Protetor solar deve ser usado desde a infância! Entenda
O uso regular do protetor solar desde cedo é essencial para prevenir doenças de pele e promover uma relação mais saudável com o sol
A infância é um período de descobertas, brincadeiras ao ar livre e formação de hábitos que acompanharão o indivíduo por toda a vida. Entre esses costumes, a proteção solar tem ganhado cada vez mais destaque entre dermatologistas. Segundo o dermatologista Dr. Gustavo Novaes, especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), "o uso regular do protetor solar desde cedo é essencial para prevenir doenças de pele e promover uma relação mais saudável com o sol".
O sol é uma importante fonte de vitamina D, fundamental para o crescimento e o fortalecimento dos ossos das crianças. No entanto, a exposição excessiva e sem proteção pode causar queimaduras, manchas e, a longo prazo, aumentar o risco de câncer de pele.
"Embora o sol tenha benefícios, deve ser aproveitado com responsabilidade. A radiação ultravioleta é cumulativa, e os danos causados na infância podem se manifestar décadas depois", alerta o especialista.
De acordo com dados da SBD, cerca de 70% da exposição solar de toda a vida ocorre até os 18 anos, o que reforça a importância dos cuidados precoces. Pesquisas apontam que o uso regular de protetor solar na infância pode reduzir em até 78% o risco de câncer de pele não melanoma. Queimaduras repetidas nessa fase também aumentam significativamente o risco de melanoma, o tipo mais agressivo da doença.
Quando começar os cuidados com protetor solar
Dr. Novaes explica que o uso do protetor solar deve começar a partir dos seis meses de idade. Antes disso, a pele do bebê é extremamente delicada e tem maior risco de absorver substâncias químicas e sofrer irritações. "Nos primeiros meses de vida, a proteção deve ser exclusivamente física — roupas leves de algodão que cubram braços e pernas, chapéus de aba larga, guarda-sol e, principalmente, evitar a exposição solar direta entre 10h e 16h", orienta o dermatologista.
A partir dos seis meses, o uso do protetor solar torna-se uma ferramenta segura e indispensável, especialmente em momentos de lazer ao ar livre. "Proteger a pele das crianças deve ser um gesto diário, e não apenas em dias de praia ou piscina", reforça.
Na hora de escolher o produto, o especialista recomenda protetores com FPS mínimo de 50 e proteção contra raios UVA e UVB. "Os protetores infantis devem ser específicos para essa faixa etária, com fórmulas mais suaves, sem fragrâncias, parabenos ou álcool, e preferencialmente à base de filtros minerais, como óxido de zinco e dióxido de titânio — menos irritantes e mais seguros", explica.
Dr. Novaes orienta ainda que sejam usados produtos diferentes para o rosto e o corpo. "Os protetores faciais costumam ter textura mais leve e menor risco de obstruir os poros, enquanto os corporais são mais resistentes à água e ao suor."
Ele lembra que a reaplicação deve ser feita a cada duas horas, ou após banhos e suor intenso. Além do protetor solar, roupas com proteção UV, chapéus de aba larga e óculos escuros infantis completam a defesa contra os danos solares. "A combinação de barreiras físicas e químicas é o que realmente garante uma proteção eficaz", destaca.
Um investimento em saúde para a vida toda
A pele da criança é naturalmente mais sensível e requer cuidados redobrados. "Ela é até 30% mais fina do que a de um adulto e ainda tem a barreira cutânea em formação. Isso a torna mais vulnerável a queimaduras, desidratação e irritações", explica o dermatologista.
Segundo ele, a menor quantidade de melanina — pigmento que protege contra os efeitos do sol — também aumenta o risco de danos mesmo em exposições curtas. "Os danos solares sofridos na infância são cumulativos. Cada queimadura nessa fase se soma ao longo dos anos e eleva consideravelmente o risco de câncer de pele no futuro", reforça.
Para o especialista, criar o hábito da fotoproteção desde cedo é um investimento em saúde e prevenção. Além disso, o cuidado com a pele contribui para a autoestima e para a formação de hábitos saudáveis.
"Ensinar uma criança a cuidar da própria pele é também ensiná-la a cuidar de si mesma. Quando o uso do protetor solar vira rotina, como escovar os dentes ou tomar banho, formamos adultos mais conscientes, disciplinados e com uma relação positiva com o próprio corpo", ressalta Dr. Novaes.
Ele acrescenta que o exemplo dos pais é fundamental: "A criança repete o comportamento que vê. Quando os pais aplicam o protetor junto com os filhos, o cuidado vira um momento de conexão e aprendizado".
Promover desde cedo uma rotina de autocuidado ajuda a formar adultos mais conscientes e preparados para cuidar da própria saúde — um gesto simples que se transforma em um legado de proteção e bem-estar para toda a vida.