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'Não podia ser o fim': ela convive com câncer malígno há 11 anos e encontrou nos cuidados paliativos a esperança

Apesar do diagnóstico, a contadora de 64 anos mostra como o tratamento trouxe dignidade, qualidade de vida e novas experiências

27 ago 2025 - 04h59
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Aos 53 anos, Regina Gattermeyer foi diagnosticada com um adenocarcinoma no sigmóide, um câncer maligno e sem cura
Aos 53 anos, Regina Gattermeyer foi diagnosticada com um adenocarcinoma no sigmóide, um câncer maligno e sem cura
Foto: Arquivo Pessoal

Regina Gattermeyer tinha 53 anos quando descobriu o câncer. Apesar das dores, o perfeccionismo ligado à vida profissional impediu que a contadora pausasse o trabalho para focar na saúde. Foram os filhos que, depois de 6 meses do início dos sintomas, levaram a mãe ao hospital para realizar exames.

O primeiro susto veio depois de uma ultrassonografia: ela tinha uma massa de 10 centímetros no intestino. A pausa veio de forma abrupta e inesperada quando Regina precisou ser internada para uma cirurgia de emergência. Após o procedimento, outro susto: o diagnóstico de um adenocarcinoma no sigmoide, um câncer que se desenvolve nas células glandulares do cólon sigmoide, a parte do intestino grosso que se conecta ao reto. Um câncer maligno e sem cura. 

Regina iniciou, então, o tratamento no Hospital A.C Camargo Cancer Center, um centro especializado no tratamento de câncer em São Paulo (SP). Logo no início, foram prescritas 13 sessões de quimioterapia e, em seguida, um PET Scan (Tomografia por Emissão de Pósitrons) que identificou metástase no fígado e no pulmão esquerdo.

Foi com pensamento positivo que ela encarou uma longa cirurgia no fígado, em que precisou retirar 70% do órgão. “Foi realmente muito pesada, a família toda estava muito desesperada. Quando eu acordei, no décimo segundo dia da cirurgia, eu falei: 'que bom que já acabou', achando que eu tinha feito a cirurgia naquele momento”, relembra a paciente.

Foram dias de internação até Regina ser novamente liberada para mais cinco sessões de quimio. Só então foi realizada a cirurgia no pulmão esquerdo. Ela explica que apesar de não lembrar a quantidade de tumores que foram retirados, a sua recuperação foi muito mais rápida e, em menos de uma semana, ela já estava em casa, pronta para retomar as quimioterapias.

“Um divisor de águas”, diz Regina sobre o tratamento paliativo
“Um divisor de águas”, diz Regina sobre o tratamento paliativo
Foto: Arquivo Pessoal

A parte mais intensa do tratamento chegou ao fim, mas ela não estava curada. Regina precisou continuar com o acompanhamento e, a cada 2 meses, voltava ao hospital para fazer um novo PET Scan. Ela conta que novos tumores aparecem, mas que estão controlados e que, por isso, não precisou passar por novas cirurgias. 

Depois das cinco últimas sessões de quimioterapias, um novo vilão apareceu:  “Eu já tinha dores, mas eu não reclamava. Até que chegou um dia que eu falei para ele: ‘doutor, agora, eu estou sentindo muita dor”, explicou.

As idas ao hospital se tornaram menos recorrentes, e o câncer se tornou uma doença crônica. E lá se foram 11 anos. Mas, com o tratamento certo, o câncer não a impede de continuar vivendo com qualidade de vida. E isso só foi possível por causa dos cuidados paliativos.

Regina conta que sentia dor no corpo inteiro e que foi por isso que o seu médico a encaminhou para os cuidados paliativos. “Não me veio à mente que era o fim, que estava acabando o meu tempo. Depois de ouvir as pessoas dizerem que ali era o último passo, eu falei: ‘não, não pode ser isso’. A minha confiança era tanta que eu não me permiti ficar pensando de forma pessimista”.

Segundo ela, os cuidados paliativos fizeram uma grande diferença em sua vida. Ao se sentir bem, ela conta que pôde continuar experimentando coisas novas, como uma viagem entre amigas ou cuidar de sua horta.

“Os cuidados paliativos foram um divisor de águas. Eu tinha confiança, tinha pensamentos positivos, mas não era tanto. Eu precisava dessa profissional séria que cuidasse de mim”, reforça.

Cuidados Paliativos x Tratamento Paliativo

Os cuidados paliativos costumam ser confundidos com o tratamento paliativo e, por isso, ainda carregam o estigma de estarem ligados apenas ao fim da vida. Mas, como explica Joaquim Pinheiro Vieira Filho, chefe do Serviço de Cuidados Paliativos do A.C. Camargo, há uma diferença fundamental entre os dois conceitos.

Enquanto o tratamento paliativo foca diretamente na doença, o cuidado integral se volta para a pessoa. Essa abordagem é feita por uma equipe multidisciplinar, que oferece suporte físico, emocional, espiritual e social, sempre com o objetivo de garantir qualidade de vida. Dessa forma, o paciente pode retomar a rotina e manter o sofrimento sob controle.

“O sofrimento de uma pessoa com câncer independe de um cuidado curativo”, reforça o especialista. Para ele, o acompanhamento não deve ser restrito à fase final da vida: alguém recém-diagnosticado também pode se beneficiar, ganhando mais conforto e bem-estar ao longo do processo.

Esse tipo de assistência, no entanto, não é exclusivo de quem enfrenta um tumor. Pessoas com diferentes doenças crônicas ou graves também podem buscar equipes especializadas.

O Hospital A.C. Camargo é uma das principais referências nesse atendimento. Entre julho de 2024 e julho de 2025, foram acompanhadas 1.812 pessoas, sendo 424 pelo Sistema Único de Saúde (SUS), 1.343 por planos de saúde e 45 de forma particular.

Os principais motivos que levam ao pedido de interconsultas para o acompanhamento de pacientes internados são:

  • Controle de Sintomas
  • Perda / Piora / Queda de performance clínica
  • Acompanhamento em conjunto por ser um paciente ambulatorial dos Cuidados Paliativos
  • Início de Vínculo com a equipe de Cuidados Paliativos
  • Comunicação de Más Notícias
  • Necessidade de Reunião com Paciente e/ou Familiares para:
  • Conversar sobre prognóstico
  • Realizar planejamento antecipado de cuidados
  • Definir as diretivas antecipadas de vontade do paciente
  • Fase final de vida

Nos últimos anos, o tema vem ganhando espaço na área da saúde. Desde 2022, por exemplo, o Ministério da Educação tornou obrigatória a inclusão da disciplina de cuidados paliativos nas graduações de medicina. Já em 2024, foi aprovada a Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP). Segundo Vieira Filho, porém, a execução da política ainda depende da liberação de recursos.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que o PNCP representa um importante avanço para assegurar o acesso à abordagem paliativa. "Em parceria com os hospitais Sírio-Libanês, Albert Einstein e Beneficência Portuguesa de São Paulo, o Ministério da Saúde avançou na capacitação de profissionais, contemplando mais de 6,2 mil unidades de saúde distribuídas em 24 estados, de todas as regiões do país."

O governo também cita a oferta de cursos de extensão sobre cuidados paliativos, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), contemplando 10 mil profissionais de saúde em diferentes pontos da rede, bem como o reforço do Hospital Estadual Monte Serrat, na Bahia, o primeiro hospital público do Brasil dedicado exclusivamente aos cuidados paliativos.

"A abordagem paliativa está disponível em toda a estrutura do SUS, e os pacientes podem procurar atendimento na Atenção Primária à Saúde (APS) por meio das Unidades Básicas de Saúde. Todos os estados e o Distrito Federal participam do Grupo de Trabalho do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) sobre Cuidados Paliativos”, pontuou o Ministério da Saúde.

Como acessar os cuidados paliativos pelo SUS

Os cuidados paliativos são um direito do cidadão brasileiro e podem ser acessados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Veja o passo a passo a seguir, baseado no site do Ministério da Saúde:

  • Vá até a Unidade Básica de Saúde (UBS) do seu bairro com documentos e cartão do SUS;
  • Converse com o médico ou equipe da UBS, explicando sua condição e pedindo avaliação para cuidados paliativos;
  • Receba o encaminhamento: se houver indicação, a UBS solicita vaga no serviço especializado pelo sistema de regulação;
  • Aguarde o contato do serviço de saúde (hospital, ambulatório ou atendimento domiciliar) para marcar a primeira consulta;
  • Compareça à consulta inicial, levando exames e laudos médicos;
  • Siga o plano de cuidado, que pode incluir visitas em casa, consultas periódicas e apoio da equipe multiprofissional.
Fonte: Redação Terra
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