Por que o vinho tinto pode causar dor de cabeça? A ciência responde
Estudos recentes mostram que os sulfitos não são vilões e que a dor pode estar ligada à genética
A dor de cabeça após bebervinho é uma queixa comum.
Por muito tempo, o enxofre foi apontado como o principal culpado.
Hoje, a ciência mostra que essa associação não se sustenta.
Sulfitos causam dor de cabeça?
Os sulfitos são conservantes usados na produção de vinho. Eles ajudam a evitar oxidação e contaminação por microrganismos.
Regulamentações internacionais permitem, inclusive, níveis mais altos de sulfitos em vinhos brancos e doces. Isso enfraquece a ideia de que o vinho tinto seria o maior vilão.
Segundo pesquisas recentes, os sulfitos não provocam dor de cabeça. Em pessoas asmáticas, o dióxido de enxofre pode causar sintomas respiratórios quando inalado. Mas não está associado à cefaleia.
Um estudo publicado em 2024 na revista MDPI mostrou que vinhos sem adição de SO₂ apresentaram maior presença de microrganismos indesejáveis e níveis mais altos de aminas biogênicas, como histamina e tiramina.
Essas substâncias, sim, podem provocar rubor, palpitação e dor de cabeça em pessoas sensíveis.
Ou seja, retirar sulfitos pode aumentar o desconforto.
A explicação mais recente da ciência
Em 2023, pesquisadores da Universidade da Califórnia identificaram um possível mecanismo para a dor de cabeça relacionada ao vinho tinto.
O foco está na quercetina-3-glucuronídeo, um composto natural presente na casca da uva.
Essa substância pode bloquear a enzima ALDH2.
Essa enzima é responsável por metabolizar o acetaldeído, uma molécula tóxica produzida quando o corpo processa o álcool.
Quando a ALDH2 é inibida, o acetaldeído se acumula no organismo.
O resultado pode incluir:
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Dor de cabeça.
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Náusea.
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Rubor facial.
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Mal-estar.
A quercetina tende a estar mais concentrada em vinhos produzidos em climas quentes, com menor acidez e longa maceração.
Isso pode explicar por que alguns rótulos provocam mais sintomas do que outros.
Outros fatores que influenciam
A dor de cabeça após o vinho não depende apenas da bebida.
Outros fatores também contribuem:
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Desidratação.
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Consumo em jejum.
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Predisposição genética.
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Histórico de enxaqueca.
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Variantes da enzima ALDH2.
Uma meta-análise publicada em 2025 concluiu que o vinho não causa enxaqueca na população geral. A reação tende a ser individual.
Vinhos "sem sulfitos" são mais seguros?
Nem sempre.
Sem sulfitos, o vinho pode se tornar biologicamente instável. Isso favorece a formação de histamina, substância associada a sintomas como dor de cabeça e rubor.
Na prática, os sulfitos ajudam a preservar a qualidade da bebida e reduzir riscos.
Como reduzir o risco de dor de cabeça
Algumas medidas simples podem ajudar:
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Beber água entre as taças.
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Consumir vinho junto com alimentos.
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Evitar exageros.
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Preferir rótulos equilibrados e bem elaborados.
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Observar quais tipos causam mais sensibilidade.
Conhecer os próprios limites é fundamental.
O que a ciência mostra hoje
As evidências atuais indicam que os sulfitos não são os principais responsáveis pela dor de cabeça.
O desconforto parece resultar da interação entre compostos naturais do vinho, metabolismo do álcool e características individuais.
Genética e bioquímica têm papel central nesse processo.