Pós-operatório de cirurgia plástica: o que fazer?
O pós-operatório influencia os resultados e a cicatrização do procedimento; conheça cuidados essenciais
Segundo o especialista Jairo Casali, cuidados após o procedimento são determinantes para uma recuperação saudável
O sucesso de uma cirurgia plástica não depende apenas do procedimento em si, mas também dos cuidados adotados no pós-operatório. O processo de cicatrização e possíveis reações do organismo, como inchaço, inflamação e aparecimento de fibroses, fazem parte do período de recuperação e exigem atenção redobrada.
Cuidados essenciais no pós-operatório de cirurgia plástica
Segundo o médico cirurgião plástico Jairo Casali, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), o período após a cirurgia é crucial para garantir o resultado esperado com a cirurgia. O especialista reforça a importância de manter uma alimentação equilibrada, garantir uma boa hidratação diariamente e evitar o consumo de álcool e tabaco - fatores que podem prejudicar a cicatrização.
"Entre os principais cuidados também estão seguir rigorosamente as orientações do cirurgião, usar corretamente as malhas compressivas quando indicadas, evitar esforço físico nas primeiras semanas e manter a área operada limpa e protegida", explica o médico.
Durante a recuperação, é comum que pacientes apresentem inchaço e inflamação, já que essas respostas fazem parte do processo natural do organismo após uma cirurgia - sendo plástica ou não. Para amenizar esses efeitos, recomenda-se algumas medidas, como repouso adequado, uso de cintas compressivas e drenagem linfática. Para Casali, evitar excesso de sal na alimentação e, claro, beber muita água também pode ajudar no processo de desinflamação. Em casos mais graves, o cirurgião responsável pode prescrever anti-inflamatórios ou analgésicos.
Pontos ou colas cirúrgicas: qual o melhor para o pós-operatório?
Além disso, o tipo de fechamento da pele também pode impactar o processo de cicatrização. "Os pontos cirúrgicos e as colas cirúrgicas são métodos diferentes de fechamento da pele após uma cirurgia. Um não anula o outro e é mais comum que ambos sejam usados na mesma cirurgia. Os pontos com fios diminuem mais a tensão na área suturada. Já a cola cirúrgica funciona como um curativo, um adesivo sintético que funciona isolando a área da cicatriz do meio externo por cerca de três semanas. Ambos podem proporcionar boas cicatrizes quando utilizados de forma adequada. Geralmente, usa-se a cola por último, após a sutura com fios intradérmicos."
E em casos de fibrose?
Já a fibrose é uma resposta do organismo à cicatrização. Ela ocorre quando há produção excessiva de tecido cicatricial, formando áreas endurecidas sob a pele. Pode ocorrer principalmente em cirurgias que envolvem descolamento de tecido, como na lipoaspiração e na abdominoplastia.
"Para minimizar o risco, são indicadas medidas como drenagem linfática especializada, uso de cintas compressivas, sessões de fisioterapia dermatofuncional e acompanhamento médico regular. Quanto mais precoce o diagnóstico, mais fácil é o tratamento", orienta o cirurgião.
A predisposição à fibrose pode variar de pessoa para pessoa. Fatores como características individuais de cicatrização, genética, extensão da cirurgia e até mesmo o cuidado no pós-operatório influenciam no surgimento dessas alterações. Os pacientes que não seguem corretamente as orientações médicas, por exemplo, podem apresentar maior risco.
Os médicos podem tratar a fibrose com diferentes abordagens quando a identificam. As mais utilizadas são a compressão com malhas, drenagem linfática especializada e terapia de mecanomodulação manual - técnica que usa estímulos físicos para influenciar o tecido que está em processo de cicatrização. Também é possível recorrer a tratamentos com o uso de ultrassom, radiofrequência e outras técnicas de fisioterapia dermatológica. Em alguns casos, o médico também pode indicar medicamentos ou procedimentos complementares.