Uma comida coreana pode ajudar o corpo a eliminar partículas de plástico?
Nanoplásticos no corpo preocupam cientistas. Agora, um estudo com kimchi levantou uma hipótese curiosa sobre essas partículas.
Eles estão na água, nas embalagens, nos utensílios da cozinha e até na poeira dentro de casa. Os chamados nanoplásticos já foram encontrados no corpo humano, e a ciência ainda tenta entender quais impactos isso pode ter na saúde.
Agora, um novo estudo levantou uma hipótese curiosa. Bactérias presentes no kimchi, alimento fermentado tradicional da Coreia, poderiam ajudar o organismo a eliminar parte dessas partículas.
Mas é importante manter a cautela. A pesquisa não mostrou que comer kimchi "limpa" o corpo nem que o alimento funcione como um detox contra plástico.
Nanoplásticos no corpo: o que o estudo descobriu
Os pesquisadores investigaram uma bactéria encontrada no kimchi chamada Leuconostoc mesenteroides CBA3656.
Em laboratório, ela conseguiu se ligar a partículas microscópicas de plástico conhecidas como nanoplásticos.
A hipótese é que essa bactéria ajude o organismo a eliminar parte dessas partículas pelas fezes, reduzindo o tempo que elas permanecem no sistema digestivo.
O que são nanoplásticos?
Os nanoplásticos são fragmentos microscópicos gerados pela degradação de materiais plásticos. Eles podem entrar no corpo pela água, pelos alimentos e até pelo ar.
A preocupação dos cientistas é que, por serem tão pequenos, eles possam interagir com o organismo de maneiras ainda pouco conhecidas.
Nos últimos anos, estudos detectaram microplásticos e nanoplásticos em diferentes partes do corpo humano. Mesmo assim, os efeitos disso na saúde ainda não estão totalmente claros.
Então comer kimchi resolve?
Ainda não.
Essa talvez seja a parte mais importante da pesquisa. O estudo não prova que comer kimchi diariamente elimina microplásticos do corpo humano.
Existe uma grande diferença entre:
- observar um efeito em laboratório;
- confirmar resultados em animais;
- e comprovar o mesmo impacto em pessoas.
Além disso, os cientistas estudaram uma bactéria isolada do kimchi, e não o alimento em si funcionando como tratamento.
Outro ponto importante é que o kimchi costuma ter bastante sal e temperos fortes, o que pode não ser ideal para pessoas com pressão alta, gastrite, refluxo, doença renal ou restrição de sódio.
O que dá para fazer agora?
Enquanto a ciência ainda tenta entender como os nanoplásticos afetam o corpo, a orientação mais segura continua sendo reduzir a exposição no dia a dia.
Algumas medidas simples incluem:
- evitar aquecer comida em recipientes plásticos;
- preferir vidro ou inox para alimentos quentes;
- não reutilizar garrafas plásticas descartáveis por muito tempo;
- reduzir ultraprocessados muito embalados.
Por enquanto, a descoberta deve ser vista como um passo inicial da ciência.
O kimchi pode ajudar pesquisadores a desenvolver novas estratégias no futuro, mas ainda está longe de ser uma solução comprovada para eliminar plásticos do organismo.
O estudo foi publicado na revista científica Bioresource Technology.
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