Beber muita água pode fazer mal? Entenda quando isso acontece
Beber água é um dos conselhos de saúde mais repetidos, e com razão. A hidratação adequada participa de praticamente todas as funções do corpo, da regulação da temperatura ao funcionamento dos rins. Mas existe um ponto pouco discutido. Será que dá para exagerar na água? Entender o equilíbrio ideal pode fazer diferença no seu bem-estar.
Segundo o médico Roberto Galvão, do Canal Nefrologista do Youtube, a quantidade ideal de água varia de pessoa para pessoa.
"A média recomendada é de 30ml por kg de peso, o que equivale a cerca de 2 litros por dia para um adulto de 70kg. No entanto, essa necessidade pode aumentar em climas quentes ou diminuir em climas frios", explica.
Ainda assim, fatores como clima, nível de atividade física e estado de saúde mudam bastante essa conta.Em dias quentes ou durante exercícios, por exemplo, a perda de líquidos aumenta e o corpo naturalmente pede mais reposição. Já em temperaturas mais frias, a sede pode diminuir.
"É importante que cada indivíduo tenha autopercepção do funcionamento do próprio corpo, estando atento ao bem-estar. Se a abundância de água estiver causando enjoo, é sinal de que já houve exagero", alerta.
Mais do que seguir números rígidos, observar o próprio organismo é uma estratégia simples e eficaz.
Um dos indicadores mais práticos é a urina. Quando está muito clara, indica hidratação elevada. Já a cor amarelo escuro pode sinalizar falta de água.
Outro ponto importante é o desconforto. Sensação de estômago pesado ou enjoo ao beber água pode indicar que você passou do ponto.
Quando beber mais água é necessário
Existem situações específicas em que aumentar a ingestão hídrica faz parte do tratamento. Pessoas com histórico de cálculos renais, por exemplo, frequentemente precisam consumir entre 3 e 4 litros por dia para ajudar na prevenção de novos episódios.
Por outro lado, há condições em que beber água demais pode ser prejudicial. Doenças como insuficiência renal, cardíaca ou cirrose exigem controle rigoroso da ingestão de líquidos. Nesses casos, o excesso pode causar inchaço, acúmulo de líquidos e complicações mais sérias.
O perigo invisível para atletas
Em situações extremas, como maratonas ou provas de longa duração, existe um risco menos conhecido, a hiponatremia.
Esse quadro acontece quando a pessoa perde muito sódio pelo suor e repõe apenas água, diluindo o sódio no sangue.
"Neste caso, a reposição de água pura leva a uma redução importante do sódio corporal conhecida como hiponatremia, que leva a convulsões e perda da consciência, por conta do edema cerebral causado pela queda repentina do sódio", diz o médico.
Por isso, atletas de alta performance precisam de estratégias específicas, como o uso de isotônicos e reposição de eletrólitos.
Para a maioria das pessoas saudáveis, beber entre 2 e 4 litros por dia costuma ser seguro. Mas o mais importante não é atingir um número exato. O ideal é ajustar a ingestão ao seu corpo, à sua rotina e aos sinais que ele envia.