Dicas ajudam a manter a higiene bucal de crianças autistas

Brincadeiras, músicas e figuras podem ajudar a tornar essa hora eficiente, divertida e sem estresse

23 ago 2016
08h00
atualizado em 19/7/2018 às 15h28

O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits persistentes na comunicação e na interação social. Mas os desdobramentos dessa doença não se limitam somente a esse contexto. Pais com filhos autistas costumam enfrentar muitos problemas na hora da higienização bucal das crianças. Para ajudar nessa missão, convidamos algumas especialistas que darão dicas de como tornar o momento eficiente sem que o banheiro vire um campo de guerra. 

Os PECS odontológicos podem ter escovas de dente, pasta, fio dental e técnicas de escovação com o objetivo de apresentar ao paciente autista a sequência da escovação na tentativa de inseri-la em sua rotina de higiene diária
Os PECS odontológicos podem ter escovas de dente, pasta, fio dental e técnicas de escovação com o objetivo de apresentar ao paciente autista a sequência da escovação na tentativa de inseri-la em sua rotina de higiene diária
Foto: Andrew Safonov / Shutterstock

“As pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista) têm dificuldades para escovar os dentes por vários motivos. Algumas têm sensibilidade tátil, não tolerando certas texturas como a das cerdas das escovas dentárias, outras não toleram a pressão utilizada para escovar os dentes”, diz Áquila Dantas, cirurgiã-dentista e Membro Fundador e Vitalício da Academia Interamericana de Odontologia para Pacientes Especiais.

Ainda segunda ela, algumas pessoas com TEA têm sensibilidades olfativa e gustativa e não aceitam algumas substâncias e odores, evitando as pastas dentárias principalmente por causa o seu cheiro. “Pessoas com autismo também podem apresentar a coordenação motora fina comprometida, dificultando os movimentos necessários para realizar a escovação dentária”, diz a especialista. 

Para a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa há ainda outro motivo que colabora com essa situação. “Algumas crianças com TEA são bem agitadas e parecem não ouvir as ordens dos pais. Elas têm dificuldades para seguirem comandos e costumam fazer apenas o que é do seu interesse que, geralmente, é bastante restritivo”, diz a psiquiatra. 

Imagens valem mais que palavras
Apesar de todas essas dificuldades relatas acima, existem meios para se conseguir que a higiene bucal do seu filho seja feita. Se ele é, por exemplo, uma criança não verbal (que não se comunica com palavras) é possível introduzir a higiene através de figuras. 

O método PECS (Picture Exchange Communication System) ) é uma forma alternativa de comunicação que envolve não apenas a substituição da fala por uma figura, mas incentiva a expressão de necessidades e desejos.

“Os PECS odontológicos podem ter escovas de dente, pasta, fio dental e técnicas de escovação com o objetivo de apresentar ao paciente autista a sequência da escovação na tentativa de inseri-la em sua rotina de higiene diária, levando em consideração sua dificuldade de mudanças de hábitos como também seu aprendizado por imitação ou repetição”, diz Áquila. 

Nem tudo deve ser diferente
No entanto, algumas orientações são as mesmas indicadas para as crianças que não têm a doença. A pasta de dente, por exemplo, deve ser com flúor desde o primeiro dentinho e os pais devem se esforçar para conseguir escovar os dentes deles três vezes ao dia. 

“Todavia, orientamos os pais para colocar pouca pasta, do tamanho de um grão de arroz, e diminuir quando as crianças não conseguem cuspir. As crianças com sensibilidade tátil quando não conseguem escovar com as escovas dentárias, oriento para usar escovas elétricas e depois, aos poucos, introduzir novamente a escova normal”, diz a especialista. 

Sem estresse
Para a escovação ser mais eficiente e sem estresse, o ideal é que os pais estejam sempre presentes durante esse momento. 

“É importante os pais escovarem os dentes na frente dos filhos, sempre brincando e cantando. Caso tenham outros filhos, também coloque-os nas brincadeiras durante a escovação, desta forma os laços de boa convivência são reforçados e ainda se promove a interação da criança com TEA”, diz Áquila. 

Crianças autistas necessitam de estímulos para apreender e melhorar a aprendizagem. Segundo a Ana Beatriz Barbosa, elas podem aprender de maneira diferente ou mais lenta, mas são capazes de aprender qualquer coisa. 

 

Fonte: Agência Beta Este conteúdo é de propriedade intelectual do Terra e fica proibido o uso sem prévia autorização. Todos os direitos reservados.

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