Hálito carrega pistas sobre a saúde do intestino, diz estudo
Segundo pesquisa, as substâncias químicas encontradas na respiração de uma pessoa podem revelar os microrganismo presentes no intestino
Pesquisa revela que substâncias químicas no hálito podem identificar microrganismos intestinais, podendo avançar diagnósticos não invasivos e melhorar o tratamento de doenças como asma e infecções.
As substâncias químicas presentes no hálito podem revelar a identidade dos microrganismos que habitam o intestino. É o que aponta um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Washington e do Hospital Infantil da Filadélfia, publicado na última quinta-feira, 22, na revista científica Cell Metabolism.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Segundo os pesquisadores, os resultados mostram que bactérias associadas a doenças intestinais podem ser detectadas por meio do ar expirado, o que pode representar um novo avanço no diagnóstico desse tipo de problema de saúde.
À revista científica Nature, um dos imunologistas responsáveis pelo estudo afirmou que essa hipótese já era considerada, mas “nunca havia sido confirmada”. “A composição da microbiota intestinal pode influenciar o tipo de composto presente na respiração”, explicou o médico e professor do Departamento de Medicina da WashU Medicine e autor sênior da pesquisa, Andrew L. Kau.
“A avaliação rápida da saúde do microbioma intestinal pode melhorar significativamente o atendimento clínico, especialmente em crianças pequenas. A detecção precoce pode levar a intervenções imediatas para condições como alergias e infecções bacterianas graves em bebês prematuros. Este estudo estabelece as bases para o desenvolvimento de ferramentas de diagnóstico cruciais”, ressaltou Kau.
Para chegar a essa conclusão, os imunologistas realizaram testes em ratos e analisaram um grupo de 41 crianças, com idades entre seis e 12 anos. Foram medidos os níveis de moléculas presentes no ar expirado, demonstrando como esses compostos podem ser usados para prever, parcialmente, a identidade e a abundância de determinadas bactérias intestinais, incluindo uma espécie associada à asma.
O estudo analisou amostras de hálito e de fezes de crianças saudáveis, em busca de compostos derivados de microrganismos, para identificar quais estavam relacionados aos presentes na respiração.
A equipe constatou que os compostos detectados no hálito das crianças correspondiam àqueles conhecidos por serem produzidos pelos mesmos microrganismos encontrados nas fezes, confirmando que o hálito pode ser um bom indicador da comunidade microbiana intestinal.
Resultados semelhantes também foram obtidos em camundongos. Ao transplantar bactérias para animais sem microbiota intestinal própria, os pesquisadores observaram novamente que os microrganismos intestinais podem ser identificados a partir dos compostos presentes no hálito.
Os cientistas ainda compararam amostras de ar expirado e de fezes de crianças saudáveis com as de crianças com asma.
Segundo os pesquisadores, o objetivo é que os resultados ajudem a orientar o desenvolvimento de um teste respiratório não invasivo para avaliação do microbioma intestinal.