comum: reduzir ao máximo o risco de doenças evitáveis. Em linhas gerais, a Dinamarca trabalha com um esquema mais enxuto, com menos tipos de vacinas e intervalos maiores entre as doses. Já o Brasil adota uma proposta mais abrangente, que inclui um número maior de imunizantes, cobrindo um leque amplo de infecções que ainda circulam com intensidade no país.

Essas diferenças não estão ligadas apenas à renda ou ao tamanho da população, mas também à história sanitária, ao perfil de doenças e ao grau de confiança da sociedade em relação ao sistema de saúde. Enquanto o modelo dinamarquês foca em um conjunto reduzido de doenças, com forte apoio em vigilância e rastreamento de casos, o modelo brasileiro combina grande variedade de vacinas com campanhas frequentes, buscando alcançar crianças em contextos muito diversos, urbanos e rurais.

Na Dinamarca, o calendário inclui principalmente vacinas contra doenças consideradas prioritárias para a realidade local, como difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola, HPV e algumas formas de meningite – depositphotos.com / IgorVetushko
Na Dinamarca, o calendário inclui principalmente vacinas contra doenças consideradas prioritárias para a realidade local, como difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola, HPV e algumas formas de meningite – depositphotos.com / IgorVetushko
Foto: Giro 10

O que torna o calendário de vacinação infantil da Dinamarca mais enxuto?

A palavra-chave nesse contexto é calendário de vacinação infantil. Na Dinamarca, esse calendário inclui principalmente vacinas contra doenças consideradas prioritárias para a realidade local, como difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola, HPV e algumas formas de meningite. Em geral, as doses são distribuídas em menos visitas ao serviço de saúde, com reforços espaçados ao longo da infância, o que reduz o número de idas ao consultório ou posto de vacinação.

Esse desenho é possível porque o país mantém há décadas baixos índices de circulação de vários agentes infecciosos, além de contar com infraestrutura robusta de saneamento, alta cobertura de atenção básica e acompanhamento próximo das famílias. O sistema registra, acompanha e convoca as crianças para as doses pendentes, o que permite trabalhar com menos vacinas e ainda assim manter o controle sobre surtos. Outra peça importante é a padronização de formulários eletrônicos, que facilita o cruzamento de dados entre escolas, clínicas e autoridades de saúde.

Por que a confiança no sistema dinamarquês permite intervalos maiores e menos vacinas?

Na Dinamarca, a confiança na ciência e nas instituições públicas de saúde tem impacto direto na adesão ao calendário vacinal infantil. A maioria dos pais segue automaticamente as recomendações oficiais, sem necessidade de campanhas massivas de convencimento. Isso reduz falhas de cobertura e torna possível um modelo com menos pontos de contato, mas com alta taxa de comparecimento em cada etapa.

Além disso, o país investe bastante em monitoramento eficiente. Sistemas informatizados permitem detectar rapidamente qualquer queda na cobertura em uma região ou faixa etária específica. Se um surto de determinada doença reaparece, as autoridades podem responder com ações pontuais, como reforços temporários ou campanhas locais, sem mudar todo o calendário. Um aspecto pouco citado é a estabilidade demográfica: nascimentos relativamente previsíveis e menor desigualdade social facilitam o planejamento.

  • Alta cobertura histórica: taxas de vacinação infantil geralmente acima de 90% para as principais vacinas.
  • Comunicação centralizada: mensagens claras e unificadas vindas de autoridades de saúde.
  • Registros integrados: prontuários digitais que acompanham a criança desde o nascimento.
  • Baixa circulação de patógenos: poucos surtos de doenças já preveníveis por vacinas de rotina.

Como funciona o calendário de vacinação infantil no Brasil e por que ele é mais amplo?

No Brasil, o calendário de vacinação infantil inclui um número maior de imunizantes, com doses distribuídas desde as primeiras horas de vida até o fim da adolescência. Entram nesse pacote vacinas como BCG, hepatite B, pentavalente, poliomielite inativada e oral, pneumocócica, rotavírus, meningocócica, febre amarela, tríplice viral, varicela, hepatite A, HPV, entre outras. Em muitos casos, os intervalos entre as doses são menores do que os adotados em países do norte da Europa.

Esse modelo se explica pela diversidade epidemiológica brasileira. O país convive simultaneamente com doenças típicas de regiões tropicais, como febre amarela, com doenças respiratórias que predominam em grandes centros urbanos e com infecções que ainda circulam em áreas com menor cobertura de saneamento e acesso irregular a serviços de saúde. Para reduzir lacunas de proteção, o calendário acaba sendo mais completo, com reforços em diferentes idades para consolidar a imunidade.

  • Grande extensão territorial, com climas e biomas diferentes.
  • Desigualdades regionais em renda, saneamento e acesso a serviços.
  • Circulação simultânea de doenças respiratórias, intestinais e transmitidas por vetores.
  • Histórico de surtos de sarampo, meningite, febre amarela e poliomielite em décadas passadas.

Quais curiosidades diferenciam Brasil e Dinamarca na vacinação infantil?

Um ponto curioso é que, apesar de a Dinamarca aplicar menos vacinas em seu esquema de rotina, a exigência de registro é rígida. Dados de vacinação costumam ser usados em relatórios nacionais e em estudos de longo prazo sobre saúde infantil. Há também tradição de pesquisas que acompanham o impacto das vacinas por décadas, avaliando eficácia e segurança em múltiplas gerações.

Já o Brasil se destaca pela capilaridade da rede pública. Postos de saúde em municípios pequenos, ações em áreas ribeirinhas e campanhas de "Dia D" permitiram, por muitos anos, alcançar coberturas consideradas referência mundial. Outra particularidade é o contato frequente da criança com o serviço de saúde, não apenas para vacinação, mas também para acompanhamento de crescimento e desenvolvimento, o que favorece a identificação de atrasos no cartão vacinal.

  1. Na Dinamarca, o acompanhamento digital é a espinha dorsal do sistema de vacinação.
  2. No Brasil, a presença física da equipe de saúde em territórios diversos é o ponto central.
  3. Ambos combinam vacinas com outras ações preventivas, mas com ênfases distintas.
Um ponto curioso é que, apesar de a Dinamarca aplicar menos vacinas em seu esquema de rotina, a exigência de registro é rígida – depositphotos.com / IgorVetushko
Um ponto curioso é que, apesar de a Dinamarca aplicar menos vacinas em seu esquema de rotina, a exigência de registro é rígida – depositphotos.com / IgorVetushko
Foto: Giro 10

Quais são as vantagens e os desafios de cada modelo de calendário de vacinação?

O modelo dinamarquês, mais enxuto, tem como vantagens a simplicidade, a menor quantidade de visitas e a facilidade de comunicação com a população. O principal desafio é manter a confiança em patamar elevado e garantir que o monitoramento identifique rapidamente qualquer falha de cobertura, já que há menos camadas de proteção e menos reforços distribuídos ao longo dos anos.

No Brasil, o calendário infantil mais abrangente oferece proteção contra um número maior de doenças e tenta compensar desigualdades territoriais, criando oportunidades frequentes de imunização. Entre os desafios estão a necessidade de manter altas coberturas de muitas vacinas ao mesmo tempo, a logística de distribuição em todo o território e o esforço contínuo de comunicação para evitar quedas de adesão.

Em ambos os casos, o calendário de vacinação infantil reflete escolhas baseadas em contexto epidemiológico, estrutura de saúde e padrão de confiança social. Enquanto a Dinamarca mostra como um sistema robusto e bem monitorado permite esquemas mais enxutos, o Brasil ilustra a importância de uma abordagem ampla em ambientes marcados por grande diversidade de riscos e realidades. O equilíbrio entre simplicidade e abrangência segue no centro do debate sobre o futuro da imunização infantil nos dois países.

Giro 10
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