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Estudo descobre por que o câncer colorretal avança de forma agressiva em jovens

Pesquisa inédita analisa mais de 850 mil células para identificar padrões biológicos em pacientes abaixo dos 50 anos

30 out 2026 - 09h21
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Resumo
Um estudo da Nature Medicine identificou peculiaridades biológicas do câncer colorretal em jovens, público com diagnósticos em alta e casos agressivos. A análise revelou que os tumores nesses pacientes possuem maior proporção de células de suporte — ligadas à resistência à quimioterapia —, sinalização que favorece a invasão tecidual e elevada atividade de RNAs não codificantes. Os achados abrem caminho para novas terapias, diagnósticos precoces e prevenção personalizada para essa faixa etária.

Uma ampla investigação científica conduzida por pesquisadores do Mass General Brigham, do Instituto Gene Lay de Imunologia e Inflamação, em parceria com o Instituto de Câncer Dana-Farber e o Instituto Broad, revelou descobertas cruciais sobre o comportamento do câncer colorretal em adultos jovens.

Estudo descobre por que o câncer colorretal avança de forma agressiva em jovens
Estudo descobre por que o câncer colorretal avança de forma agressiva em jovens
Foto: Canva / Perfil Brasil

O levantamento, publicado na revista científica Nature Medicine, analisa o crescimento dessas neoplasias em pessoas abaixo dos 50 anos, faixa etária que registrou um aumento anual de 2,9% nos diagnósticos entre 2013 e 2022 nos Estados Unidos, segundo dados da Sociedade Americana do Câncer. O avanço da incidência preocupa especialistas por figurar como a principal causa de morte oncológica nessa população, que costuma descobrir a enfermidade em estágios avançados.

A coautora sênior Ana C. Anderson, do corpo docente da Harvard Medical School, ressaltou ao site O Globo a urgência de mapear as particularidades biológicas da doença em todas as fases da vida. "É urgente entender por que o câncer colorretal está afetando adultos jovens em taxas cada vez maiores. E isso começa com a compreensão da biologia da doença ao longo de toda a vida. Ao olhar além dos limites de idade convencionais, descobrimos padrões biológicos que estudos anteriores podem ter deixado passar e criamos uma base para que a área os investigue mais a fundo".

Mapeamento de tumores e avanços na pesquisa do câncer

Para entender como a doença se transforma com o envelhecimento, a equipe analisou 189 amostras de cirurgias armazenadas no Biobanco Gastrointestinal do Dana-Farber, abrangendo pacientes com idades entre 29 e 94 anos.

Com o suporte da técnica de sequenciamento de RNA de núcleo único, os cientistas mapearam a atividade gênica em mais de 850 mil células cancerígenas e tecidos tumorais congelados.

Em vez de criar divisões rígidas entre grupos jovens e idosos, o método examinou fatores que mudavam progressivamente ao longo do tempo, considerando variáveis como localização do tumor, estágio, sexo e tratamentos anteriores.

Essa abordagem minuciosa revelou que os tumores de pacientes jovens apresentam uma proporção significativamente maior de células conjuntivas e de suporte em relação às células tumorais, característica associada à resistência à quimioterapia em diversos tumores sólidos, padrão que foi posteriormente confirmado com dados de outros 564 tumores e análise computadorizada de 712 imagens de tecidos corados.

Atividade molecular e perspectivas para novos tratamentos

A análise detalhada indicou ainda que os pacientes mais jovens apresentam maior atividade de RNAs não codificantes longos, conhecidos por regular genes sem sintetizar proteínas diretamente. Grande parte dessas moléculas pertence ao grupo dos RNAs chamados de "escuros", cujas funções biológicas ainda não foram totalmente desvendadas pela medicina.

Além disso, os dados apontam uma sinalização celular mais intensa nesses tecidos, o que pode favorecer a movimentação e a invasão das células malignas em tecidos adjacentes.

Embora os dados apontem caminhos promissores, os autores ponderam que os achados atuais não comprovam uma relação direta de causa e efeito na agressividade da patologia, mantendo em aberto questões sobre o comportamento da resposta imunológica nas diferentes faixas etárias. Os próximos passos da comunidade científica envolvem examinar se essas alterações afetam a progressão tumoral e se podem ser revertidas em novas abordagens terapêuticas. O coautor sênior Ng, diretor do Centro de Câncer Colorretal de Início Precoce do Dana-Farber, reforçou o compromisso com a criação de métodos preventivos e tratamentos mais assertivos. "Os resultados fornecem um roteiro valioso para futuras investigações sobre as características distintas do câncer colorretal de início precoce. Nosso objetivo final é descobrir novas estratégias para prevenção, diagnóstico e tratamento de nossos jovens pacientes".

Perfil Brasil
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