Gastroenterite: entenda causas, sintomas e como se proteger
A gastroenterite inflama o estômago e o intestino e provoca, principalmente, diarreia e vômitos.
A gastroenterite inflama o estômago e o intestino e provoca, principalmente, diarreia e vômitos. O problema ocorre durante todo o ano, mas ganha força em períodos de calor e em locais com grande circulação de pessoas. Como o quadro pode evoluir rapidamente para desidratação, você precisa entender como a doença surge, como ocorre a transmissão e como agir na prevenção. Esse conhecimento protege sobretudo crianças e idosos.
Muitas pessoas enxergam a gastroenterite apenas como uma simples "virose". No entanto, o problema possui diversas origens, desde vírus e bactérias até parasitas e intoxicações alimentares. Em ambientes familiares, escolas, creches, instituições de longa permanência para idosos e locais com saneamento básico precário, o risco de surtos cresce bastante. Por isso, profissionais de saúde reforçam a importância da informação e do cuidado diário com higiene e alimentação. Esses hábitos reduzem de forma direta o número de casos e evitam complicações.
O que é gastroenterite e quais são as principais causas?
A gastroenterite corresponde a uma inflamação do trato gastrointestinal, especialmente estômago e intestinos, que altera a absorção de água e nutrientes. A palavra-chave "gastroenterite" costuma se relacionar a infecções virais, como as provocadas por rotavírus e norovírus. No entanto, bactérias como Escherichia coli, Salmonella e Campylobacter, além de parasitas, também figuram entre as causas mais frequentes. Em alguns casos, toxinas presentes em alimentos mal conservados disparam o quadro.
Entre as origens mais comuns da doença, você encontra:
- Vírus: principais responsáveis por surtos em creches, escolas, cruzeiros e hospitais.
- Bactérias: frequentemente associadas a alimentos crus ou mal manipulados, como carnes e ovos.
- Parasitas: em geral ligados à ingestão de água contaminada.
- Intoxicação alimentar: surge com alimentos fora da validade, mal refrigerados ou expostos por muito tempo em temperatura ambiente.
Vários fatores aumentam o risco de infecções gastrointestinais. A falta de saneamento, a higienização inadequada das mãos, o consumo de água não tratada e o preparo de alimentos sem cuidados básicos de limpeza representam as principais causas. Além disso, a manipulação de alimentos por pessoas com diarreia ativa também favorece surtos em domicílios e instituições.
Quais são os sintomas da gastroenterite e como ocorre a transmissão?
Os sinais da gastroenterite surgem de forma repentina e variam de leves a intensos. Em geral, o quadro se instala entre algumas horas e poucos dias após o contato com o agente causador. Os sintomas mais comuns incluem:
- Diarreia, com fezes líquidas ou pastosas, várias vezes ao dia;
- Vômitos;
- Dor ou cólicas abdominais;
- Náuseas;
- Febre baixa ou moderada;
- Mal-estar geral e cansaço;
- Em bebês e idosos, sinais de desidratação, como boca seca, diminuição do volume urinário e sonolência.
A transmissão da gastroenterite ocorre principalmente pela via fecal-oral. Nessa forma de contágio, o agente infeccioso presente nas fezes de uma pessoa contaminada alcança a boca de outra pessoa, direta ou indiretamente. Assim, você se expõe ao risco em situações como:
- Contato com superfícies ou objetos contaminados e, em seguida, contato das mãos com a boca;
- Consumo de água sem tratamento adequado;
- Ingestão de alimentos preparados por alguém contaminado que não higienizou corretamente as mãos;
- Compartilhamento de utensílios e talheres em ambientes fechados, em especial durante surtos.
Em ambientes com circulação intensa de pessoas, como escolas, unidades de saúde e instituições de longa permanência para idosos, um único caso pode se transformar em vários em pouco tempo. Quando as medidas de higiene não recebem reforço adequado, o contágio ocorre com muita rapidez. Por isso, a identificação precoce de sintomas e o afastamento temporário do doente ajudam a interromper a cadeia de transmissão.
Por que crianças e idosos são mais vulneráveis à gastroenterite?
Crianças pequenas e idosos apresentam maior suscetibilidade às complicações da gastroenterite. O sistema imunológico infantil ainda se encontra em desenvolvimento, o que facilita a ação de vírus, bactérias e parasitas. Além disso, o corpo das crianças perde água muito rápido, o que aumenta o risco de desidratação grave em pouco tempo.
No caso dos idosos, o organismo responde de forma mais lenta às infecções. Doenças crônicas, uso de múltiplos medicamentos e dificuldades de locomoção ou de acesso à água potável prejudicam a hidratação adequada. Em ambos os grupos, sinais como boca muito seca, choro sem lágrimas em crianças, diminuição ou ausência de urina, sonolência excessiva, tonturas e queda de pressão arterial exigem atenção imediata.
Outros grupos também apresentam maior vulnerabilidade. Gestantes, pessoas com imunidade comprometida, pacientes em tratamento oncológico e indivíduos desnutridos correm risco elevado. Nesses casos, um episódio simples de gastroenterite pode evoluir para desidratação severa, alterações de eletrólitos e necessidade de internação hospitalar. Dessa forma, a busca precoce por atendimento médico torna-se fundamental.
Como prevenir a gastroenterite no dia a dia?
A prevenção da gastroenterite depende de medidas simples de higiene e de cuidados com água e alimentos. Algumas estratégias recomendadas por profissionais de saúde incluem:
- Higienização frequente das mãos: usar água e sabão, especialmente após usar o banheiro, trocar fraldas e antes de manipular alimentos.
- Consumo de água tratada: dar preferência à água filtrada, fervida ou mineral. Em locais sem tratamento adequado, você deve ferver a água antes do consumo.
- Cuidado com alimentos crus: lavar bem frutas, verduras e legumes. Além disso, evitar carnes cruas ou mal passadas em locais de procedência duvidosa.
- Refrigeração correta: manter alimentos perecíveis sob refrigeração e descartar refeições que ficaram muito tempo em temperatura ambiente.
- Vacinação: em alguns países, a vacina contra rotavírus integra o calendário infantil e reduz casos graves em crianças.
Em creches, escolas e instituições que atendem idosos, equipes de cuidado precisam adotar protocolos de limpeza reforçados. Além disso, a orientação constante sobre lavagem de mãos e o isolamento temporário de pessoas com diarreia ativa reduzem de forma significativa a circulação de agentes infecciosos. Esses cuidados também diminuem a chance de surtos e protegem funcionários, familiares e visitantes.
Tratamento, cuidados médicos e sinais de alerta
Na maior parte dos casos, o tratamento da gastroenterite foca na hidratação e no alívio dos sintomas. A reposição de líquidos pode ocorrer com água, soluções de reidratação oral e, quando um profissional de saúde orienta, bebidas com eletrólitos. Em geral, a alimentação continua com refeições leves, fracionadas e de fácil digestão. Porém, você deve evitar excesso de gordura e alimentos muito condimentados.
O uso de medicamentos, como antibióticos ou antidiarreicos, sempre requer avaliação médica. Nem toda gastroenterite tem origem bacteriana, e alguns remédios podem piorar o quadro em determinadas situações. Em crianças pequenas, idosos e pessoas com condições de saúde pré-existentes, a orientação profissional torna-se ainda mais importante. O médico ajusta o tipo e a quantidade de líquidos e define a necessidade de exames complementares.
Alguns sinais indicam que você deve procurar atendimento médico com maior urgência:
- Diarreia intensa por mais de 24 a 48 horas;
- Presença de sangue ou muco nas fezes;
- Vômitos persistentes, que impedem a ingestão de líquidos;
- Febre alta prolongada;
- Sinais evidentes de desidratação, como pouca urina, tontura, extrema fraqueza ou confusão mental;
- Em bebês, recusa de líquidos, irritabilidade extrema ou sonolência.
Manter atenção a esses sinais e buscar atendimento em serviços de saúde, unidades básicas ou prontos-socorros reduz complicações e a necessidade de internação. A combinação de hábitos de higiene, cuidado com a alimentação e orientação médica adequada representa a forma mais eficaz de enfrentar a gastroenterite. Dessa maneira, você também contribui para limitar o impacto da doença na saúde pública e na sua comunidade.