IBGE diz que só metade da população usa pasta, fio e escova

Índice ainda revelou que mulheres cuidam mais da saúde bucal e que menos da metade das pessoas trocam a escova antes dos três meses

22 jun 2015
08h00
atualizado às 09h22

Apenas 53% dos brasileiros escovam os dentes com os três itens fundamentais para uma boa higiene bucal: escova de dente, pasta e fio dental, informou este mês o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Apesar de não ser o ideal, Antônio Carlos Pereira, professor da área de Odontologia Preventiva e Saúde Pública da UNICAMP, não considera o resultado negativo.

“Esse percentual se refere a utilização dos 3 métodos conjuntos. Se você observar a questão da escovação com pasta de dente, esse percentual é de mais de 90%. Observe que escovar os dentes duas vezes ao dia está em torno de 90%. Esses valores são bastante expressivos e positivos e indicam uma melhora dos indicadores de saúde bucal verificados nos últimos anos”, diz o especialista.

Para ele, o ponto que ainda deve ser mais trabalhado com a população é a utilização do fio dental, item responsável pela média baixa de 53% que afirmam usar os três itens. Segundo Antônio, são três os motivos que levaram a esse percentual.

“A questão cultural em que o hábito da utilização do fio dental é negligenciado simplesmente porque parte da população acredita não ser importante; o custo do produto (acima de 10 reais) e a dificuldade motora que algumas pessoas apresentam na execução do processo”, diz Antônio Carlos.

Mulheres usam mais escova, pasta e fio dental que homens
Mulheres usam mais escova, pasta e fio dental que homens
Foto: iko / Shutterstock

Falha masculina
Ainda segundo a pesquisa, os homens usam os artigos de higiene bucal menos que as mulheres. Enquanto 57,1% delas declararam usar escova, pasta e fio de dental, apenas 48,4% dos homens afirmaram que usam os três itens.

“Isso é verificado no Brasil e em outros lugares do mundo. A explicação mais plausível é que o homem se sente invulnerável e, diante disso, busca resolver os problemas autonomamente, enquanto as mulheres buscam ajuda em situações de prevenção e tratamento”, diz Antônio.

Escolaridade
O fator escolaridade também influenciou muito no resultado. Enquanto 83,2% das pessoas com nível superior usavam os três itens, o percentual cai para 29,2% entre a população sem instrução e com ensino fundamental incompleto. “As estratégias para que isso melhore são simples, informação e diminuição do valor do produto”, diz Antônio.
Troca da escova
Trocar a escova a cada três meses também não é um costume para a maioria dos brasileiros. Segundo dados do IBGE, apenas 46,8% substituem o artigo com menos de três meses.

“O desgaste das cerdas da escova dentária diminui a capacidade mecânica de remoção do biofilme (placa dentária). A escolha por não trocar a escova quando necessário (no máximo, a cada três meses), obviamente acarretará numa remoção do biofilme não efetiva”, diz o especialista.

Fonte: Agência Beta Este conteúdo é de propriedade intelectual do Terra e fica proibido o uso sem prévia autorização. Todos os direitos reservados.

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