Caminhada em jejum emagrece mais?
Prática conhecida como aeróbico em jejum divide opiniões e levanta dúvidas sobre queima de gordura, emagrecimento e riscos para a saúde
Muita gente acorda, coloca o tênis e fica na dúvida: é melhor tomar café da manhã antes da caminhada ou sair em jejum? A prática conhecida como aeróbico em jejum, ou AEJ, ficou bastante popular entre pessoas que buscam emagrecimento e maior queima de gordura.
A lógica parece simples: depois de várias horas sem comer, o corpo teria menos reservas imediatas de energia e passaria a usar mais gordura como combustível durante o exercício. Mas será que isso realmente significa emagrecer mais?
O que acontece no corpo durante o jejum?
Depois de uma noite de sono, os estoques de glicogênio, forma de energia armazenada a partir dos carboidratos, ficam mais baixos. Com isso, o organismo tende a aumentar o uso de gordura como fonte energética durante atividades aeróbicas leves ou moderadas.
Esse processo é chamado de oxidação de gordura.
Na prática, estudos mostram que exercícios feitos em jejum realmente podem aumentar a utilização de gordura durante o treino. Porém, isso não significa automaticamente maior perda de peso no longo prazo.
Veja também: "Caminhada japonesa funciona? Entenda a técnica que virou tendência".
Caminhada em jejum ajuda a emagrecer?
O emagrecimento depende principalmente do déficit calórico ao longo dos dias e semanas. Ou seja: gastar mais calorias do que consumir.
Mesmo que o corpo utilize mais gordura durante o exercício em jejum, isso não garante uma diferença significativa na perda de peso quando comparado à caminhada feita após uma refeição.
Pesquisas recentes apontam que os resultados para emagrecimento costumam ser bastante parecidos entre pessoas que treinam alimentadas e aquelas que praticam AEJ.
Por isso, fatores como:
- Regularidade do exercício.
- Alimentação equilibrada.
- Qualidade do sono.
- Controle do estresse.
Continuam sendo muito mais importantes para o emagrecimento sustentável.
Existem benefícios no aeróbico em jejum?
Apesar da discussão sobre perda de peso, alguns possíveis benefícios do AEJ são frequentemente estudados.
Entre eles:
- Maior oxidação de gordura durante o exercício.
- Melhora da sensibilidade à insulina.
- Adaptação metabólica em pessoas treinadas.
- Facilidade para encaixar o treino na rotina matinal.
Em pessoas já condicionadas, o corpo pode se tornar mais eficiente em utilizar gordura como combustível durante atividades prolongadas.
Quais são os riscos?
A caminhada em jejum não é indicada para todo mundo.
Sem alimentação prévia, algumas pessoas podem apresentar queda de glicose no sangue, conhecida como hipoglicemia.
Sintomas que merecem atenção
- Tontura.
- Fraqueza.
- Suor frio.
- Náusea.
- Tremores.
- Visão turva.
Além disso, a falta de energia pode diminuir desempenho, intensidade e duração do treino.
Quem deve evitar?
Alguns grupos precisam de mais cuidado com o AEJ:
- Pessoas com diabetes.
- Iniciantes em atividade física.
- Gestantes.
- Pessoas com histórico de desmaio.
- Quem possui hipoglicemia.
Nesses casos, o ideal é ter acompanhamento profissional antes de iniciar a prática.
Como fazer caminhada em jejum com mais segurança
Para quem deseja testar o método, alguns cuidados ajudam a reduzir riscos.
Recomendações importantes
- Comece com caminhadas leves.
- Evite treinos longos.
- Mantenha boa hidratação.
- Pare imediatamente em caso de mal-estar.
- Faça uma refeição equilibrada após o treino.
A alimentação pós-exercício ajuda a recuperar energia e preservar a musculatura.
Afinal, vale a pena?
A caminhada em jejum pode funcionar para algumas pessoas, principalmente como estratégia prática para manter regularidade nos exercícios. Porém, ela não é obrigatória para emagrecer e nem garante resultados superiores sozinha.
No fim, o mais importante continua sendo manter constância nos treinos e uma rotina saudável ao longo do tempo.
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