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Burnout: entenda possível síndrome de copiloto alemão

Autoridades encontraram evidências de que Andreas Lubitz poderia sofrer do problema causado pela alta pressão no trabalho

1 abr 2015
13h32
atualizado às 13h33
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O copiloto do voo da Germanwings, Andreas Lubitz, em foto de arquivo tirada durante meia maratona em 2009.   12/09/2009
O copiloto do voo da Germanwings, Andreas Lubitz, em foto de arquivo tirada durante meia maratona em 2009. 12/09/2009
Foto: Foto-Team-Mueller / Reuters

As investigações sobre a queda do vôo 4U-9525 da Germanwings sobre os Alpes franceses, culminando na morte de 150 pessoas, apontaram que o copiloto Andreas Lubitz poderia sofrer da síndrome de burnout, nome em inglês que significa algo como "queimado", "calcinado". No Brasil, alguns especialistas citam também a expressão “Síndrome do Fósforo Queimado”.

Afinal, essa doença poderia levar um indivíduo a jogar um avião contra uma montanha? De acordo com a psiquiatra Fernanda Piotto Flalonardo, professora de Psiquiatria da Faculdade de Medicina do ABC, todos os transtornos mentais apresentam riscos acentuados de suicídio. “Como sabemos das notícias apenas pela imprensa, não se pode afirmar que nesse caso específico do copiloto foi a doença que desencadeou o acontecimento. Ou se realmente era esse o problema que tinha. Os médicos que o atendiam podem falar melhor sobre o paciente”, disse.

Apesar do risco, não significa que todos os portadores de doenças como depressão, esquizofrenia, doença bipolar e síndrome de burnout vão se matar. “Ninguém é um suicida 24 horas por dia. Podemos dizer que isso ocorre como uma onda, uma espécie de flutuação, por isso a importância da avaliação de um potencial risco, com a pesquisa de dados familiares, o contexto social e a necessidade de acompanhamento do paciente”, explica a médica, ao lembrar que estatisticamente, as pessoas esquizofrênicas e com transtorno bipolar são os mais propensos ao suicídio do que as com depressão e síndrome de burnout.

A síndrome
Alguns sintomas da síndrome de burnout são parecidos com os de depressão (outro problema citado em relação ao copiloto alemão), mas há diferenças entre as duas doenças. Ao contrário da depressão, que muitas vezes surge sem um motivo aparente, a burnout é desencadeada por um estresse e estafa muito forte, associada principalmente ao seu trabalho. “Pode acontecer também com estudantes e com donas de casa, pois está ligada diretamente às atividades desenvolvidas pela pessoa”, afirma Fernanda.

“Quando o burnout chega, há uma nítida sensação de que todas as capacidades pessoais foram exauridas, de que a energia vital foi drenada. Isso dá origem a uma queda acentuada na produtividade e gera atitudes agressivas e confusão”, explica o clínico geral e psiquiatra Cyro Masci, especializado no tratamento de fadiga, estafa e exaustão.

Fases
Segundo Masci, o problema pode se desenvolver em quatro fases e atinge pessoas submetidas a altíssimas cargas de pressão, responsabilidade e estresse. “É um processo físico e mental progressivo de esgotamento”, acrescenta o médico. Num primeiro momento, os sintomas são de exaustão física, mental e emocional. “A sensação é de um morto vivo, sem interesse, energia ou prazer. ”É a fase do banho e cama, e mais nada.”

A fase seguinte é o momento em que a pessoa perde a confiança em si mesma, fica em dúvida sobre a própria capacidade e autoestima. A terceira etapa, de acordo com Masci, é caracterizada pelo cinismo, agressividade e insensibilidade, que acabam por afastar as pessoas próximas. “A agressividade deste período libera altíssimas ondas de hormônios que acabam facilitando o aparecimento de doenças, especialmente as coronarianas”, acrescenta o médico. Se nada for feito, o portador da síndrome chega à última fase, que é a exaustão total, de falência, de crise pessoal. 

Durante todo o tempo, tentativas de minorar a situação como uso de bebidas alcoólicas, aumento (ou início) do consumo de tabaco ou passividade física complicam ainda mais a situação geral, chegando à quarta fase. “Pessoas próximas muitas vezes não entendem o fato de alguém sem uma doença aparente dizer se sentir tão mal. Essa atitude só piora o quadro dos pacientes e, além do mal-estar, há uma baixa na auto-estima e no senso de controle pessoal”, diz Masci.

Foto: Michael Mueller / AP

Suscetíveis
De acordo com Fernanda Flalonardo, as pessoas que exigem demais de si mesmas, que não conseguem falar “não” quando estão sobrecarregadas de trabalho, que não se desligam e não sabem impor limites nas tarefas têm uma predisposição a adquirir a síndrome de burnout. “Competitividade no meio do trabalho e personalidade predisposta estão entre os fatores ligados à doença. Muitas vezes, a pessoa sequer consegue chegar perto do local de trabalho e começa a ter alguns sintomas como sudorese, diarréia, taquicardia”, afirma a professora. 

Outros sintomas marcantes, segundo ela, são atitudes depressivas, ansiedade, falta de prazer, alteração do sono, apetite e concentração. “Sempre que alguém é submetido a pressões prolongadas física, mental ou emocionalmente tem grandes chances de desenvolver a doença”, complementa Masci.

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Fonte: Ponto a Ponto Ideias Ponto a Ponto Ideias
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