O que você deve saber sobre a ameba "comedora de cérebro" que levou à interdição de lagos no México
Após a morte de um homem no México, autoridades interditaram seis lagos devido à presença da Naegleria fowleri, a ameba "comedora de cérebro". Rara mas fatal em 97% dos casos, ela habita águas doces e mornas, infectando humanos através do nariz até atingir o cérebro e causar grave inflamação necrosante. Embora haja opções de tratamento com antifúngicos e antibióticos, a rápida evolução da infecção dificulta a cura, cenário que pode se agravar com o aquecimento das águas pelas mudanças climáticas.
Morte de homem causada por parasita leva à interdição de seis lagos na região turística de Yucatán, no México. Embora infecções sejam raras, em 97% dos casos são fatais. Veja como se proteger.Uma infecção pela ameba Naegleria fowleri é rara, mas quase sempre fatal. Por isso, as autoridades do estado mexicano de Yucatán interditaram seis lagos onde o parasita foi detectado. Em setembro, um homem de 34 anos que trabalhava como instrutor de esqui aquático morreu devido a uma inflamação cerebral provocada pela Naegleria fowleri.
Também nos Estados Unidos, pessoas morrem ocasionalmente em decorrência dessa ameba. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), menos de dez pessoas por ano desenvolvem a chamada meningoencefalite amebiana primária (PAM). No entanto, as consequências da infecção são dramáticas: 97% dos infectados morrem.
Onde existem amebas "comedoras de cérebro"?
A Naegleria fowleri é termófila, ou seja, prefere água doce quente e solos aquecidos. Por isso, está presente principalmente em regiões subtropicais e tropicais. Segundo o Instituto Robert Koch (RKI), da Alemanha, durante os meses de verão ela também pode ser encontrada em corpos d'água naturalmente ou artificialmente aquecidos em zonas de clima temperado. De acordo com o CDC, a Naegleria fowleri se reproduz melhor em temperaturas entre cerca de 30 °C e 46 °C.
Em casos raros, esses organismos unicelulares também prosperam em piscinas insuficientemente cloradas ou na água potável contaminada. Já em água salgada, a Naegleria fowleri não sobrevive.
O que acontece em uma infecção por Naegleria fowleri?
Normalmente, as amebas se alimentam de bactérias encontradas na água e no solo. Em alguns casos, porém, a ameba entra no organismo humano pelo nariz. Isso pode ocorrer durante atividades como nadar, mergulhar ou até mesmo ao limpar o nariz com água contaminada. A partir daí, a Naegleria fowleri avança pelo primeiro nervo craniano (nervo olfatório), responsável pelo olfato, até chegar ao cérebro.
O período de incubação, ou seja, o tempo entre a infecção e o aparecimento dos sintomas, varia de três a 14 dias. Os infectados desenvolvem febre e sofrem com náuseas, vômitos e dores de cabeça. Em seguida, surgem alterações de percepção e de movimento. Ocorre então uma chamada meningoencefalite hemorrágica necrosante, uma inflamação cerebral que destrói o tecido do cérebro. Os pacientes entram em coma e, na maioria dos casos, morrem.
Segundo o CDC, a infecção por Naegleria fowleri só é possível pela entrada da ameba pelo nariz. Não há transmissão por gotículas respiratórias ou aerossóis no ar. Também não há risco de infecção ao ingerir água contaminada.
Como a infecção é tratada?
Quem apresentar dores de cabeça, rigidez na nuca, febre e vômitos após nadar em um lago de água quente deve procurar atendimento médico imediatamente.
Para tratar a meningoencefalite amebiana primária (PAM) são utilizados rifampicina, um antibiótico, e anfotericina B, um antifúngico, administrados em combinação com outros fármacos. Esses medicamentos já foram utilizados com sucesso em pacientes que sobreviveram à doença.
A miltefosina, medicamento originalmente desenvolvido como agente anticâncer e posteriormente utilizado no tratamento da leishmaniose, é o medicamento mais recente que tem demonstrado potencial promissor contra a ameba.
Como a PAM é extremamente rara e a doença evolui muito rapidamente após seu início, a busca por tratamentos eficazes é particularmente difícil.
A crise climática pode agravar o problema, já que o aumento da temperatura do ar também eleva a temperatura das águas. Segundo o CDC, atualmente não apenas pessoas dos estados do sul dos Estados Unidos são infectadas; casos também vêm sendo registrados no norte do país.
Por enquanto, a verdade é que a Naegleria fowleri está longe de representar o maior perigo presente em ambientes aquáticos: entre 2012 e 2021, enquanto 31 pessoas desenvolveram PAM nos Estados Unidos, mais de 4 mil pessoas morreram afogadas no período.
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