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Terapia hormonal e tirzepatida podem intensificar perda de peso

Na pós-menopausa, a saúde metabólica deve ser prioridade: terapia hormonal reduz o risco de problemas cardíacos.

1 set 2026 - 20h11
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Resumo
Um estudo publicado na revista The Lancet revelou que a terapia hormonal pode potencializar o efeito da tirzepatida (Mounjaro), fazendo com que mulheres na pós-menopausa percam até 35% mais peso em comparação com as que usaram apenas o medicamento. Especialistas apontam que a reposição de estrogênio pode ajudar a intensificar a supressão do apetite e reduzir riscos cardiometabólicos típicos dessa fase, embora a combinação desses tratamentos exija avaliação e orientação ginecológica prévia.

Estudo sugere que mulheres que usam tirzepatida e também fazem terapia hormonal emagrecem mais

A terapia hormonal pode potencializar um dos principais medicamentos para perda de peso, a tirzepatida (Mounjaro). Desse modo, mulheres na pós-menopausa podem emagrecer bem mais. Esta é a conclusão de um estudo publicado recentemente na revista científica The Lancet Obstetricos, Gynaecology & Women´s Health. "Em média, essas mulheres perderam 35% mais peso em comparação com aquelas que usaram apenas tirzepatida. Os resultados apontam para novas possibilidades no tratamento da obesidade", explica a ginecologista Patricia Magier.

Mulheres que recorrem à terapia hormonal tendem a adotar comportamentos mais saudáveis e experimentar alívio dos sintomas da menopausa
Mulheres que recorrem à terapia hormonal tendem a adotar comportamentos mais saudáveis e experimentar alívio dos sintomas da menopausa
Foto: Magnific / Revista Malu

Pós-menopausa

Segundo ela, a pós-menopausa é uma fase em que a saúde metabólica deve ser prioridade, já que a falta de hormônios e o aumento de peso podem elevar o risco de problemas cardíacos e câncer.

"Essas alterações podem aumentar a probabilidade de problemas de saúde graves, incluindo doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. Além do ganho de peso, a queda dos níveis de estrogênio durante a menopausa pode desencadear outras alterações no organismo que aumentam ainda mais o risco cardiovascular", esclarece.

Para ela, o estudo divulgado pela revista científica fornece informações importantes para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes e personalizadas para o gerenciamento do risco cardiometabólico em mulheres na pós-menopausa. Risco cardiometabólico é a chance combinada que uma pessoa tem de desenvolver doenças no coração e nos vasos sanguíneos.

A especialista destaca que a terapia hormonal continua sendo a opção mais eficaz para aliviar os sintomas comuns da menopausa, como ondas de calor e suores noturnos. Esses sintomas afetam até 75% das mulheres na pós-menopausa. "No entanto, seu potencial para incrementar a ação de medicamentos para perda de peso ainda não era bem compreendido", pontua ela.

Entenda a pesquisa

Os pesquisadores analisaram dados de 120 adultos com sobrepeso ou obesidade que foram tratados com tirzepatida por pelo menos 12 meses. Eles compararam os resultados entre aqueles que também usaram terapia hormonal e aqueles que não usaram, garantindo que ambos os grupos tivessem características basais semelhantes. A análise mostrou que as mulheres que receberam ambos os tratamentos perderam mais peso.

Patricia Margier diz que ainda não é possível afirmar que a terapia hormonal gerou perda de peso adicional, mas sim que essa tendência existe. "Mesmo que seja possível que as mulheres que faziam terapia hormonal já adotem comportamentos mais saudáveis, ou que o alívio dos sintomas da menopausa tenha melhorado o sono e a qualidade de vida, esse é um efeito interessante que deve ser mais considerado na prática clínica", acredita ela.

Orientação profissional

De acordo com a médica, uma das hipóteses é que o estrogênio intensifica os efeitos supressores do apetite proporcionados pelas canetas emagrecedoras. Ela pondera, contudo, que é necessário buscar orientação junto a um médico ginecologista para entender se há a indicação para a terapia hormonal combinada com o uso da tirzepatida.

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