Um estudo nacional confirmou um dos maiores clichês relacionados a academia; entenda
'Homem não treina perna': levantamento confirma um dos maiores clichês da academia
Um levantamento do app Befit com mais de 175 mil brasileiros comprovou que homens e mulheres focam em grupos musculares opostos na academia: eles priorizam peito e braços, ignorando pernas e glúteos, enquanto elas focam em membros inferiores e evitam a parte superior. O abdômen é o único consenso geral. Especialistas alertam que essa divisão cultural gera desequilíbrios posturais e lesões, reforçando que um bom treino exige estímulos para todo o corpo, sem exclusividades.
Dados da startup brasileira Befit mostram que apenas 13% dos homens querem focar nos glúteos e menos da metade prioriza as pernas
Uma das piadas mais antigas da academia é, segundo pesquisa, verdadeira — pelo menos no Brasil. Um levantamento do Befit, aplicativo brasileiro de musculação com inteligência artificial, analisou as respostas de mais de 175 mil brasileiros que indicaram, ao montar seu plano de treino nos últimos três meses, quais músculos querem priorizar. O resultado confirma com números o estereótipo consagrado pelos memes: entre os homens, as pernas aparecem em penúltimo lugar na lista de prioridades, citadas por 49%, e os glúteos ficam em último, lembrados por apenas 13% deles. O topo do ranking masculino traz peito (77%) e braços (76%).
Entre as mulheres, o ranking se inverte: glúteos (80%) e pernas (78%) lideram com folga, enquanto o peito aparece em último lugar, priorizado por somente 15% das brasileiras que utilizam o app.
O abdômen é o único consenso nacional. Cerca de 3 em cada 4 usuários que escolhem focos musculares incluem a região na lista: 75% das mulheres e 73% dos homens. A região lidera no panorama geral dos músculos mais trabalhados no país, com 74%, seguida por pernas (64%), braços (62%), glúteos (49%), costas (47%), peito (44%) e ombros (44%).
Ignorar grupos musculares não é recomendado
Para Antônio Brandão, especialista em treinamento de força e consultor do Befit, os dados revelam menos sobre anatomia e mais sobre cultura. "As pessoas priorizam os músculos que aparecem no espelho ou que a estética do seu grupo valoriza. O homem treina o que vê de frente: peito, braço, abdômen. A mulher, historicamente pressionada pelo padrão de glúteos e pernas, faz o caminho contrário. Nos dois casos, o corpo cobra a conta do que ficou de fora", afirma.
E a conta não é pequena. Pernas e glúteos concentram os maiores grupos musculares do corpo humano, e são justamente os que mais elevam o gasto calórico do treino e sustentam a saúde de joelhos, quadril e coluna no dia a dia. "Glúteo fraco não é um problema estético, é um problema funcional. Está associado à sobrecarga na lombar e nos joelhos. O músculo que os homens brasileiros mais ignoram é um dos que mais fazem falta com o passar dos anos", explica o especialista.
Mito entre as mulheres
Do outro lado, o peito e os ombros negligenciados pelas mulheres compõem, junto com as costas, a base da força de empurrar e da postura. "Ainda existe o mito de que treinar peito 'masculiniza' o corpo da mulher. Não faz sentido fisiológico. O que o treino de peito e ombros entrega para elas é postura, força funcional e equilíbrio muscular", diz Brandão.
Já a obsessão nacional pelo abdômen esconde uma ironia: ele é um dos músculos que menos dependem de séries direcionadas para aparecer na estética. "O abdômen que as pessoas querem ver é resultado muito mais do percentual baixo de gordura, que depende de dieta e constância no treino como um todo, do que de séries infinitas de abdominais", afirma o especialista.
A recomendação técnica para equilibrar o físico é garantir que o plano semanal distribua estímulos entre todos os grandes grupos musculares, mesmo que com volumes diferentes conforme o objetivo. "Não há problema em ter um foco. O problema é o foco virar exclusividade", resume Brandão.
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