O segredo da Ivete: Cortar glúten e lactose realmente ajuda a emagrecer?
Entenda se cortar glúten e lactose, como fez Ivete Sangalo, realmente emagrece ou se é apenas modismo.
A discussão sobre glúten e lactose ganhou força nas últimas semanas. O motivo foi a revelação de Ivete Sangalo sobre mudanças na alimentação e perda de peso. A cantora contou que retirou esses componentes da dieta, percebeu melhora digestiva e, como consequência, emagreceu.
Este texto é voltado para quem treina, cuida da alimentação e gosta de entender o "por trás" das dietas da moda. A ideia é separar o que é experiência individual do que tem respaldo científico.
A seguir, explicamos o que é glúten, quando faz sentido cortar esse nutriente, como isso impacta a digestão e o peso e quais são os riscos do radicalismo alimentar.
O que a dieta da Ivete diz sobre glúten e lactose
Em entrevistas recentes, Ivete Sangalo afirmou que sempre teve alimentação equilibrada. Proteínas, verduras, grãos e pouca "junk food" já faziam parte da rotina. Mesmo assim, ela relatava desconfortos gastrointestinais e refluxo.
Segundo a artista, a chave da mudança foi tirar glúten e lactose. Ela disse que percebeu melhora da digestão, redução do refluxo, mais energia no dia a dia e, depois disso, perda de peso. Na visão dela, o glúten seria um "inflamador" intestinal importante.
É um relato coerente com o que muitos pacientes descrevem em consultório. Porém, trata-se de uma experiência pessoal, não de prova científica universal. Por isso, é importante entender o contexto antes de copiar a estratégia.
Afinal, o que é glúten e onde ele aparece?
O glúten é um conjunto de proteínas presente em alguns cereais. Os principais são trigo, centeio e cevada. Na prática, aparece em pães, massas, bolos, biscoitos, cerveja e em muitos ultraprocessados.
Essas proteínas dão elasticidade às massas. Por isso, o glúten é tão valorizado na panificação. Ao mesmo tempo, é o vilão em doenças como a doença celíaca, nas quais o sistema imunológico reage contra o próprio intestino.
Em pessoas saudáveis, o glúten não é automaticamente "tóxico". O problema está na quantidade de produtos farináceos, na qualidade da dieta e na presença de condições específicas.
Cortar glúten emagrece mesmo ou é efeito colateral?
Quando uma celebridade emagrece após mudar a dieta, surge a pergunta óbvia. Foi o corte do glúten que emagreceu ou foi o pacote completo de escolhas? Em geral, a segunda opção é mais verdadeira.
Ao tirar glúten e lactose, muitas pessoas automaticamente reduzem pães, bolos, massas, pizza, biscoitos, sobremesas lácteas e fast food. Ou seja, cortam uma boa parte dos ultraprocessados, cheios de açúcar e gordura. Isso costuma diminuir o total de calorias.
Com menos caloria e mais comida "de verdade", o peso cai. Não é um "poder mágico" do glúten. É o conjunto da obra: menos refinados, mais fibras, mais proteína, mais saciedade e, muitas vezes, mais organização alimentar.
Quando faz sentido restringir o glúten de forma mais rigorosa
Existem situações em que cortar o glúten não é modismo, e sim tratamento. Os principais casos são:
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Doença celíaca.
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Alergia ao trigo.
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Sensibilidade ao glúten não celíaca, em avaliação médica.
Na doença celíaca, qualquer traço de glúten desencadeia inflamação intestinal crônica. A consequência pode ser anemia, diarreia, perda de peso involuntária, osteoporose e até risco aumentado de alguns tumores ao longo da vida.
Já a sensibilidade não celíaca envolve sintomas gastrointestinais e extraintestinais, mesmo com exames negativos para doença celíaca. O diagnóstico é mais complexo e passa por exclusão de outras causas.
Para quem não se enquadra nesses grupos, a retirada radical do glúten não é obrigatória. Pode até ser testada por tempo limitado, com supervisão, mas não deve virar regra cega.
Lactose, digestão e performance: o outro lado da história
Além do glúten, Ivete relatou que retirou a lactose. Ela disse que essa mudança teria melhorado sua performance e o conforto digestivo ao longo do dia.
A lactose é o açúcar do leite. Para digeri-la, o organismo precisa de uma enzima chamada lactase, produzida no intestino delgado. Em adultos, é comum a redução da lactase, o que provoca intolerância.
Nesses casos, leite e derivados podem causar gases, estufamento, cólicas e diarreia. Quando a pessoa ajusta o consumo, substitui alimentos, escolhe versões sem lactose e reorganiza a rotina, o conforto intestinal melhora. A sensação de bem-estar aumenta, o que facilita treinar e manter a dieta.
Tirar lactose emagrece ou só melhora sintomas?
Retirar a lactose, por si só, não tem efeito direto no peso. O que pode acontecer é uma melhora tão grande do bem-estar que a pessoa passa a treinar mais, dormir melhor e manter uma alimentação mais estruturada.
Além disso, muitos produtos lácteos que saem do cardápio trazem açúcar e ultraprocessados junto. Sorvetes, milk-shakes e sobremesas cremosas são exemplos típicos. Quando eles saem da rotina, o balanço calórico fica mais favorável.
De novo, o emagrecimento vem muito mais da organização geral da dieta do que da lactose em si.
Glúten, dieta da moda e "terrorismo nutricional"
O debate em torno da alimentação de Ivete acabou resgatando uma discussão antiga. O ex-marido da cantora, o nutricionista Daniel Cady, já havia criticado posturas muito radicais nas redes. Na época, ele chamou de "terrorismo nutricional" o discurso que demoniza alimentos como pão e bolo em qualquer contexto.
Esse tipo de abordagem pode até gerar resultados rápidos em alguns casos. Porém, também aumenta o risco de culpa exagerada, compulsão alimentar e relação doentia com a comida. Para quem treina e busca alta performance, saúde mental também é variável de desempenho.
Dietas com listas enormes de proibições podem ser interessantes como estratégia pontual, sob supervisão. Mas, no longo prazo, costumam falhar na adesão e na qualidade de vida.
Checklist: antes de tirar glúten e lactose, pense nisso!
Antes de adotar a dieta da moda "sem glúten e sem lactose", vale fazer um checklist rápido:
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Você tem diagnóstico médico de doença celíaca ou alergia ao trigo?
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Exames recentes sugerem algum problema intestinal relevante?
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Sintomas como diarreia, estufamento ou refluxo foram avaliados por especialista?
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Sua alimentação atual já é rica em ultraprocessados, farinhas e açúcar?
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Existe acompanhamento com nutricionista ou médico do esporte?
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A restrição será planejada ou baseada em listas da internet?
Responder com honestidade ajuda a entender se a mudança é necessidade real ou apenas empolgação.