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Redes sociais afetam a saúde mental de formas diferentes em cada geração

Comparação, excesso de conexão e isolamento podem afetar adolescentes, adultos e idosos de maneiras distintas

1 set 2026 - 20h10
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Resumo
O impacto das redes sociais varia conforme a geração: adolescentes enfrentam comparações, adultos sofrem com a hiperconexão e idosos lidam com o risco do isolamento presencial. Mais do que o tempo de tela, a qualidade do conteúdo e seus reflexos emocionais são determinantes. Prejuízos ao sono, à autoestima, ao humor e às relações sociais servem de alerta para a necessidade de reequilibrar o uso dessas plataformas com a vida fora do ambiente digital.

Passar algumas horas rolando o feed das redes sociais pode parecer uma experiência semelhante para todo mundo, mas os efeitos desse hábito estão longe de ser iguais. A idade, o momento de vida e, principalmente, a maneira como cada pessoa se relaciona com as plataformas ajudam a determinar como o mundo digital pode repercutir no bem-estar emocional.

Entenda como as redes sociais podem afetar a saúde mental de adolescentes, adultos e idosos e quais sinais indicam uma relação prejudicial
Entenda como as redes sociais podem afetar a saúde mental de adolescentes, adultos e idosos e quais sinais indicam uma relação prejudicial
Foto: Reprodução: JohnnyGreig/Getty Images Signature / Bons Fluidos

Enquanto adolescentes podem ficar mais vulneráveis à comparação e à necessidade de aprovação, adultos enfrentam o desafio de permanecer conectados praticamente o tempo inteiro. Já entre os idosos, as redes podem ser importantes aliadas contra a distância, embora o excesso também possa diminuir oportunidades de convivência presencial.

A psicóloga Suellen Martins, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, explica que não basta contabilizar quantas horas alguém permanece conectado. Também é necessário entender o que aquela pessoa encontra nas redes - e como se sente depois de fechar o aplicativo.

"Duas pessoas podem passar o mesmo número de horas na internet e ter experiências completamente diferentes. É preciso observar o que está sendo consumido e, principalmente, o que acontece depois. Se o uso começa a afetar o sono, os relacionamentos ou a forma como a pessoa se enxerga, é um sinal de que essa relação precisa ser revista", afirma.

Adolescentes: comparação e necessidade de aprovação

Na adolescência, período marcado pela construção da identidade e pela importância da aceitação social, as plataformas podem transformar curtidas, comentários e número de seguidores em uma espécie de termômetro de popularidade.

Há ainda outro fator importante: aquilo que aparece no feed raramente representa a vida inteira de alguém. Fotos de viagens, corpos considerados perfeitos, relacionamentos felizes e conquistas profissionais ou pessoais mostram apenas recortes cuidadosamente selecionados. Mesmo sabendo disso, comparar a própria rotina - com problemas, inseguranças e dias comuns - a essas versões editadas pode afetar a maneira como o jovem se percebe.

Por outro lado, a internet também pode funcionar como espaço de acolhimento e procura por informações. Dados da TIC Kids Online Brasil 2024 indicam que 41% dos usuários de 11 a 17 anos afirmaram que a internet já os ajudou a enfrentar alguma questão relacionada à saúde.

A busca por apoio emocional também aparece no levantamento. Entre adolescentes de 15 a 17 anos, 38% disseram ter procurado ajuda ou conversado sobre suas emoções na internet quando estavam tristes. Entre os jovens de 11 e 12 anos, esse percentual foi de 17%.

Também há diferença entre os gêneros: 33% das meninas relataram procurar ajuda ou conversar sobre sentimentos em momentos de tristeza, enquanto entre os meninos o índice ficou em 26%.

Adultos e a sensação de estar sempre disponível

Na vida adulta, as redes sociais passam a disputar atenção com outro elemento: o trabalho. O mesmo celular usado para conversar com amigos, acompanhar notícias ou assistir a vídeos também recebe e-mails, mensagens profissionais e notificações relacionadas ao emprego.

Com isso, a fronteira entre expediente e descanso pode ficar cada vez menos evidente. Mesmo depois de terminar as tarefas do dia, a sensação de que é preciso acompanhar mensagens ou responder rapidamente pode manter a mente em estado de alerta.

O problema, portanto, não está simplesmente em utilizar as redes, mas em permitir que a conexão ocupe momentos que deveriam ser destinados ao descanso, ao lazer e às relações fora das telas.

Para idosos, redes podem aproximar - mas não substituir encontros

Em outras fases da vida, a tecnologia pode assumir um papel bastante positivo. Para pessoas idosas, por exemplo, mensagens, chamadas de vídeo e redes sociais facilitam o contato com filhos, netos, amigos e familiares que vivem longe.

Essa facilidade, porém, não significa que a interação virtual deva substituir completamente a convivência presencial. Quando a maior parte das relações passa a acontecer pela tela e atividades sociais deixam de fazer parte da rotina, uma ferramenta criada para aproximar também pode acabar favorecendo o isolamento.

Por isso, o equilíbrio continua sendo fundamental: a tecnologia pode complementar os vínculos, mas encontros, passeios, conversas presenciais e outras experiências sociais também têm seu espaço.

Quando o uso das redes se torna um sinal de alerta?

Mais importante do que estabelecer uma quantidade universal de horas consideradas "saudáveis" é perceber mudanças no cotidiano. Alterações no sono, irritabilidade frequente, abandono de atividades antes prazerosas, isolamento e necessidade constante de conferir notificações merecem atenção.

"O alerta não está em usar ou não usar redes sociais. Está na mudança de comportamento. Quando a pessoa deixa de dormir bem, abandona atividades, se isola, fica mais irritada ou passa a verificar as plataformas de forma compulsiva, o uso deixou de ser apenas uma ferramenta de comunicação e passou a interferir na rotina", afirma Suellen.

O tema ganha ainda mais relevância durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização e à prevenção do suicídio. Isso não significa colocar as redes sociais como responsáveis isoladas pelo sofrimento psíquico. A saúde mental é influenciada por diferentes fatores, e cada história precisa ser considerada em sua complexidade.

Ainda assim, prestar atenção à maneira como o comportamento digital interfere no sono, na autoestima, nos relacionamentos e nas atividades cotidianas pode ajudar a perceber quando algo não vai bem. No fim das contas, talvez a pergunta mais importante não seja apenas quanto tempo passamos conectados, mas como estamos nos sentindo dentro e fora das telas.

Sobre a Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo

No Brasil desde 1922, a São Camilo pertence à Ordem dos Ministros dos Enfermos, fundada por São Camilo de Lellis. Além de hospitais, conta com Centros de Educação Infantil, Colégios e Centros Universitários.

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