Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Da pele ao tratamento: estratégias para combater a acne de forma segura

Acabe com a acne: entenda causas, predisposição genética e hormonal, tratamentos eficazes e mudanças de hábito para uma pele saudável

19 mar 2026 - 09h30
Compartilhar
Exibir comentários

A acne é uma queixa frequente em consultórios dermatológicos e afeta pessoas de diferentes idades, não apenas adolescentes. Apesar de ser um quadro comum, ainda gera muitas dúvidas sobre por que algumas pessoas desenvolvem mais espinhas e cravos do que outras e quais fatores realmente influenciam no aparecimento dessas lesões. Profissionais de saúde indicam que a condição envolve uma combinação de hormônios, predisposição genética, produção de sebo e ação de bactérias que vivem naturalmente na pele.

Dermatologistas explicam que a acne não está ligada apenas à estética, pois pode impactar a rotina, a autoconfiança e até relações sociais. Ao mesmo tempo, reforçam que existem diferentes formas de controle, desde cuidados diários simples até tratamentos mais complexos, prescritos após avaliação médica. A seguir, a reportagem reúne explicações técnicas em linguagem acessível, além de relatos de especialistas que lidam diariamente com pacientes com esse tipo de problema de pele.

O que é acne e por que algumas pessoas têm mais espinhas?

A acne é uma alteração inflamatória dos folículos pilossebáceos, estrutura onde o pelo e a glândula sebácea se encontram. Quando há excesso de sebo, acúmulo de células mortas e obstrução dos poros, forma-se um ambiente propício para o surgimento de cravos, espinhas inflamadas e, em casos mais intensos, nódulos e cistos. Esse processo pode ocorrer em diferentes regiões do corpo, como rosto, costas, tórax e ombros.

Segundo a dermatologista Mariana Costa, especialista em doenças da pele, "a acne é resultado de vários fatores atuando ao mesmo tempo, e não apenas da oleosidade". Ela explica que duas pessoas com rotina parecida podem ter quadros bem diferentes, justamente por causa da predisposição individual. Para alguns pacientes, pequenas alterações hormonais já são suficientes para desencadear surtos de espinhas; para outros, a pele permanece relativamente estável mesmo em períodos de maior estresse ou mudanças de rotina.

Pele sob controle: como genética, hormônios e bactérias influenciam a acne -depositphotos.com / IgorVetushko
Pele sob controle: como genética, hormônios e bactérias influenciam a acne -depositphotos.com / IgorVetushko
Foto: Giro 10

Acne: qual o papel da genética, dos hormônios e da produção de sebo?

A palavra-chave para entender a acne é predisposição. Estudos mostram que o histórico familiar tem peso importante: filhos de pessoas que tiveram acne moderada ou grave na juventude apresentam maior chance de desenvolver o mesmo padrão de lesões. A genética influencia o tamanho e a atividade das glândulas sebáceas, a sensibilidade aos hormônios e a forma como a pele responde à inflamação.

Os hormônios androgênicos, como a testosterona, estimulam a produção de sebo. Durante a puberdade, essa produção aumenta, o que explica a alta frequência de acne nessa fase. A endocrinologista Carla Mendonça ressalta que, em adultos, alterações hormonais relacionadas ao ciclo menstrual, síndrome dos ovários policísticos ou uso de alguns medicamentos também podem piorar o quadro. Nesses contextos, a pele tende a ficar mais oleosa e os poros se obstruem com mais facilidade.

Além disso, a própria composição do sebo e o jeito como ele é eliminado interferem no processo. Quando o sebo é mais espesso, tem maior chance de bloquear a saída do folículo. Esse bloqueio facilita a proliferação de bactérias como a Cutibacterium acnes, que fazem parte da microbiota da pele. Em ambiente fechado e rico em óleo, essas bactérias se multiplicam e liberam substâncias que desencadeiam inflamação, vermelhidão e dor.

Como as bactérias da pele influenciam o surgimento das lesões?

A pele abriga um conjunto de microrganismos que, em condições normais, contribuem para o equilíbrio da barreira cutânea. No caso da acne, o destaque fica para a Cutibacterium acnes, que se alimenta do sebo produzido pelas glândulas. Quando os poros estão livres, essa bactéria convive de forma relativamente estável com o organismo. O problema começa quando há obstrução do folículo.

Nesse cenário, a dermatologista Eduardo Lima, que atua em ambulatório de dermatologia clínica, explica que a bactéria encontra "um ambiente fechado, sem oxigênio e cheio de gordura, ideal para se multiplicar". A resposta imunológica do corpo a esse crescimento gera inflamação local, responsável pelo aspecto inchado e avermelhado das espinhas inflamadas. Por isso, muitos tratamentos buscam reduzir tanto a oleosidade quanto a carga bacteriana da pele, sempre com orientação profissional para evitar desequilíbrios ou resistência a antibióticos.

Quais cuidados diários ajudam no controle da acne?

Embora a predisposição envolva fatores que não podem ser modificados, como genética e perfil hormonal, especialistas defendem que a rotina diária faz diferença no comportamento da pele. O cuidado básico inclui higiene adequada, uso de produtos específicos para pele com tendência à acne e proteção solar.

  • Limpeza suave: lavar o rosto duas vezes ao dia com sabonete indicado para pele oleosa ou acneica, evitando esfregar com força ou usar água muito quente.
  • Hidratação leve: optar por hidratantes "oil free" ou com textura em gel, que ajudam a manter a barreira cutânea sem aumentar a oleosidade.
  • Protetor solar: escolher filtros solares não comedogênicos, formulados para não obstruir os poros.
  • Evitar manipular as lesões: apertar espinhas e cravos pode agravar a inflamação e favorecer cicatrizes e manchas.

A dermatologista Mariana Costa observa que "produtos de uso diário não substituem tratamentos médicos em casos mais intensos, mas funcionam como base para manter a pele em melhores condições entre as consultas". Ela reforça que a escolha dos cosméticos deve considerar tipo de pele, sensibilidade e presença de outras doenças cutâneas.

Quais são os principais tratamentos tópicos e orais disponíveis?

Os tratamentos para acne variam conforme gravidade, localização das lesões e perfil do paciente. Em casos leves, muitos quadros podem ser controlados apenas com produtos de uso tópico. Já em situações moderadas ou graves, ou quando há risco de cicatrizes, costuma-se associar medicamentos orais sob supervisão médica.

  1. Produtos tópicos: incluem ácidos (como ácido salicílico e derivados da vitamina A), peróxido de benzoíla, antibióticos em gel ou creme e substâncias que ajudam a desobstruir os poros. Eles reduzem a oleosidade, favorecem a renovação celular e controlam a proliferação bacteriana.
  2. Tratamentos orais: podem envolver antibióticos, antiandrógenos, contraceptivos hormonais em mulheres selecionadas e isotretinoína oral para casos mais persistentes. A escolha leva em conta exames, histórico de saúde e possíveis efeitos adversos.
  3. Procedimentos em consultório: limpeza de pele profissional, peelings químicos, microagulhamento e tecnologias como laser ou luz intensa pulsada podem complementar o tratamento, sempre indicados e executados por profissionais habilitados.

De acordo com o dermatologista Rafael Barreto, "não existe um protocolo único que sirva para todas as pessoas com acne. O plano terapêutico é individual e pode ser ajustado ao longo dos meses, conforme a pele responde". Ele destaca que interrupções frequentes ou uso incorreto dos medicamentos tendem a atrasar os resultados.

Acne na adolescência e adulto: prevenção, rotina e quando procurar um dermatologista – depositphotos.com / maemodnit
Acne na adolescência e adulto: prevenção, rotina e quando procurar um dermatologista – depositphotos.com / maemodnit
Foto: Giro 10

Mudanças no estilo de vida realmente fazem diferença?

Especialistas apontam que fatores de estilo de vida não são a causa isolada da acne, mas podem influenciar a intensidade das crises. Entre os aspectos mais citados estão alimentação, sono, estresse e exposição a substâncias comedogênicas, presentes em alguns cosméticos ou produtos capilares.

  • Alimentação: pesquisas sugerem associação entre dietas muito ricas em açúcares simples, laticínios em excesso e piora da acne em certos grupos de pacientes. Profissionais indicam priorizar alimentos in natura, grãos integrais, frutas e vegetais.
  • Sono e estresse: noites mal dormidas e períodos prolongados de tensão podem alterar a regulação hormonal e a resposta inflamatória, o que tende a se refletir na pele.
  • Cosméticos e maquiagem: produtos muito oleosos ou que não são devidamente removidos ao fim do dia podem obstruir os poros. Recomenda-se buscar itens identificados como não comedogênicos.

A médica de família Luciana Andrade, que acompanha pacientes com queixas de pele em unidades básicas de saúde, relata que o trabalho de educação em saúde é constante. Segundo ela, ajustes no dia a dia, combinados ao acompanhamento dermatológico, contribuem para um controle mais estável: mudança de hábitos não substitui o tratamento, mas costuma fortalecer os resultados alcançados.

Como lidar com a acne ao longo do tempo?

A acne é uma condição crônica em muitos casos, com períodos de melhora e piora. Alguns pacientes apresentam remissão após a adolescência, enquanto outros continuam com lesões na idade adulta. O acompanhamento regular com profissionais de saúde permite adaptar o tratamento às diferentes fases da vida, avaliando riscos, benefícios e expectativas.

Dermatologistas entrevistados concordam em alguns pontos centrais: a importância de não interromper o tratamento por conta própria, a necessidade de evitar automedicação e o cuidado com informações disseminadas em redes sociais sem respaldo científico. Com avaliação adequada e combinação de estratégias — que vão dos hábitos diários aos medicamentos prescritos —, é possível manter a acne sob controle e reduzir a chance de cicatrizes permanentes, preservando a saúde da pele ao longo dos anos.

Giro 10
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade