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Tecnologia pode prevenir infartos com até 4 anos de antecedência

Equipamento identifica placas de gordura perigosas nas artérias antes que provoquem eventos cardíacos

15 jan 2026 - 18h37
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Já imaginou conseguir antecipar um infarto com até quatro anos de antecedência? Esse cenário, que até pouco tempo parecia distante, já é realidade na cardiologia moderna.

Tecnologia já consegue antecipar o risco de infarto
Tecnologia já consegue antecipar o risco de infarto
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Uma nova tecnologia de imagem permite identificar placas de gordura perigosas nas artérias antes que elas se rompam e provoquem eventos graves.

O avanço representa um passo importante na prevenção de infartos, principal causa de morte no Brasil e no mundo.

Como a tecnologia funciona

O equipamento combina duas técnicas avançadas:

  • Espectroscopia no infravermelho próximo (NIRS)

  • Ultrassom intravascular de alta definição (IVUS-HD)

Essa combinação permite "enxergar" não apenas a estrutura da artéria, mas também a composição das placas de gordura, condição conhecida como aterosclerose.

Diferentemente dos exames tradicionais, a tecnologia identifica placas lipídicas, consideradas as mais perigosas, inclusive em regiões com cálcio ou presença de stents.

Identificação precoce pode salvar vidas

Segundo o cardiologista intervencionista Carlos Campos, do InCor e livre-docente pela USP, o principal diferencial está na antecipação do risco.

"Agora conseguimos detectar as placas mais perigosas antes que elas se rompam e provoquem um infarto", afirma o especialista.

Em poucos segundos, o sistema gera um quimiograma, um mapa codificado por cores que mostra onde está o acúmulo de gordura na artéria.

O que é o índice de carga lipídica

Além das imagens, a tecnologia calcula automaticamente o Índice de Carga Lipídica (LCBI), um indicador que ajuda os médicos a definir o melhor plano de tratamento para cada paciente.

Estudos internacionais comprovam a eficácia do método:

  • Estudo LRP: LCBI acima de 400 está associado a risco de até 89% de eventos cardíacos em até 24 meses

  • PROSPECT II: risco elevado já com LCBI acima de 324, com possibilidade de eventos em até 48 meses

  • Outros estudos, como YELLOW, PACMAN e PREVENT, reforçam a utilidade clínica da tecnologia

Esses dados mostram que é possível agir anos antes do infarto acontecer.

Tecnologia já está disponível no Brasil

Batizada de Makoto, a tecnologia foi desenvolvida nos Estados Unidos e é comercializada no Brasil pela Nipro, empresa japonesa com atuação global.

Atualmente, o sistema está presente em hospitais de referência, como:

  • Hospital Sírio-Libanês

  • Hospital Santa Lúcia Sul

  • Hospital Biocor

  • Hospital do Coração de Duque de Caxias

  • Hospital Beneficente de Belém

A tecnologia já é utilizada em 64 países e está em processo de aprovação em outros 12.

Impacto no combate às doenças cardiovasculares

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, cerca de 300 mil brasileiros sofrem infarto todos os anos, e as doenças cardiovasculares são responsáveis por aproximadamente 400 mil mortes anuais no país.

A possibilidade de identificar placas de risco antes do evento representa uma mudança importante na forma de cuidar do coração.

"A utilização dessa tecnologia representa um avanço significativo na cardiologia moderna, oferecendo diagnósticos mais precisos, decisões clínicas mais seguras e melhores resultados para os pacientes", conclui o Dr. Campos.

Prevenir é o novo caminho

A tecnologia não substitui hábitos saudáveis, mas amplia a capacidade da medicina de agir antes da emergência. Quanto mais cedo o risco é identificado, maiores são as chances de intervenção eficaz.

Na prática, isso significa mais tempo, mais cuidado e mais vidas salvas.

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