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São Paulo: a locomotiva da criatividade!

Entre a poesia das rampas do metrô e a diversidade que pulsa nas ruas, um olhar sensível sobre São Paulo como território de trabalho, pausa, mistura e criatividade

24 jan 2026 - 18h10
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Sempre que a rotina me leva a descer as rampas da estação Santa Cecília, ali na Linha Vermelha, sou convidado a uma pausa involuntária. Antes de ser engolido na corrida subterrânea, meus olhos sempre descansam nos versos de Cassiano Ricardo estampados na parede.

Um olhar poético sobre São Paulo a partir das rampas da estação Santa Cecília, refletindo sobre trabalho, diversidade, pausa e criatividade
Um olhar poético sobre São Paulo a partir das rampas da estação Santa Cecília, refletindo sobre trabalho, diversidade, pausa e criatividade
Foto: Reprodução: Julio Ricco/Getty Images / Bons Fluidos

É a poesia "Café Expresso".

É ali que o poeta, joseense como eu, enxergou, com a sensibilidade da alma caipira, a essência sanguínea de São Paulo. Ele fala dessa injeção de ânimo, desse ouro negro que é a alma da nossa cidade e nos faz, dia após dia, trabalhadores corajosos e disciplinados. 

Cassiano mostra como aqui, nesse território de concreto e garoa, construiu-se uma ética popular: a disciplina do trabalho e da diversão. Nas mesmas rampas, a gente ainda pode ver "O Violeiro" de Almeida Júnior e "Operários" da Tarsila do Amaral. Homogeneidade de uma massa operária? Pelo contrário! É um milagre sociológico só possível na diversidade de São Paulo! 

Já pensou em quem tá naquele corre? Quem passa por ali? O executivo da Avenida Paulista, a estudante da periferia, o migrante nordestino, o imigrante boliviano, o refugiado sírio, o judeu, o herdeiro de quatrocentões, o filho de operários… 

Origens sociais, regionais, étnicas e raciais que, em qualquer outro lugar do mundo, significariam segregação, mas que aqui se unem num propósito comum: a disposição para o fazer. Mas a gente não pode pensar só no trabalho! Claro que ele é importante! Mas o que faz desta cidade uma potência de inovação não é o suor, é a mistura.

Adoro pensar na etimologia das palavras… É com ela que a gente enxerga a alma das letras. Sabia que tem uma raiz que une "Diversidade" e "Diversão"? As duas carregam essa ideia de "viração", de mudar de direção, de encontrar novos caminhos. A "viração" é aquele jeito tão brasileiro - e tão paulistano - de se adaptar, de sobreviver, de inventar saídas onde só parecia haver muros.

Essa é a verdadeira riqueza de São Paulo!

A Criatividade - tão valiosa para o empreendedorismo e para a inovação social - não nasce da uniformidade. Ela brota do atrito, do encontro, da multiplicidade. É na pluralidade de ideias, no choque entre a sabedoria caipira e a tecnologia de ponta, entre o rap da quebrada e a orquestra sinfônica, que a Inovação acontece.

Mas para criar, não basta ser diverso; é preciso também "di-verter". É preciso o tempo da pausa, o tempo do café não como estimulante para produzir mais, mas como momento de reflexão.

É a diversão - o desvio da rota obrigatória - que permite à mente respirar e conectar pontos distantes. Sem esse "tempo de viração", sem essa ludicidade, seríamos apenas engrenagens. Com ela, somos criadores.

Portanto, neste 25 de janeiro, gostaria de parabenizar São Paulo com a síntese das rampas de Santa Cecília!

Que continuemos sendo a terra da Disciplina e do Trabalho, sim, pois isso forjou nosso caráter pioneiro, pujante e resiliente. Mas que sejamos, acima de tudo, a Terra da Diversidade e da Diversão. Porque somente onde o trabalho encontra a pausa e onde o diferente encontra o semelhante, que floresce a verdadeira vocação desta cidade: a Criatividade.

Parabéns, São Paulo! Que sua beleza continue sendo a capacidade de enxergar no caos a semente do novo!

*Fonte: André Naves é Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Sociais, Inclusão Social e em Economia Política

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