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OMS quer regras para edição genética de bebês

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que vai criar grupo de trabalho para avaliar os riscos de modificações

3 dez 2018
23h26
atualizado em 4/12/2018 às 09h01
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GENEBRA - O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta segunda-feira, 3, que a agência vai criar um grupo de trabalho para avaliar os riscos de modificações genéticas. O anúncio foi feito após o cientista chinês He Jiankui afirmar, na semana passada, que teria criado os primeiros bebês com genes modificados, resistentes ao vírus do HIV.

Em comunicado à imprensa, Ghebreyesus afirmou que as modificações "não podem simplesmente ser feitas sem regras claras". Segundo o chefe da agência de Saúde da ONU, os especialistas da OMS vão "começar como uma folha em branco e revisar tudo".

O cientista He Jiankui, responsável pelo experimento
O cientista He Jiankui, responsável pelo experimento
Foto: Colaboração / Reuters

Para ele, grande parte da população seria contrária às modificações genéticas e o assunto envolve polêmica científica. "Temos de ter muito, muito cuidado, e o grupo de trabalho fará isso."

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Segundo o jornal South China Morning Post, de Hong Kong, Jiankui recebeu cerca de U$ 6 milhões (R$ 23 milhões) de subsídios do governo entre 2015 e 2016. Cerca de 96% do valor teria sido pago em 2016, quando autoridades de Shenzhen, onde o pesquisador trabalha, selecionaram sua equipe para um programa de inovação.

De acordo com o jornal, um projeto de Jiankui para sequenciamento de genoma, tecnologia necessária para fazer modificação genéticas, teria chamado a atenção das autoridades. O método desenvolvido pelo chinês seria mais rápido e 90% mais barato do que os procedimentos comuns.

Jiankui seria um dos fundadores da empresa Direct Genomics, destino de U$ 31,6 milhões (R$ 120 milhões) em financiamentos neste ano. Após divulgar as modificações genéticas, no entanto, o pesquisador passou a receber críticas de instituições que antes o apoiavam.

A Universidade de Shenzhen, onde ele trabalhou, anunciou que vai investigar o cientista, disse se sentir "profundamente chocada com o caso" e o classificou como "uma grave violação da ética e dos pilares acadêmicos". Mais de 120 cientista da comunidade chinesa também assinaram documento se opondo a Jiankui. /COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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Estadão

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