Novo comercial de pílula da Bayer corrige propaganda anterior
A Bayer HealthCare Pharmaceuticals iniciou uma nova campanha publicitária de US$ 20 milhões para o Yaz, o mais popular contraceptivo dos Estados Unidos.
Mas os comerciais de televisão, passando no intervalo de programas de horário nobre, como
Grey's Anatomy, e nos canais a cabo, não são simples vídeos promocionais dos benefícios da droga prescrita. Em vez disso, eles alertam que ninguém deve tomar o Yaz esperando que ele também cure espinhas ou síndrome pré-menstrual.
Como parte de uma tomada de posição pouco comum a respeito de comerciais enganosos de medicamentos, a Administração Federal de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) e os procuradores-gerais de 27 Estados americanos determinaram que a Bayer deveria transmitir esses novos anúncios como uma retratação à campanha anterior do Yaz.
Os reguladores da FDA afirmam que os anúncios exageravam a habilidade da droga de melhorar o humor feminino e eliminar a acne, enquanto diminuíam seus potenciais riscos à saúde. Em um acordo com os Estados, a Bayer concordou, na sexta-feira, em gastar pelo menos US$ 20 milhões na campanha e em submeter todos os anúncios do Yaz nos próximos seis anos a uma análise federal antes de serem lançados.
"Você pode ter visto alguns comerciais recentes do Yaz que não eram claros," diz uma atriz no novo anúncio, enquanto ela olha para a câmera. "A FDA quer que alguns aspectos desses anúncios sejam corrigidos."
O Yaz é o contraceptivo oral mais vendido dos Estados Unidos, com vendas no ano passado de cerca de US$ 616 milhões ou 18% do mercado, segundo a IMS Health, companhia de informações sobre saúde.
Críticos de comerciais sobre medicamentos dizem que, embora a FDA envie algumas dezenas de cartas todos os anos pedindo às farmacêuticas que suspendam, emendem ou corrijam panfletos informativos e vídeos, não é comum o governo exigir que esses comerciais acabem com os mal-entendidos.
"Eles raramente exigem essas campanhas corretivas", disse Judy Norsigian, diretora-executiva do Our Bodies Ourselves, um grupo de defesa feminina e educação sobre saúde de Boston. Mas ela disse que a popularidade do Yaz e os anúncios enganosos exigiram uma punição excepcional. "Esses anúncios nunca deveriam ter sido transmitidos", disse Norsigian.
Representantes da FDA e o procurador-geral da Flórida, que liderou o esforço dos Estados, recusaram pedidos de entrevista por telefone. Eles lançaram nota conjunta na segunda-feira dizendo, em parte, que procuravam "remover a propaganda enganosa do mercado."
Califórnia, Massachusetts, Michigan e Texas estavam entre os Estados que participaram do acordo, no qual a Bayer não admite que promoveu propaganda enganosa ou cometeu qualquer erro.
Uma porta-voz da Bayer respondeu a perguntas por e-mail. "O anúncio do Yaz foi revisado para esclarecer suas indicações de consumo," escreveu, acrescentando que ninguém da Bayer estava disponível para entrevista por telefone na terça-feira.
Os comerciais televisivos corrigidos, que estão no ar há duas semanas, continuarão até 26 de julho. Novos anúncios impressos, em revistas nacionais como
Luckye
Elle, dão informações detalhadas sobre o Yaz, mas não indicam que estão corrigindo anúncios de TV anteriores.
Os primeiros passos da FDA contra a campanha do Yaz aconteceram em outubro, quando uma carta de aviso foi enviada à farmacêutica dizendo que dois anúncios diferentes exageravam os benefícios da droga enquanto diminuíam seus riscos. Ao dar ao consumidor a impressão de que o Yaz seria uma droga geral para acne e problemas de humor, os comerciais entraram em conflito com leis federais que proíbem a promoção de usos não-aprovados de uma droga, segundo a FDA. A agência aprovou o Yaz em 2006 como uma pílula de controle de natalidade com o benefício colateral de tratar problemas psicológicos relacionados ao humor, chamados de transtorno disfórico pré-menstrual.
Em 2007, a agência aprovou outro benefício colateral do Yaz relacionado à melhoria da acne moderada. Mas o Yaz contém drospirenona, uma progestina que pode causar excesso de produção de potássio em algumas pacientes; seus efeitos colaterais incluem um aumento do risco de problemas sérios do coração, entre outros problemas de saúde.
Depois do aviso da FDA, a Bayer interrompeu os anúncios do Yaz. A agência pediu à Bayer que criasse um plano de mídia para uma mensagem corretiva que alcançasse o mesmo tamanho e público dos anúncios equivocados.
Tradução: Amy Traduções