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Apneia do sono pode aumentar risco de AVC; saiba como se prevenir

Dormir mal pode aumentar o risco de AVC. Entenda como a apneia do sono afeta o cérebro e quando procurar ajuda médica.

17 jun 2026 - 18h40
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Resumo
Dormir mal pode ter consequências sérias para o cérebro e o corpo. A apneia do sono, por exemplo, aumenta o risco de AVC devido à falta de oxigênio e inflamação nos vasos. Diagnóstico e tratamento adequados, como o uso do CPAP e mudanças no estilo de vida, são essenciais para prevenir complicações ⚠️.

Dormir bem vai muito além de descansar. Quando a pessoa não consegue dormir direito, o cérebro sofre consequências importantes. Uma delas é o aumento do risco de AVC.

Foto: Reprodução/Shutterstock
Foto: Reprodução/Shutterstock
Foto: Saúde em Dia

Esse problema fica ainda mais preocupante na apneia do sono. O distúrbio interrompe a respiração várias vezes durante a noite. Assim, o corpo deixa de se recuperar como deveria.

O que acontece quando se dorme mal

Durante o sono, o cérebro reorganiza informações e consolida memórias. Também regula hormônios e mantém funções vitais em equilíbrio. Por isso, dormir mal afeta todo o organismo.

Na apneia do sono, essas funções ficam prejudicadas repetidamente. O sono se torna fragmentado e superficial. E o corpo acorda sem a restauração necessária.

A apneia obstrutiva é a forma mais comum do distúrbio. Ela acontece quando a musculatura da língua e da garganta relaxa demais. Isso bloqueia a passagem de ar para os pulmões.

Como resultado, a oxigenação no sangue cai. A pessoa sofre despertares breves, muitas vezes sem perceber. A noite passa, mas o descanso não acontece de verdade.

Como a apneia aumenta o risco de AVC

A ligação entre apneia e AVC é direta. Cada pausa respiratória provoca falta de oxigênio no organismo.

Isso gera inflamação nos vasos sanguíneos.

Segundo o neurocirurgião Orlando Maia, o endotélio também sofre danos. Essa é a camada interna que reveste e protege os vasos. Quando ela é afetada, o risco de obstrução cresce.

A falta de oxigênio favorece a formação de coágulos. Esses coágulos podem interromper a circulação cerebral. E isso abre caminho para o AVC.

Além disso, o esforço para retomar a respiração pesa no coração. "O esforço constante para retomar a respiração ativa de forma exagerada o sistema nervoso autônomo", explica o médico. Esse efeito altera a pressão arterial e a frequência cardíaca.

O especialista também alerta para o surgimento de arritmias. Entre elas, está a fibrilação atrial. Esse quadro é mais um fator de risco para o AVC.

Estudos mostram números preocupantes sobre o tema. Homens com apneia do sono têm mais que o dobro de risco de AVC. Isso acontece mesmo quando outros fatores já estão controlados.

Sono e cérebro em alerta

A relação entre dormir mal e o cérebro é ampla. O problema não se limita ao cansaço do dia seguinte. Ele pode afetar a saúde vascular e neurológica.

O cérebro depende de um sono contínuo para funcionar bem. Quando isso não ocorre, o organismo entra em estado de alerta constante. Esse estado desgasta o sistema cardiovascular.

Além disso, a apneia pode aparecer após o próprio AVC. "O problema também pode ser consequência do próprio AVC", explica Orlando Maia. Até metade dos pacientes pode desenvolver apneia depois do evento.

Em um terço dos casos, o quadro se mantém de forma crônica. Isso pode dificultar a reabilitação. E também aumenta a chance de novos episódios.

Sinais que merecem atenção

  • Ronco alto e frequente.

  • Pausas respiratórias percebidas por outra pessoa.

  • Sonolência excessiva durante o dia.

  • Acordar cansado, mesmo após muitas horas na cama.

  • Dificuldade para se concentrar.

  • Dor de cabeça ao acordar.

Esses sinais não devem ser ignorados. Eles podem indicar que a pessoa não está conseguindo dormir de forma saudável. E isso merece avaliação médica.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da apneia começa com avaliação especializada. O exame mais importante é a polissonografia. Ele analisa parâmetros respiratórios, cardíacos e cerebrais durante a noite.

Esse exame ajuda a medir a gravidade do problema. Também orienta o melhor tratamento para cada caso. Por isso, é um passo fundamental.

Muitas pessoas convivem com o distúrbio sem saber. Elas acham que o ronco é apenas incômodo. Mas o quadro pode esconder um risco maior.

Quando há suspeita, a investigação não deve demorar. Quanto antes o diagnóstico acontecer, melhor. Isso reduz a chance de complicações sérias.

O que ajuda a reduzir os riscos

Felizmente, a apneia tem tratamento. Quando ela é controlada, o risco de AVC diminui bastante. Isso reforça a importância de procurar ajuda.

O CPAP é considerado o método mais eficaz. O equipamento envia pressão positiva contínua para manter as vias aéreas abertas. Assim, ele melhora a respiração durante o sono.

Outras medidas também fazem diferença no tratamento. Controle de peso, mudança de posição ao dormir e menos álcool ajudam. Em alguns casos, sedativos também precisam ser reduzidos.

Esses cuidados complementam o uso do CPAP. E tornam o tratamento mais eficiente no dia a dia. O segredo está na constância.

Checklist de prevenção

  • Observar sinais de ronco e pausas respiratórias.

  • Procurar avaliação médica se houver sonolência excessiva.

  • Fazer a polissonografia quando indicada.

  • Seguir corretamente o uso do CPAP.

  • Reduzir álcool e sedativos.

  • Cuidar do peso corporal.

  • Ajustar a posição ao dormir.

Dormir bem é prevenção!

Dormir bem não é luxo. É uma necessidade para o cérebro e para o corpo. No contexto do AVC, isso faz ainda mais sentido.

A apneia mostra como noites ruins podem afetar a saúde de forma silenciosa. O distúrbio desgasta vasos, coração e cérebro. E tudo isso pode começar apenas com um ronco ignorado.

"O que acontece à noite interfere diretamente na saúde do dia seguinte", resume a lógica do problema. Por isso, cuidar do sono é uma forma concreta de prevenção. E essa prevenção pode salvar vidas.

Reconhecer os sinais é o primeiro passo. Depois, vem a avaliação médica e o tratamento adequado. Assim, dormir bem deixa de ser desejo e vira proteção.

Saúde em Dia
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