Lipedema afeta 12% das mulheres e não melhora só com dieta e exercício
Especialista explica por que doença exige tratamento específico e não responde apenas a alimentação e atividade física
O lipedema é uma condição que afeta até 12% das mulheres e ainda é pouco compreendida. Muitas vezes, ele é confundido com obesidade ou até com celulite.
Por isso, muitas pacientes passam anos tentando tratar o problema apenas com dieta e exercícios. No entanto, especialistas alertam que essas estratégias, sozinhas, nem sempre são suficientes.
Isso acontece porque o lipedema possui características próprias, que exigem um cuidado mais específico.
O que é o lipedema
O lipedema é caracterizado pelo acúmulo desproporcional de gordura, principalmente nas pernas e nos quadris.
Além da alteração estética, a doença também pode causar sintomas como:
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Dor ao toque.
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Sensação de peso nas pernas.
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Inchaço frequente.
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Facilidade para formar hematomas.
Nos últimos anos, o tema ganhou mais visibilidade após relatos de figuras públicas como Yasmin Brunet, Gracyanne Barbosa e Paolla Oliveira.
Mesmo assim, o diagnóstico ainda costuma ser tardio.
Ciência confirma que a doença tem causas próprias
Uma revisão sistemática publicada em janeiro de 2026 na revista científica Archives of Gynecology and Obstetrics reforçou que o lipedema possui uma fisiopatologia própria.
De acordo com os pesquisadores, a condição pode estar ligada a fatores como:
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Desequilíbrios hormonais relacionados ao estrogênio.
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Alterações genéticas no tecido adiposo.
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Processos inflamatórios crônicos.
Essas características ajudam a explicar por que muitas mulheres não conseguem reduzir a gordura localizada apenas com métodos tradicionais de emagrecimento.
Por que dieta e exercícios nem sempre funcionam
Segundo o nutrólogo Sandro Ferraz, especialista em saúde metabólica, o tratamento do lipedema precisa ir além da perda de peso.
"O lipedema é uma doença inflamatória de baixo grau que compromete a microcirculação e o metabolismo celular. Tratar apenas o peso é ignorar a causa raiz", explica.
Por isso, o tratamento costuma envolver uma abordagem mais ampla, voltada ao funcionamento do organismo.
Abordagens modernas focam no metabolismo
Atualmente, especialistas têm discutido terapias que atuam em três pilares principais:
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Suporte energético das células.
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Melhora da microcirculação.
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Equilíbrio metabólico e hormonal.
Alguns protocolos utilizam substâncias como ácido alfa-lipoico e L-carnitina, que ajudam no funcionamento celular.
Esses compostos podem auxiliar no combate ao estresse oxidativo e no transporte de gordura para dentro das mitocôndrias, onde ela pode ser utilizada como fonte de energia.
De acordo com o especialista, o objetivo é reduzir sintomas comuns da doença, como fadiga e sensação de peso nas pernas.
Tratamento também busca melhorar a circulação
Outro ponto importante no tratamento do lipedema é a circulação sanguínea.
Substâncias como L-arginina e L-citrulina podem favorecer a produção de óxido nítrico, responsável pela vasodilatação dos vasos sanguíneos.
Esse processo ajuda a melhorar o fluxo sanguíneo nas regiões afetadas e pode contribuir para diminuir o inchaço e o acúmulo de líquidos.
Abordagem completa é essencial
Apesar dos avanços nas estratégias terapêuticas, especialistas reforçam que o tratamento do lipedema precisa ser individualizado.
Segundo o nutrólogo, a combinação entre nutrição adequada, suporte metabólico e acompanhamento profissional é fundamental para melhores resultados.
Por isso, ao perceber sintomas persistentes, o ideal é procurar avaliação médica. O diagnóstico correto é o primeiro passo para lidar com o lipedema de forma mais eficaz.