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O segredo da Ivete: Cortar glúten e lactose realmente ajuda a emagrecer?

Entenda se cortar glúten e lactose, como fez Ivete Sangalo, realmente emagrece ou se é apenas modismo.

25 fev 2026 - 12h48
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A discussão sobre glúten e lactose ganhou força nas últimas semanas. O motivo foi a revelação de Ivete Sangalo sobre mudanças na alimentação e perda de peso. A cantora contou que retirou esses componentes da dieta, percebeu melhora digestiva e, como consequência, emagreceu.

Foto: Reprodução/Shutterstock
Foto: Reprodução/Shutterstock
Foto: Sport Life

Este texto é voltado para quem treina, cuida da alimentação e gosta de entender o "por trás" das dietas da moda. A ideia é separar o que é experiência individual do que tem respaldo científico.

A seguir, explicamos o que é glúten, quando faz sentido cortar esse nutriente, como isso impacta a digestão e o peso e quais são os riscos do radicalismo alimentar. 

O que a dieta da Ivete diz sobre glúten e lactose

Em entrevistas recentes, Ivete Sangalo afirmou que sempre teve alimentação equilibrada. Proteínas, verduras, grãos e pouca "junk food" já faziam parte da rotina. Mesmo assim, ela relatava desconfortos gastrointestinais e refluxo.

Segundo a artista, a chave da mudança foi tirar glúten e lactose. Ela disse que percebeu melhora da digestão, redução do refluxo, mais energia no dia a dia e, depois disso, perda de peso. Na visão dela, o glúten seria um "inflamador" intestinal importante.

É um relato coerente com o que muitos pacientes descrevem em consultório. Porém, trata-se de uma experiência pessoal, não de prova científica universal. Por isso, é importante entender o contexto antes de copiar a estratégia.

Afinal, o que é glúten e onde ele aparece?

O glúten é um conjunto de proteínas presente em alguns cereais. Os principais são trigo, centeio e cevada. Na prática, aparece em pães, massas, bolos, biscoitos, cerveja e em muitos ultraprocessados.

Essas proteínas dão elasticidade às massas. Por isso, o glúten é tão valorizado na panificação. Ao mesmo tempo, é o vilão em doenças como a doença celíaca, nas quais o sistema imunológico reage contra o próprio intestino.

Em pessoas saudáveis, o glúten não é automaticamente "tóxico". O problema está na quantidade de produtos farináceos, na qualidade da dieta e na presença de condições específicas.

Cortar glúten emagrece mesmo ou é efeito colateral?

Quando uma celebridade emagrece após mudar a dieta, surge a pergunta óbvia. Foi o corte do glúten que emagreceu ou foi o pacote completo de escolhas? Em geral, a segunda opção é mais verdadeira.

Ao tirar glúten e lactose, muitas pessoas automaticamente reduzem pães, bolos, massas, pizza, biscoitos, sobremesas lácteas e fast food. Ou seja, cortam uma boa parte dos ultraprocessados, cheios de açúcar e gordura. Isso costuma diminuir o total de calorias.

Com menos caloria e mais comida "de verdade", o peso cai. Não é um "poder mágico" do glúten. É o conjunto da obra: menos refinados, mais fibras, mais proteína, mais saciedade e, muitas vezes, mais organização alimentar.

Quando faz sentido restringir o glúten de forma mais rigorosa

Existem situações em que cortar o glúten não é modismo, e sim tratamento. Os principais casos são:

  • Doença celíaca.

  • Alergia ao trigo.

  • Sensibilidade ao glúten não celíaca, em avaliação médica.

Na doença celíaca, qualquer traço de glúten desencadeia inflamação intestinal crônica. A consequência pode ser anemia, diarreia, perda de peso involuntária, osteoporose e até risco aumentado de alguns tumores ao longo da vida.

Já a sensibilidade não celíaca envolve sintomas gastrointestinais e extraintestinais, mesmo com exames negativos para doença celíaca. O diagnóstico é mais complexo e passa por exclusão de outras causas.

Para quem não se enquadra nesses grupos, a retirada radical do glúten não é obrigatória. Pode até ser testada por tempo limitado, com supervisão, mas não deve virar regra cega.

Lactose, digestão e performance: o outro lado da história

Além do glúten, Ivete relatou que retirou a lactose. Ela disse que essa mudança teria melhorado sua performance e o conforto digestivo ao longo do dia.

A lactose é o açúcar do leite. Para digeri-la, o organismo precisa de uma enzima chamada lactase, produzida no intestino delgado. Em adultos, é comum a redução da lactase, o que provoca intolerância.

Nesses casos, leite e derivados podem causar gases, estufamento, cólicas e diarreia. Quando a pessoa ajusta o consumo, substitui alimentos, escolhe versões sem lactose e reorganiza a rotina, o conforto intestinal melhora. A sensação de bem-estar aumenta, o que facilita treinar e manter a dieta.

Tirar lactose emagrece ou só melhora sintomas?

Retirar a lactose, por si só, não tem efeito direto no peso. O que pode acontecer é uma melhora tão grande do bem-estar que a pessoa passa a treinar mais, dormir melhor e manter uma alimentação mais estruturada.

Além disso, muitos produtos lácteos que saem do cardápio trazem açúcar e ultraprocessados junto. Sorvetes, milk-shakes e sobremesas cremosas são exemplos típicos. Quando eles saem da rotina, o balanço calórico fica mais favorável.

De novo, o emagrecimento vem muito mais da organização geral da dieta do que da lactose em si.

Glúten, dieta da moda e "terrorismo nutricional"

O debate em torno da alimentação de Ivete acabou resgatando uma discussão antiga. O ex-marido da cantora, o nutricionista Daniel Cady, já havia criticado posturas muito radicais nas redes. Na época, ele chamou de "terrorismo nutricional" o discurso que demoniza alimentos como pão e bolo em qualquer contexto.

Esse tipo de abordagem pode até gerar resultados rápidos em alguns casos. Porém, também aumenta o risco de culpa exagerada, compulsão alimentar e relação doentia com a comida. Para quem treina e busca alta performance, saúde mental também é variável de desempenho.

Dietas com listas enormes de proibições podem ser interessantes como estratégia pontual, sob supervisão. Mas, no longo prazo, costumam falhar na adesão e na qualidade de vida.

Checklist: antes de tirar glúten e lactose, pense nisso!

Antes de adotar a dieta da moda "sem glúten e sem lactose", vale fazer um checklist rápido:

  1. Você tem diagnóstico médico de doença celíaca ou alergia ao trigo?

  2. Exames recentes sugerem algum problema intestinal relevante?

  3. Sintomas como diarreia, estufamento ou refluxo foram avaliados por especialista?

  4. Sua alimentação atual já é rica em ultraprocessados, farinhas e açúcar?

  5. Existe acompanhamento com nutricionista ou médico do esporte?

  6. A restrição será planejada ou baseada em listas da internet?

Responder com honestidade ajuda a entender se a mudança é necessidade real ou apenas empolgação.

Sport Life
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