Por que o tédio é importante para o cérebro? Neurocientista explica
Em novo livro, a neurocientista Rachel Barr combina ciência e linguagem acessível para ensinar como sair do modo automático
Como é a relação com o seu cérebro? Você cuida dele ou apenas exige que funcione, produza, responda, acompanhe? Entre notificações, vídeos em velocidade 2.0, algoritmos que tomam decisões, mensagens que não cessam, telas sempre ligadas e uma atenção cada vez mais fragmentada, muitas das ações humanas acontecem no piloto automático: sem pausa, sem reflexão, sem presença.
Isso foi naturalizado, ainda que o cérebro não tenha sido feito para sustentar tantos estímulos ao mesmo tempo. Esse desgaste silencioso é o ponto de partida de Por dentro da mente, livro da neurocientista Rachel Barr. Embasada na neurociência e sem prometer de fórmulas rápidas, ela mostra que o cérebro não é um software a ser otimizado, mas um organismo vivo, moldado por hábitos, emoções, vínculos e limites. Entender isso muda a forma com que se lida com estresse, ansiedade, o sono, o corpo, o foco e as conexões humanas.
Cérebro sobrecarregado
Conceitos complexos como neuroplasticidade, identidade cerebral e regulação emocional são apresentados em linguagem acessível, sempre conectados a situações concretas. O leitor entende, por exemplo, porque o ambiente digital pode intensificar a sensação de exaustão mental, como o sono e o movimento reorganizam emoções e memórias, e de que maneira pequenos ajustes propositados criam novos caminhos neurais ao longo do tempo.
"Talvez você compre um saquinho de sementes de flores silvestres e plante no primeiro terreno abandonado que encontrar. Ou combata os cantos sombrios da internet deixando um comentário gentil por dia durante um mês. [...]. Esses pequenos atos intencionais não apenas se acumulam com o tempo, mas também aumentam as chances de que, em algum momento, você descubra algo que lhe traga uma sensação especial de realização." (Por dentro da mente, p. 21).
Neurociência aplicada
A fim de melhorar a relação com o próprio cérebro, a autora apresenta ao final de cada capítulo, resumos e orientações que ajudam transformar cada informação em ação prática. Este recurso é útil tanto para quem busca compreender a própria mente, quanto para quem deseja aplicar este conhecimento no cotidiano, para transformar os pensamentos, sejam positivos ou negativos, em aliados para desenvolver um espaço seguro de autoexpressão.
Quando o mundo hiper conectado sobrecarrega a cabeça e as palavras não dão conta do que se sente, a neurocientista propõe recorrer à criatividade como via de elaboração emocional: desenhar, escrever, moldar, criar sem julgamento ou preocupação com resultado. A prática criativa ajuda o cérebro a organizar experiências complexas, reduz a exaustão mental e estimula a neuroplasticidade. Ao desafiar-se com limites simples e repetir esse exercício ao longo do tempo, a pessoa fortalece conexões neurais ligadas à flexibilidade cognitiva, à regulação emocional e à resiliência.
Por dentro da mente, publicado no Brasil pela Latitude, é um convite para superar limites, sair do modo automático, abraçar a própria autenticidade e aprofundar o autoconhecimento, além de construir relações mais saudáveis com a própria consciência.
*Fonte: LC - Agência de Comunicação