Botox falso: Anvisa emite novo alerta sobre falsificação de toxina; entenda os riscos
Lote de produto interceptado pela agência apresentou falsa descrição de conteúdo e prazo de validade incorreto; empresa confirmou falsificação
ESPECIAL PARA O ESTADÃO - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu na quinta-feira, 5, alerta que trata a respeito da identificação de um novo lote de toxina botulínica falsificada/adulterada. O medicamento é o Botox 100U, do lote C6835C3, utilizado em procedimentos estéticos.
A área de portos, aeroportos e fronteiras da agência interceptou remessas internacionais do produto que apresentaram falsa descrição de conteúdo e que continham frascos em embalagens no idioma turco, com prazos de validade até outubro de 2024, no frasco, e dezembro de 2024, na embalagem secundária.
De acordo com a nota da Anvisa, a Allergan Produtos Farmacêuticos, empresa detentora do registro do medicamento, confirmou que o lote original (C6835C3) tem prazo de validade menor, até dezembro de 2023, e foi comercializado somente na Turquia, não tendo sido importado ao Brasil pelos meios oficiais. Dessa forma, foi determinada a apreensão e a proibição de comercialização, distribuição e uso do lote C6835C3 do Botox 100U.
Em nota enviada ao Estadão, a empresa confirmou que o lote era falsificado, "não tendo sido importado ao Brasil pelos meios oficiais da companhia". A empresa ainda reforça ter canais oficiais para a aquisição do produto.
A Anvisa também recomendou que o produto não seja utilizado. "Caso profissionais de saúde e pacientes identifiquem os produtos falsificados, a orientação é não fazer uso do medicamento e notificar imediatamente a Anvisa, por meio dos seus canais de atendimento", informou, em nota.
Este é o segundo alerta sobre toxina botulínica que a agência divulga em 2023. Em fevereiro, a Anvisa também comunicou a identificação da falsificação dos medicamentos Botox 100U, lote C7654C3F, e Dysport 300U, lote L25049. No episódio, as principais diferenças entre o produto falsificado e o produto original referiam-se à rotulagem, à bula e à embalagem.
Entenda os riscos do Botox adulterado
Popularmente conhecida como botox devido ao nome de uma das marcas pioneiras do medicamento no Brasil, a toxina botulínica ganhou espaço em consultórios médicos e clínicas estéticas nos últimos anos, sendo a preferida de pacientes para tratamentos de rejuvenescimento facial.
O medicamento costuma ser utilizado para evitar rugas e as chamadas linhas de expressão, provocadas pelos movimentos dos músculos. Com a aplicação na musculatura, tem-se uma ação de relaxamento, provocando o apagamento das linhas de expressão, conforme explica a dermatologista Elisete Crocco, coordenadora do departamento de Cosmiatria Dermatológica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
De acordo com a médica, com a popularização do tratamento em todo o País, a decisão de aplicar o botox exige cuidado especialmente no que diz respeito à escolha de quem fará o procedimento.
Isso porque a toxina botulínica é um produto com venda restrita, que só pode ser adquirido por profissionais. "O paciente tem que procurar um médico de sua confiança. Não existe venda de intermediário, não se compra isso em uma loja online. Se a pessoa tem um profissional (médico) de confiança, que é idôneo, correto, ele compra direto da empresa e não há risco."
O uso de toxina botulínica adulterada ou falsificada pode ter como consequência a ineficácia do procedimento. Entretanto, Crocco destaca que se o frasco utilizado não for estéril, podendo haver conteúdo contaminado no líquido, há risco de desenvolvimento de alergias ou até mesmo infecções, como celulite de face, abscessos e feridas abertas. "Se houver complicação, é motivo imediato de intervenção. São coisas perigosas, que precisam ser prontamente resolvidas", alerta.