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Treino na praia: como correr na areia protege o corpo

A instabilidade do terreno exige mais dos músculos e menos dos ossos. Saiba como transformar a praia em aliada do seu desempenho e evitar a sobrecarga

31 jan 2026 - 10h13
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Encarar a orla como uma pista de treino pode ser uma das estratégias mais inteligentes para a longevidade no esporte. Correr na areia é uma experiência sensorial e fisiológica completamente diferente.

Veja os benefícios de correr na areia
Veja os benefícios de correr na areia
Foto: Shutterstock / Sport Life

A superfície obriga o corpo a recalcular cada aterrissagem, ativando grupos musculares que muitas vezes ficam "adormecidos" na corrida de rua. Ou seja, você poupa as articulações enquanto acelera o metabolismo.

Por que a areia muda o treino

A principal diferença biomecânica entre o asfalto e a areia está na Lei de Ação e Reação.

No asfalto, quando você pisa, o chão é duro e devolve a energia quase imediatamente, ajudando a impulsionar o corpo para a frente (energia elástica). Na areia, isso não acontece.

Ao aterrissar em um piso fofo, o solo se deforma e absorve grande parte da energia que você aplicou. O resultado? Você perde o "efeito mola".

Para dar o próximo passo, seus músculos precisam gerar força do zero, sem ajuda do terreno. É por isso que 5km na areia parecem, fisicamente, muito mais longos e exaustivos do que 5km no parque.

Você está, literalmente, fazendo musculação a cada passada.

Menos impacto, mais esforço

Este é o grande paradoxo (e a grande vantagem) de correr na areia.

Estudos de medicina esportiva indicam que a areia fofa reduz significativamente a força de reação do solo. Isso significa que a onda de choque que subiria pelo calcanhar, joelhos e quadril é amortecida.

  • O benefício: Para quem sofre com dores articulares (como condromalácia patelar) ou está voltando de lesões por impacto, a areia funciona como um "colchão", permitindo treinar com menos dor.

No entanto, se o impacto diminui, o esforço muscular explode. Como o pé afunda, o tempo de contato com o solo aumenta.

Para sair do lugar, a panturrilha, os isquiotibiais (posterior de coxa) e os glúteos precisam trabalhar em dobro. O sistema cardiovascular também precisa bombear mais sangue para suprir essa demanda extra de oxigênio.

Benefícios para o rendimento

Se o treino é mais difícil, a recompensa também é maior. Incluir sessões na areia na sua rotina traz ganhos que serão transferidos para a sua corrida no asfalto:

1. Queima Calórica Acelerada

Devido à ineficiência mecânica do terreno, o gasto energético na areia pode ser de 1,6 a 2,5 vezes maior do que em superfícies duras.

Se o seu objetivo é emagrecimento ou definição, a praia é um acelerador de resultados.

2. Propriocepção e Equilíbrio

A instabilidade do piso é um "santo remédio" para tornozelos fracos. O corpo é obrigado a recrutar pequenos músculos estabilizadores ao redor das articulações para não torcer o pé.

Isso melhora a propriocepção (capacidade do cérebro de saber onde o corpo está no espaço), prevenindo entorses futuras.

3. Fortalecimento do Core

Para manter o tronco ereto em um piso que se move, seu abdômen e lombar (o Core) precisam ficar contraídos o tempo todo. É um treino abdominal funcional e intenso.

Cuidados ao correr na areia

Apesar dos benefícios, a transição do asfalto para a areia exige cautela. O erro mais comum é achar que, por ser macio, não machuca.

A inclinação da orla

A maioria das praias possui um desnível natural em direção ao mar.

Correr longas distâncias nessa inclinação faz com que uma perna atue como se fosse "mais curta" que a outra, gerando um desequilíbrio na bacia e na coluna lombar.

  • Solução: Procure a maré baixa para correr na parte plana ou vá e volte pelo mesmo trajeto (assim você compensa o esforço dos dois lados).

Sobrecarga nos tendões

A areia fofa exige uma amplitude de movimento muito grande do tornozelo. Isso pode esticar excessivamente o tendão de Aquiles e a fáscia plantar.

Se você não está acostumado, o risco de tendinite e fascite plantar é alto.

Descalço ou de tênis?

Para iniciantes ou treinos longos, use tênis. Ele oferece suporte ao arco do pé e protege contra objetos cortantes (conchas, vidro).

Deixe o descalço apenas para caminhadas ou trotes curtos de fortalecimento (máximo 15 a 20 minutos) na parte mais firme da areia.

Como incluir no treino

Não tente replicar seu treino de rua na praia logo no primeiro dia. Siga uma progressão segura:

  1. Adaptação: Comece com caminhadas aceleradas na areia fofa intercaladas com trotes leves na areia dura (próximo à água).

  2. Volume Reduzido: Se você corre 10km na cidade, comece com 5km ou 6km na praia. Respeite a intensidade elevada.

  3. Frequência: Evite correr na areia todos os dias. Intercale com dias de descanso ou treinos em piso firme para dar tempo da musculatura da panturrilha se recuperar.

  4. Percepção de Esforço: Esqueça o relógio e o pace. Seu ritmo será naturalmente mais lento. Guie-se pela respiração e pela sensação de cansaço.

Ao final do treino, aproveite o ambiente. Um mergulho no mar gelado funciona como uma excelente crioterapia natural.

Ou seja, a água ajuda a reduzir a inflamação muscular e acelerando a recuperação para o dia seguinte. Correr na areia desafia o corpo, mas renova a mente.

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