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Homens idosos com problemas de saúde são as principais vítimas do coronavírus

Das 17 primeiras pessoas que morreram em consequência do vírus, 14 eram do sexo masculino; paciente mais jovem era uma mulher de 48 anos

23 jan 2020
13h40
atualizado às 15h19
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NOVA YORK - O atual surto do coronavírus já deixou 18 mortos na China. Uma análise das informações fornecidas pelas autoridades de saúde do país asiático sobre os 17 primeiros óbitos mostra que idosos do sexo masculino, com problemas de saúde anteriores à infecção pelo vírus, são a maior parte das vítimas.

Segundo o jornal americano The New York Times, o vírus matou 13 homens e quatro mulheres. Entre os homens, a maioria dos pacientes procurou o hospital com febre e tosse - somente três deles não apresentavam sinais de febre.

Das 17 primeiras vítimas, a mais nova era um mulher de 48 anos, que morreu na segunda-feira, 20, mais de um mês depois que seus sintomas foram registrados. Já os mais velhos eram dois homens de 89, mortos no sábado, 18, e no domingo, 19.

Ainda segundo o jornal, a análise mostra que, antes de contrair o coronavírus, a maioria das vítimas tinha doenças como cirrose, hipertensão, diabete e Mal de Parkinson. Assim, ainda que a origem do vírus continue desconhecida, pesquisadores encontram evidências de que a doença não tem alta letalidade entre jovens ou pessoas saudáveis.

Coronavírus

O coronavírus é uma família viral que causa desde infecções leves, como um resfriado, até problemas mais graves que podem provocar a morte do paciente.

O 2019-nCoV é similar ao vírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, na sigla em inglês), que matou quase 800 pessoas no início do milênio, e causa febre, tosse e dificuldade respiratória.

Há registros de casos suspeitos em países como Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul - todos os pacientes estiveram em Wuhan recentemente. A suspeita é de que o coronavírus tenha sido transmitido a seres humanos em um mercado de frutos do mar na cidade, que tem 11 milhões de habitantes e é um importante polo industrial da China.

Suspeita de infecção em cobras

Segundo uma análise genética publicada por pesquisadores das Universidades de Pequim e Guangxi no Journal of Medical Virology, o 2019-nCoV é uma mistura de coronavírus provenientes de morcegos e serpentes.

Em mercados de frutos do mar na China, é comum que peixes e outros produtos sejam vendidos ao lado de animais selvagens vivos e mortos. O 2019-nCoV teria sido transmitido ao ser humano por serpentes selvagens contaminadas por morcegos.

"Os resultados de nossa análise sugerem pela primeira vez que a serpente é o mais provável animal selvagem reservatório do vírus 2019-nCoV", diz o estudo, que é assinado pelos pesquisadores Wei Ji, Wei Wang, Xiaofang Zhao, Junjie Zai e Xingguang Li.

As autoridades chinesas proibiram a venda de animais vivos nos mercados de Wuhan, cidade que foi colocada em uma espécie de "quarentena" para evitar a disseminação do vírus. Além do bloqueio de voos e trens com destino à metrópole, serviços de transporte público foram limitados.

Medidas semelhantes também foram tomadas em Huanggang, que tem 7 milhões de habitantes, e fica 75 quilômetros a leste de Wuhan.

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Estadão
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