Unamuno, escritor e filósofo: "Cada pessoa é, na realidade, três: aquela que ela acredita ser, aquela que os outros acreditam que ela seja e aquela que ela realmente é."
Uma questão de identidade que se intensificou nos últimos anos com o surgimento das redes sociais.
Tiramos uma foto. Olhamos para ela por alguns segundos, damos zoom, olhamos de novo. Na verdade, é uma foto perfeitamente normal, mas ainda assim não a publicamos. Talvez porque não nos reconheçamos nela, ou talvez porque nos reconheçamos demais. Há uma estranha distância entre a imagem que vemos de nós mesmos e aquela que queremos ou achamos que os outros verão.
Muito antes do Instagram, dos filtros que alteram rostos sem deixar vestígios ou da possibilidade de editar uma fotografia com alguns toques na tela, Miguel de Unamuno já havia traduzido em palavras um sentimento presente nesse conflito.
"Na realidade, cada um de nós é três: aquele que acreditamos ser, aquele que os outros acreditam que somos e aquele que realmente somos."
A frase pertence à sua obra-prima de ensaios, "O Sentido Trágico da Vida", publicada originalmente em 1912. Trata-se de um tratado filosófico no qual Unamuno analisa a angústia existencial, a imortalidade e a identidade humana. Nos capítulos dedicados à personalidade e ao eu interior, ele desenvolve esse paradoxo para explicar a fragmentação que os seres humanos vivenciam no cotidiano.
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