Rock in Rio: Dave Grohl fez terapia 6 dias por semana. Isso é normal?
A terapia de Dave Grohl do Foo Fighters chamou atenção pelo número de sessões. Entenda o contexto e o que isso pode revelar sobre buscar ajuda.
Dave Grohl revelou ter feito terapia seis dias por semana após perdas dolorosas, como a de sua mãe e do baterista Taylor Hawkins, além de conflitos familiares. O caso gerou dúvidas sobre a frequência ideal do acompanhamento psicológico, mas especialistas afirmam que não há um padrão único: o número de sessões depende das necessidades individuais e da estratégia profissional. O relato reforça a importância de buscar ajuda quando o sofrimento e o luto passam a comprometer a rotina diária.
Dave Grohl subiu ao palco do Rock in Rio na noite desta sexta-feira (4), no Rio de Janeiro, à frente do Foo Fighters. A apresentação no Brasil acontece enquanto o músico volta a falar publicamente sobre um período especialmente difícil de sua vida.
Em uma entrevista ao The Guardian, publicada em março, Grohl revelou que fez terapia seis dias por semana durante 70 semanas. Segundo ele, foram mais de 430 sessões.
Grohl explicou que chegou à terapia por vários motivos. Entre eles estavam a morte do baterista Taylor Hawkins, em 2022, a morte de sua mãe, quatro meses depois, e a revelação pública, em 2024, de que havia tido uma filha fora do casamento. A terapia começou mais ou menos na mesma época em que ele tornou a notícia pública.
Segundo o músico, chegou a um ponto em que precisava "parar, ficar comigo mesmo e me reavaliar". Ele também afirmou que o processo continua.
Grohl não revelou nenhum diagnóstico de saúde mental e suas declarações não permitem fazer qualquer avaliação desse tipo. Mas a experiência levanta uma dúvida interessante: o que pode levar uma pessoa a precisar de acompanhamento psicológico com tanta frequência?
Terapia de Dave Grohl do Foo Fighters: seis dias por semana é normal?
Não existe uma frequência de terapia que seja ideal para todas as pessoas. Algumas fazem sessões com intervalos maiores, enquanto outras podem precisar de um acompanhamento mais frequente em determinados períodos.
Por isso, fazer terapia seis dias por semana, como contou Grohl, não significa, por si só, que a pessoa tenha um transtorno mental ou esteja necessariamente em uma situação mais grave.
A frequência depende do que a pessoa está vivendo e da estratégia definida com o profissional. Assim, a experiência de Grohl não serve como parâmetro para dizer quantas sessões de terapia alguém deveria fazer.
No caso do músico, o que se sabe é apenas que ele descreveu um período de terapia particularmente intenso, ligado a múltiplas questões pessoais importantes.
O que uma perda importante pode mudar na vida?
Perder alguém importante não mexe apenas com as emoções. O luto pode afetar o sono, os relacionamentos e a própria rotina.
Como explica a psiquiatra Dra. Fabricia Signorelli em uma de suas colunas no SaúdeLab, "ter saúde mental não significa estar livre de sofrimento ou dificuldades".
Para ela, mesmo em momentos difíceis, é possível encontrar maneiras de lidar com o que está acontecendo, manter vínculos e seguir com a vida.
Pesquisas que acompanharam pessoas enlutadas no dia a dia mostram que os efeitos de uma perda podem aparecer em diferentes áreas, como as emoções, o sono e os relacionamentos.
No caso de Grohl, o luto pelas perdas de Taylor Hawkins e de sua mãe foi apenas parte de um período marcado por diferentes mudanças e conflitos pessoais. A revelação de que havia tido uma filha fora do casamento também aconteceu nesse contexto.
Por isso, o mais importante não é buscar uma reação "certa" ao luto, mas perceber quando o sofrimento começa a pesar demais na vida cotidiana.
Quando procurar ajuda profissional?
O luto, por si só, não significa que uma pessoa precise de tratamento.
No entanto, buscar apoio pode ser importante quando o sofrimento fica difícil de administrar ou começa a atrapalhar a rotina, o trabalho ou os relacionamentos.
E quando o luto passa a exigir atenção?
O luto não tem um prazo único. A tristeza e a saudade podem continuar mesmo depois que a pessoa retoma a rotina.
O alerta está quando a dor continua muito intensa e passa a impedir a pessoa de seguir com a própria vida, como trabalhar, cuidar das tarefas do dia a dia ou manter relacionamentos.
Nessas situações, vale buscar avaliação profissional. Em alguns casos, o sofrimento pode estar relacionado ao transtorno do luto prolongado.
O diagnóstico depende de uma avaliação que considere a duração, a intensidade dos sintomas e o impacto na vida cotidiana. Quando o transtorno está presente, a psicoterapia é uma das principais formas de tratamento estudadas.
Cuidar da saúde mental também é reconhecer os próprios limites
A experiência de Grohl chama atenção não apenas pelo número de sessões, mas pela decisão de buscar ajuda durante um período de mudanças, perdas e conflitos pessoais.
Para a neurologista Dra. Marília Graner, em uma de suas colunas no SaúdeLab, reconhecer e expressar as próprias emoções também faz parte desse cuidado.
"Emoções foram feitas para serem entendidas, sentidas e vividas", afirma.
A médica também destaca práticas simples que podem favorecer o bem-estar, como movimentar o corpo, fazer pausas e reduzir estímulos ao longo do dia.
Essas atitudes podem ajudar no dia a dia, mas como ela mesma menciona, não substituem o acompanhamento profissional quando ele é necessário.
Não existe vergonha em precisar de ajuda. E o sofrimento não precisa chegar a um ponto extremo para que alguém converse com um profissional sobre o que está vivendo.
A experiência de Grohl não é uma medida de quanto de terapia alguém precisa. A mensagem mais importante é outra. Quando o sofrimento fica difícil de administrar, buscar ajuda também é uma forma de cuidado.
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