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Pílula anticoncepcional: conheça os efeitos colaterais do medicamento

Ginecologista explica que comprimido pode conter reações adversas, incluindo dores de cabeça e até mesmo aumento do risco de trombose

27 set 2021 17h02
| atualizado às 17h38
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Pílula anticoncepcional: saiba os efeitos colaterais
Pílula anticoncepcional: saiba os efeitos colaterais
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Mesmo questões ligadas a saúde íntima feminina sendo encaradas como tabu, ainda é de grande importância debatê-las para que futuramente sejam abordadas com normalidade. Um assunto "polêmico", mas que vale um papo mais aberto e aprofundado, é sobre a famosa pílula anticoncepcional, um dos métodos contraceptivos mais populares entre as mulheres.

Segundo Eloisa Pinho, ginecologista e obstetra da Clínica GRU, esse medicamento possui uma série de benefícios em relação a outros tipos de contracepção. "Com 98% de eficácia, a pílula anticoncepcional é um remédio à base de hormônios de uso diário que é capaz de inibir a ovulação e reduzir significativamente a chance de fecundação", explica.

E não para por aí! A pílula também oferece vantagens como regulação do ciclo menstrual, combate as espinhas, diminuição das cólicas e redução do risco de anemia causado pelas perdas de sangue durante o período menstrual.

Por outro lado, poucos sabem, mas o uso da pílula anticoncepcional também é acompanhado do surgimento de uma diversidade de efeitos colaterais e reações adversas.

Danos devido às grandes alterações hormonais

Nas primeiras semanas de utilização da pílula anticoncepcional é comum que a mulher sinta fortes dores de cabeça, náuseas e dores abdominais. De acordo com Pinho, outro efeito muito comum do uso do medicamento, principalmente no início, são sangramentos pela vagina fora do período menstrual, que ocorrem devido ao aumento da fragilidade do útero provocado pelo medicamento.

"O problema é especialmente comum em mulheres que ainda não se adaptaram ao uso correto da pílula e acabam esquecendo de ingeri-la diariamente", destaca a especialista.

Além disso, algumas mulheres podem apresentar ganho de peso, retenção de líquido e redução do desejo sexual. "A acne também pode ser outro efeito colateral do uso da pílula, já que, apesar de ser utilizado no tratamento da condição, o medicamento pode exacerbar a produção de oleosidade pela pele de algumas mulheres, criando um ambiente ideal para o surgimento de cravos e espinhas", clarifica.

Aumento das chances de trombose

Além dos efeitos colaterais mais comuns, a pílula também apresenta alguns riscos à saúde, aumentando como, por exemplo, as chances de trombose, condição de coágulos sanguíneos no interior das veias que causam uma inflamação na parede do vaso. "Isso ocorre porque a quantidade de hormônios presentes nas pílulas anticoncepcionais é capaz de alterar a circulação, aumentando o risco de formação de coágulos nas veias profundas", explica.

Por isso, segundo Pinho, o uso desse método não é nada recomendado por mulheres que já possuem predisposição ao problema. As pílulas com altas doses de estrogênio também possuem maiores chances de provocar hipertensão arterial, principalmente em mulheres que fumam, tem mais de 35 anos ou já sofrem de hipertensão.

Pode mascarar a presença de endometriose

Para começo de conversa, é importante saber que a endometriose, de acordo com Pinho, ocorre quando as células do endométrio, mucosa que reveste a parede do útero responsável pela implantação do embrião fecundado, não são devidamente expelidas durante a menstruação e se espalham no aparelho reprodutivo e até mesmo para regiões como intestino e bexiga.

E um dos principais componentes no tratamento da condição é justamente a pílula anticoncepcional, utilizada para o controle e alívio dos sintomas de endometriose. Dessa forma, mulheres que usam regularmente a pílula anticoncepcional podem não saber que sofrem com a doença, já que o medicamento diminuirá os sintomas da endometriose, que assim pode evoluir para um quadro grave sem que a mulher perceba, causando até mesmo infertilidade.

A boa notícia é que, na maioria das vezes, os efeitos colaterais surgem de maneira leve e suportável, ou seja, tendem a desaparecer com o tempo de uso. Porém, caso essas reações progridam de maneira severa, passando a atrapalhar sua rotina, é fundamental a consulta ao ginecologista para verificar a possibilidade de substituição do método contraceptivo.

Alternativas a pílula

Além do medicamento, o mais popular é o preservativo, tanto feminino quanto masculino, que oferecem uma proteção física contra a entrada do esperma no corpo da mulher. Ademais, é o único método contraceptivo que protege contra doenças sexualmente transmissíveis, devendo então sempre ser combinado ao uso dos outros tipos de anticoncepcionais.

Existe também o diafragma e o DIU de cobre. "O DIU de cobre é uma estrutura em formato de T que é colocada no útero da mulher pelo ginecologista e dificulta o encontro do óvulo e do espermatozoide, além de atrapalhar a implantação do embrião, o que torna as chances de gravidez extremamente pequenas", destaca a médica.

Já o diafragma é uma pequena cúpula de silicone que deve ser colocada na vagina antes da relação sexual para bloquear a entrada do colo uterino e assim impedir que o esperma fecunde o óvulo no útero. "Porém, esse método contraceptivo não é totalmente eficaz sozinho, então recomenda-se que seja combinado ao uso de um espermicida para proporcionar maior eficácia", explica.

No final das contas, o mais importante é lembrar que todos os métodos contraceptivos possuem vantagens e desvantagens. Por isso, é fundamental que, antes de optar por qualquer um deles, consultar um ginecologista. 

Fonte: Eloisa Pinho, ginecologista e obstetra, pós-graduada em ultrassonografia ginecológica e obstétrica pela CETRUS.

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