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O Prêmio Nobel de 2016 revela o poder da autofagia: ficar sem comer (um tempo) beneficia seu corpo

Descubra como Yoshinori Ohsumi revelou a autofagia, processo celular chave para saúde, longevidade e jejum seguro na prática

1 jan 2026 - 11h00
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O prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2016 foi concedido ao cientista japonês Yoshinori Ohsumi por descobrir, em detalhes, como funciona a autofagia, um processo natural pelo qual as células "reciclam" seus próprios componentes. Essa descoberta ajudou a entender melhor como o organismo elimina partes danificadas, aproveita nutrientes em momentos de falta de alimento e mantém o equilíbrio interno. A pesquisa abriu caminho para novas abordagens no estudo de doenças como câncer, diabetes, obesidade e problemas neurodegenerativos.

Antes dos trabalhos de Ohsumi, já se sabia que a célula tinha a capacidade de degradar estruturas internas, mas o mecanismo era pouco compreendido. Em experimentos com leveduras, o pesquisador identificou genes fundamentais da autofagia e mapeou as etapas desse processo. A partir daí, outros cientistas confirmaram que mecanismos semelhantes funcionam em células humanas, o que deu grande relevância clínica e biológica ao tema.

O que é a autofagia e por que ela é tão importante?

A palavra autofagia significa, literalmente, "comer a si mesmo". Na prática, trata-se de um sistema organizado de limpeza celular. Quando uma parte da célula está velha, defeituosa ou em excesso, ela é envolvida por uma membrana, formando uma estrutura chamada autofagossomo. Em seguida, esse "pacote" se funde com lisossomos, compartimentos cheios de enzimas que quebram o material em pedaços menores, reaproveitáveis como fonte de energia ou matéria-prima.

Esse processo de autodegradação controlada tem vários efeitos práticos no organismo. Entre eles, destacam-se:

  • Remoção de proteínas e organelas danificadas, ajudando na manutenção da saúde celular;
  • Apoio ao sistema imunológico, ao degradar vírus e bactérias que entram nas células;
  • Participação no controle de peso e do metabolismo energético, especialmente em períodos de jejum;
  • Influência no envelhecimento celular, pois interfere no acúmulo de resíduos internos.

Com base no que foi descrito por Yoshinori Ohsumi, ficou mais claro como a baixa ou a desregulação da autofagia pode estar ligada ao aparecimento de doenças. Assim, a modulação da autofagia passou a ser estudada como possível alvo de medicamentos e estratégias de estilo de vida.

A autofagia funciona como um sistema de reciclagem das células, essencial para equilíbrio e saúde do organismo – depositphotos.com / albund
A autofagia funciona como um sistema de reciclagem das células, essencial para equilíbrio e saúde do organismo – depositphotos.com / albund
Foto: Giro 10

Autofagia e jejum: qual é a relação prática no dia a dia?

Uma das perguntas mais comuns ligadas à autofagia é quanto tempo uma pessoa "precisa ficar sem comer" para que esse mecanismo seja ativado. O ponto central é que a autofagia não depende apenas de ficar em jejum. Ela acontece o tempo todo em algum grau, pois a célula está constantemente renovando estruturas internas. O que o jejum faz é estimular esse mecanismo, já que a falta de nutrientes leva o organismo a aproveitar melhor o que já está dentro das células.

Estudos em animais e observações em humanos sugerem que protocolos de jejum intermitente, como períodos de 12 a 24 horas sem ingestão calórica significativa, podem aumentar a atividade autofágica em alguns tecidos. No entanto, o tempo exato varia conforme fatores como idade, estado de saúde, composição corporal, uso de medicamentos e nível de atividade física. Por isso, não existe um número único de horas que sirva como regra geral para todas as pessoas.

  • Autofagia ocorre em nível basal mesmo quando há alimentação regular;
  • Redução de calorias e jejum tendem a intensificar o processo;
  • Excesso de comida, principalmente ultraprocessados, pode reduzir a eficiência dessa reciclagem celular;
  • Estresse crônico, sono inadequado e sedentarismo também podem interferir negativamente na regulação da autofagia.

Ficar sem comer por quantos dias é necessário para ativar a autofagia?

A dúvida sobre "quantos dias sem comer" está diretamente ligada à curiosidade sobre a ativação da autofagia, mas a ciência não estabelece um prazo fixo em dias. A maior parte dos dados disponíveis fala em horas de jejum, não em longos períodos sem alimento. Pesquisas indicam que, entre cerca de 12 e 24 horas de jejum em indivíduos saudáveis, já há alterações metabólicas que podem favorecer a intensificação desse mecanismo em alguns órgãos.

Jejuns prolongados por vários dias, além de não serem necessários para que a autofagia exista, podem trazer riscos importantes, como desidratação, perda de massa muscular, queda excessiva de pressão e descompensação de doenças pré-existentes. Por esse motivo, períodos muito longos sem comer são estudados em condições controladas, com acompanhamento profissional. A aplicação desse tipo de prática de forma isolada, sem avaliação médica, pode ser perigosa, especialmente para pessoas com diabetes, problemas cardíacos, histórico de transtornos alimentares, idosos, gestantes ou adolescentes em fase de crescimento.

  1. A autofagia é um processo natural e contínuo de reciclagem celular;
  2. O jejum pode aumentar essa reciclagem, mas não é o único fator envolvido;
  3. Não existe um número universal de dias sem comer para "ligar" o processo;
  4. Protocolos de jejum precisam ser individualizados e avaliados por profissionais de saúde.

As descobertas de Yoshinori Ohsumi ajudaram a explicar como a autofagia funciona por dentro da célula e por que esse mecanismo é tão central para a saúde ao longo da vida. Na prática, o conhecimento acumulado até 2025 indica que o equilíbrio entre alimentação adequada, intervalos regulares entre as refeições, sono de qualidade e atividade física moderada tende a favorecer uma regulação mais eficiente dessa "faxina interna", sem depender de jejuns extremos ou de contagens rígidas de dias sem comer.

Jejum pode estimular a autofagia, mas o processo ocorre continuamente e não depende de ficar dias sem comer – depositphotos.com / tigatelu
Jejum pode estimular a autofagia, mas o processo ocorre continuamente e não depende de ficar dias sem comer – depositphotos.com / tigatelu
Foto: Giro 10
Giro 10
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