Lipedema: como a alimentação reduz inchaço e inflamação
Após revelar o diagnóstico, Rafa Brites reacende debate sobre lipedema e reforça a importância do olhar metabólico e nutricional no controle da inflamação
O diagnóstico de lipedema compartilhado por Rafa Brites trouxe visibilidade a uma condição ainda pouco compreendida.
Muitas mulheres passam anos fazendo dietas restritivas, tentando reduzir medidas nas pernas, sem imaginar que podem estar lidando com uma doença inflamatória crônica.
Diferente da obesidade, o lipedema envolve alteração do tecido adiposo. É uma gordura inflamada, dolorosa e associada a retenção de líquido, hematomas frequentes e comprometimento da microcirculação.
Não se trata apenas de estética. Trata-se de fisiologia.
O que é lipedema e por que ele causa inchaço
O lipedema é uma condição inflamatória crônica que afeta principalmente mulheres. Segundo a nutricionista e terapeuta ayurveda Carol Magno, trata-se de uma alteração do tecido adiposo com influência hormonal, vascular e metabólica.
A especialista explica que há dor, retenção de líquidos e piora da circulação local. Por isso, o inchaço não melhora apenas com repouso ou restrição calórica.
Entender o mecanismo da doença é o primeiro passo para um tratamento eficaz.
Por que a nutrição é a base do tratamento do lipedema
Como o lipedema envolve inflamação sistêmica, a alimentação exerce papel central. Carol Magno afirma que o tratamento precisa considerar o que ela chama de "ambiente metabólico".
Segundo a nutricionista, a nutrição influencia diretamente a inflamação sistêmica, a resposta glicêmica, a saúde intestinal, o equilíbrio hormonal e a retenção de líquidos. Quando o ambiente inflamatório está exacerbado, há maior tendência a dor, edema e progressão do quadro. Quando é regulado, muitos sintomas podem melhorar.
Não é apenas uma questão de calorias. É sobre qualidade dos nutrientes, controle da resposta glicêmica e organização do ritmo alimentar.
O olhar metabólico: mais que dieta, regulação interna
Carol Magno destaca que o tecido adiposo responde ao contexto interno do organismo. Por isso, o foco deve ser reduzir a inflamação sistêmica.
Na prática, isso envolve:
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Ajuste adequado de carboidratos conforme o perfil metabólico.
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Ingestão proteica suficiente para preservação de massa magra.
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Inclusão de nutrientes com ação anti-inflamatória, como ômega 3, quando indicado.
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Suporte à microbiota intestinal.
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Regularidade no ritmo alimentar.
Segundo a especialista, o corpo responde ao ritmo. A regularidade influencia diretamente o metabolismo e a retenção de líquidos.
Cardápio anti-inflamatório: o que colocar no prato
Alguns grupos alimentares ajudam a modular a inflamação e podem integrar o plano alimentar, sempre com orientação profissional.
Gorduras boas
Fontes de ômega-3, como peixes, linhaça e chia, são associadas à ação anti-inflamatória. Elas auxiliam na modulação da resposta inflamatória do organismo.
Antioxidantes
Frutas vermelhas e vegetais de cores escuras fornecem antioxidantes. Esses compostos ajudam a combater o estresse oxidativo e contribuem para a proteção vascular.
Temperos com ação anti-inflamatória
Cúrcuma, gengibre e alecrim são exemplos de alimentos com compostos bioativos associados ao controle da inflamação. A cúrcuma, quando combinada com pimenta preta, tem melhor absorção.
Fibras
A saúde intestinal é peça-chave. Segundo Carol Magno, a nutrição influencia a microbiota intestinal. Um intestino desequilibrado pode contribuir para a inflamação sistêmica. Por isso, fibras são fundamentais no plano alimentar.
Os vilões do inchaço no lipedema
Alguns alimentos podem intensificar a retenção de líquidos e a inflamação.
Ultraprocessados e sal oculto
Produtos ultraprocessados costumam ter alto teor de sódio. O excesso favorece retenção de líquidos e piora o edema.
Açúcar e farinha branca
Alimentos que elevam rapidamente a glicemia aumentam a resposta insulínica. A insulina está relacionada ao armazenamento de gordura e pode contribuir para um ambiente metabólico mais inflamatório.
Laticínios e glúten
Carol Magno ressalta que cada mulher deve ser avaliada individualmente. Em alguns casos, determinados alimentos podem funcionar como gatilhos inflamatórios. A retirada, quando indicada, deve ser feita com acompanhamento profissional.
Além da alimentação: hábitos que ajudam no controle do lipedema
A abordagem do lipedema é multidisciplinar. A alimentação é base, mas não atua sozinha.
Hidratação
Beber água é essencial para o funcionamento adequado do organismo. A hidratação contribui para a regulação do metabolismo e para o equilíbrio de líquidos.
Movimento de baixo impacto
Atividades como caminhadas e natação ajudam a estimular a circulação e o sistema linfático. Isso pode auxiliar no controle do inchaço.
Sono de qualidade
É durante o sono que o corpo regula diversos processos hormonais e inflamatórios. Dormir bem faz parte da estratégia terapêutica.
Ayurveda e lipedema: uma leitura complementar
Além da nutrição funcional, Carol Magno também aborda o tema sob a perspectiva da Ayurveda. Segundo ela, o lipedema apresenta sinais de estagnação e retenção, associados ao agravamento de Kapha e ao acúmulo de Ama.
A especialista explica que o foco, nesse contexto, é fortalecer o Agni, melhorar a digestão e estimular a circulação. Quando há mais eficiência digestiva, há mais fluidez no sistema.
Qualidade de vida é o verdadeiro objetivo
O tratamento do lipedema não deve ser reduzido à estética. O objetivo é reduzir dor, controlar o inchaço e melhorar a qualidade de vida.
Segundo Carol Magno, a nutrição faz parte da base terapêutica, ajudando a modular a inflamação e a reduzir sintomas. Cada mulher precisa de avaliação individualizada e, muitas vezes, acompanhamento médico e abordagem multidisciplinar.
O mais importante é entender que lipedema é doença. E que informação, diagnóstico correto e cuidado adequado fazem toda a diferença.