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Antes da queda, vem o aviso: os sinais de pré-fragilidade que quase ninguém percebe

Geriatra explica por que pequenas perdas funcionais entre idosos não devem ser ignoradas

27 jan 2026 - 16h22
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Envelhecer não acontece de repente. Esse processo começa desde o momento de nossa gestação e se anuncia em pequenos detalhes do dia a dia - os cabelos se transformam, há alterações na pele e ocorrem modificações nos músculos, ossos e demais órgãos.

No caso do sistema osteomuscular, existe um pico de densidade e força por volta da terceira e quarta décadas de vida. A partir daí, dois tipos de curvas descendentes são possíveis: uma mais controlada, com manutenção da independência para as atividades de vida diária, e outra mais acentuada, normalmente relacionada a prejuízos no dia a dia.

Esta última geralmente recebe o nome geriátrico de síndrome de fragilidade, e começa com pequenas constatações: levantar da cadeira exige um pouco mais de esforço, o cansaço aparece antes do fim do dia, o passo fica mais curto e surgem medos que não existiam, como o de tropeçar. Esses sinais costumam ser naturalizados, tratados como "coisa da idade". Mas, para a geriatria, eles podem ser avisos claros de um estado chamado de pré-fragilidade — uma fase silenciosa em que o corpo começa a perder reservas e capacidade de adaptação, o que aumenta o risco de quedas e de prejuízos mais importantes.

A queda, por si só, é um evento marcante na vida de uma pessoa idosa. Ela pode representar dor, fraturas, hospitalizações e, muitas vezes, a perda da autonomia e independência. Mas seus impactos vão muito além do físico. Após uma queda, é comum surgir o receio de cair novamente. Isso faz a pessoa evitar sair de casa, caminhar ou se movimentar, resultando em uma redução das atividades rotineiras.

Com menos movimento, ocorre perda de massa muscular e de equilíbrio, o que, paradoxalmente, aumenta ainda mais o risco de novas quedas. Forma-se, assim, um círculo vicioso: medo, imobilidade, enfraquecimento e mais acidentes.

Esse ciclo impacta profundamente a vida emocional e social. O isolamento cresce, a solidão se intensifica e sintomas depressivos podem surgir - ou piorar. Aos poucos, a pessoa deixa de participar de atividades que davam sentido à sua rotina, reforçando a sensação de fragilidade e dependência.

Romper esse padrão é possível — e começa pelo reconhecimento precoce dos sinais, que reforço aqui:

  • Dificuldade para sentar e levantar da cadeira
  • Sensação frequente de exaustão
  • Lentidão para caminhar
  • Perda de força nas mãos
  • Quedas leves, aparentemente "sem gravidade"

Nenhum desses aspectos deve ser ignorado. Eles são convites para uma avaliação cuidadosa. Nesse processo, é fundamental investigar tanto os fatores intrínsecos, relacionados à própria pessoa — como força muscular, equilíbrio, visão, uso de medicamentos e condições de saúde — quanto os fatores extrínsecos, ligados ao ambiente, como tapetes soltos, iluminação inadequada, calçados inseguros ou ausência de apoios.

Cuidar da pré-fragilidade é investir em prevenção. Exercícios adequados, fortalecimento muscular, revisão de medicações, adaptação do ambiente e estímulo à vida social são estratégias que devolvem confiança, movimento e autonomia. Mais do que evitar quedas, trata-se de preservar qualidade de vida, independência e a possibilidade de envelhecer com mais segurança e dignidade.

Estadão
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