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Cérebro só amadurece aos 32? Veja o que diz a pesquisa

Para psicóloga, mudanças sociais, tecnológicas e emocionais ajudam a explicar a chamada "adolescência estendida"

13 jan 2026 - 19h24
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Você sempre acreditou que se tornou um adulto com a chegada dos 18 anos, a maioridade legal? Essa visão pode estar equivocada. Com a aproximação do Dia do Adulto, comemorado em 15 de janeiro, surgem questionamentos sobre o verdadeiro significado da vida adulta e o amadurecimento do cérebro.

Foto: Reprodução/Shutterstock
Foto: Reprodução/Shutterstock
Foto: Saúde em Dia

A ideia de que alcançamos a plena maturidade aos 18 anos está sendo cada vez mais desafiada, tanto em termos biológicos quanto sociais.

Uma pesquisa recentemente conduzida pela Universidade de Cambridge, por exemplo, revelou que o cérebro humano não atinge sua plena maturação até os 32 anos. Essa descoberta lança uma nova luz sobre a ideia de "adulto", sugerindo que a jornada de amadurecimento do cérebro vai muito além do que imaginamos, especialmente quando consideramos os avanços tecnológicos e o ambiente social em que vivemos.

Se você está curioso para entender mais sobre essa pesquisa e o que ela diz sobre o amadurecimento do cérebro humano, a psicóloga Aparecida Tavares, que atende no Órion Complex, em Goiânia, explica o que acontece com o cérebro durante as várias fases da vida, como os marcos biológicos influenciam nosso desenvolvimento, e como as mudanças sociais impactam essa maturação cerebral.

O cérebro e os marcos da vida

A pesquisa da Universidade de Cambridge, que se tornou um ponto de discussão importante sobre a maturação cerebral, identificou quatro momentos de transformação no cérebro humano: aos 9, 32, 66 e 83 anos. Esses marcos não são apenas números, mas sim períodos que marcam mudanças significativas na forma como o cérebro funciona e processa as informações.

Entre esses pontos, o mais intrigante talvez seja a marca dos 32 anos, que é apontada como o fim de um período de reorganização intensa do cérebro, um processo que antes era associado à juventude. Esse fenômeno, que ocorre entre os 18 e os 32 anos, reflete uma fase de amadurecimento do córtex cerebral, que está diretamente relacionado às funções cognitivas mais complexas, como a tomada de decisões, o controle dos impulsos e o planejamento a longo prazo.

Então, o que isso significa para aqueles que ainda acreditam que atingem a maturidade aos 18 anos? Se o cérebro ainda está em processo de reorganização até os 32 anos, pode ser que a verdadeira maturidade, do ponto de vista biológico, aconteça muito mais tarde do que pensávamos.

Maturação do cérebro: um processo social e cultural

A psicóloga sugere que o amadurecimento do cérebro também depende de fatores sociais, culturais e emocionais. Segundo Aparecida, a sociedade moderna está profundamente impactada pela tecnologia, que constantemente demanda resultados rápidos e imediatos.

Esse ambiente, no qual as respostas precisam ser rápidas e os estímulos são constantes, afeta diretamente o córtex pré-frontal, área do cérebro responsável pelo planejamento, controle dos impulsos e tomada de decisões.

Em um mundo onde a troca instantânea de informações é a norma, a psicóloga sugere que a falta de espaços para a reflexão e ponderação pode afetar a maturação cerebral. O imediatismo, impulsionado pela tecnologia e redes sociais, pode dificultar o desenvolvimento de habilidades cognitivas mais complexas, como a capacidade de planejar a longo prazo e refletir sobre as consequências das ações.

 

O impacto do imediatismo no cérebro

Essa busca incessante por gratificação imediata e a falta de espaço para a reflexão profunda podem ter implicações sérias no desenvolvimento emocional e intelectual dos jovens. Aparecida Tavares observa que, na prática clínica, muitos pacientes apresentam dificuldades nas interações sociais, são emocionalmente dependentes, têm uma percepção negativa de si mesmos e buscam constantemente prazer imediato, sem considerar os impactos a longo prazo de suas escolhas.

Além disso, a psicóloga aponta que a adolescência parece estar se estendendo para além dos 18 anos, com muitos jovens não alcançando a maturidade emocional e psicológica esperada para a idade adulta. Ela acredita que, embora a adolescência seja um período natural de crescimento e mudança, a forma como esse período é vivido tem sido prejudicada pela sociedade atual, que enfatiza o consumo rápido, a superficialidade e a imediaticidade.

Como a maturação cerebral afeta a sociedade?

A evolução do cérebro e suas implicações não se limitam ao indivíduo. Quando os jovens não alcançam a maturidade completa ou têm dificuldades em amadurecer cognitivamente, isso pode afetar também o ambiente social e econômico ao seu redor. Na visão de Aparecida Tavares, essa imaturidade prolongada pode ter um efeito negativo no bem-estar coletivo e no desenvolvimento do país como um todo.

Em um mundo onde o trabalho em equipe, a resolução de problemas complexos e a responsabilidade social são essenciais para o crescimento e desenvolvimento, a falta de um amadurecimento completo do cérebro pode criar desafios para a sociedade. O resultado disso é uma geração de indivíduos menos preparados para lidar com as exigências do mundo moderno e com as questões sociais e econômicas que envolvem o bem-estar coletivo.

Além disso, a imaturidade emocional pode criar um ciclo de insatisfação com a vida, que se reflete em problemas como a insegurança nas relações pessoais e a falta de sentido no trabalho e nas metas de vida.

 

O que isso significa para o futuro?

A reflexão proposta pela psicóloga Aparecida Tavares sobre a imaturidade e seus impactos é profunda. Ela questiona: "A quem interessa essa imaturidade implantada?" Essa provocação não é apenas sobre a juventude, mas sobre a sociedade como um todo. Se a maturação do cérebro está sendo retardada por fatores externos, como a cultura de consumismo e a busca incessante por prazer imediato, estamos realmente preparando a próxima geração para assumir a responsabilidade e contribuir para o crescimento coletivo?

Dado o impacto do ambiente social e cultural no amadurecimento do cérebro, Aparecida Tavares sugere que é essencial nutrir a mente com conteúdos que estimulem a reflexão profunda, o autoconhecimento e o valor do ser humano. A psicóloga defende que, para o amadurecimento cerebral ocorrer de maneira saudável e dentro do tempo esperado, é preciso cultivar um ambiente que favoreça o pensamento crítico, o planejamento de longo prazo e a troca de experiências reais, e não apenas virtuais.

Dicas para estimular o cérebro

  1. Prática de atividades intelectualmente desafiadoras: Ler livros, fazer exercícios mentais e aprender novas habilidades são ótimas maneiras de fortalecer o cérebro e incentivar o amadurecimento cognitivo.

  2. Cultivar a empatia e as interações sociais: Participar de conversas significativas, debates e atividades em grupo ajuda a desenvolver habilidades sociais e emocionais.

  3. Investir em autoconhecimento e reflexão: Tirar um tempo para refletir sobre as próprias escolhas e comportamentos promove o desenvolvimento de uma mente mais madura.

  4. Desconectar-se das redes sociais: Buscar momentos de introspecção longe da tecnologia pode ajudar a diminuir a sobrecarga de informações e a melhorar o foco.

Saúde em Dia
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