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Lipedema: como a alimentação reduz inchaço e inflamação

Após revelar o diagnóstico, Rafa Brites reacende debate sobre lipedema e reforça a importância do olhar metabólico e nutricional no controle da inflamação

13 fev 2026 - 12h17
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O diagnóstico de lipedema compartilhado por Rafa Brites trouxe visibilidade a uma condição ainda pouco compreendida.

Entenda como a alimentação correta reduz inchaço do Lipedema
Entenda como a alimentação correta reduz inchaço do Lipedema
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Muitas mulheres passam anos fazendo dietas restritivas, tentando reduzir medidas nas pernas, sem imaginar que podem estar lidando com uma doença inflamatória crônica.

Diferente da obesidade, o lipedema envolve alteração do tecido adiposo. É uma gordura inflamada, dolorosa e associada a retenção de líquido, hematomas frequentes e comprometimento da microcirculação.

Não se trata apenas de estética. Trata-se de fisiologia.

O que é lipedema e por que ele causa inchaço

O lipedema é uma condição inflamatória crônica que afeta principalmente mulheres. Segundo a nutricionista e terapeuta ayurveda Carol Magno, trata-se de uma alteração do tecido adiposo com influência hormonal, vascular e metabólica.

A especialista explica que há dor, retenção de líquidos e piora da circulação local. Por isso, o inchaço não melhora apenas com repouso ou restrição calórica.

Entender o mecanismo da doença é o primeiro passo para um tratamento eficaz.

Por que a nutrição é a base do tratamento do lipedema

Como o lipedema envolve inflamação sistêmica, a alimentação exerce papel central. Carol Magno afirma que o tratamento precisa considerar o que ela chama de "ambiente metabólico".

Segundo a nutricionista, a nutrição influencia diretamente a inflamação sistêmica, a resposta glicêmica, a saúde intestinal, o equilíbrio hormonal e a retenção de líquidos. Quando o ambiente inflamatório está exacerbado, há maior tendência a dor, edema e progressão do quadro. Quando é regulado, muitos sintomas podem melhorar.

Não é apenas uma questão de calorias. É sobre qualidade dos nutrientes, controle da resposta glicêmica e organização do ritmo alimentar.

O olhar metabólico: mais que dieta, regulação interna

Carol Magno destaca que o tecido adiposo responde ao contexto interno do organismo. Por isso, o foco deve ser reduzir a inflamação sistêmica.

Na prática, isso envolve:

  • Ajuste adequado de carboidratos conforme o perfil metabólico.

  • Ingestão proteica suficiente para preservação de massa magra.

  • Inclusão de nutrientes com ação anti-inflamatória, como ômega 3, quando indicado.

  • Suporte à microbiota intestinal.

  • Regularidade no ritmo alimentar.

Segundo a especialista, o corpo responde ao ritmo. A regularidade influencia diretamente o metabolismo e a retenção de líquidos.

Cardápio anti-inflamatório: o que colocar no prato

Alguns grupos alimentares ajudam a modular a inflamação e podem integrar o plano alimentar, sempre com orientação profissional.

Gorduras boas

Fontes de ômega-3, como peixes, linhaça e chia, são associadas à ação anti-inflamatória. Elas auxiliam na modulação da resposta inflamatória do organismo.

Antioxidantes

Frutas vermelhas e vegetais de cores escuras fornecem antioxidantes. Esses compostos ajudam a combater o estresse oxidativo e contribuem para a proteção vascular.

Temperos com ação anti-inflamatória

Cúrcuma, gengibre e alecrim são exemplos de alimentos com compostos bioativos associados ao controle da inflamação. A cúrcuma, quando combinada com pimenta preta, tem melhor absorção.

Fibras

A saúde intestinal é peça-chave. Segundo Carol Magno, a nutrição influencia a microbiota intestinal. Um intestino desequilibrado pode contribuir para a inflamação sistêmica. Por isso, fibras são fundamentais no plano alimentar.

Os vilões do inchaço no lipedema

Alguns alimentos podem intensificar a retenção de líquidos e a inflamação.

Ultraprocessados e sal oculto

Produtos ultraprocessados costumam ter alto teor de sódio. O excesso favorece retenção de líquidos e piora o edema.

Açúcar e farinha branca

Alimentos que elevam rapidamente a glicemia aumentam a resposta insulínica. A insulina está relacionada ao armazenamento de gordura e pode contribuir para um ambiente metabólico mais inflamatório.

Laticínios e glúten

Carol Magno ressalta que cada mulher deve ser avaliada individualmente. Em alguns casos, determinados alimentos podem funcionar como gatilhos inflamatórios. A retirada, quando indicada, deve ser feita com acompanhamento profissional.

Além da alimentação: hábitos que ajudam no controle do lipedema

A abordagem do lipedema é multidisciplinar. A alimentação é base, mas não atua sozinha.

Hidratação

Beber água é essencial para o funcionamento adequado do organismo. A hidratação contribui para a regulação do metabolismo e para o equilíbrio de líquidos.

Movimento de baixo impacto

Atividades como caminhadas e natação ajudam a estimular a circulação e o sistema linfático. Isso pode auxiliar no controle do inchaço.

Sono de qualidade

É durante o sono que o corpo regula diversos processos hormonais e inflamatórios. Dormir bem faz parte da estratégia terapêutica.

Ayurveda e lipedema: uma leitura complementar

Além da nutrição funcional, Carol Magno também aborda o tema sob a perspectiva da Ayurveda. Segundo ela, o lipedema apresenta sinais de estagnação e retenção, associados ao agravamento de Kapha e ao acúmulo de Ama.

A especialista explica que o foco, nesse contexto, é fortalecer o Agni, melhorar a digestão e estimular a circulação. Quando há mais eficiência digestiva, há mais fluidez no sistema.

Qualidade de vida é o verdadeiro objetivo

O tratamento do lipedema não deve ser reduzido à estética. O objetivo é reduzir dor, controlar o inchaço e melhorar a qualidade de vida.

Segundo Carol Magno, a nutrição faz parte da base terapêutica, ajudando a modular a inflamação e a reduzir sintomas. Cada mulher precisa de avaliação individualizada e, muitas vezes, acompanhamento médico e abordagem multidisciplinar.

O mais importante é entender que lipedema é doença. E que informação, diagnóstico correto e cuidado adequado fazem toda a diferença.

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