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Reflexões sobre o fim do ano letivo, empatia e porta da escola

12 dez 2017
11h30
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Reflexões sobre o fim do ano letivo, empatia e porta da escola

Hoje fui levar minhas filhas pra escola sem escovar os dentes e usando brinco numa orelha só.Vai dizer que isso nunca aconteceu com você? E vai dizer também que nunca aconteceu de justamente nesse dia você encontrar aqueles pais que você conhece, mas não tem tanta intimidade a ponto de dizer que seria melhor fazer a higiene bucal antes de comentar sobre a pedagogia adotada pela direção em 2017?

Foto: Mãe com Prosa

Sempre que deixo minhas meninas na aula penso que não existe situação mais ideal para exercitar a empatia. É ou não é?
Fico olhando para aqueles pais e imaginando tudo o que passaram até às 7h15. Eu pelo menos já vivi uma vida até a entrada da escola! Observo com compaixão pra aquele pai que todo santo dia caminha carregando um dormindo e outro fazendo birra até a sala de aula. E tem aquela mãe no nono mês de gestação que bota a metade do corpo no banco de trás do carro para puxar amorosamente ( e muitas vezes com ódio mortal) a filha que insiste em não sair da cadeirinha. E tem o avô que perdeu o pique, mas não a vontade de participar da rotina dos netos e levanta cedo pra enfrentar mochilas no meio do caminho e adolescentes que te atropelam porque bateu o primeiro sinal.

Mas cla-ro que tem aquelas mães lindas, de cabelos escovados, salto fino e maquiagem bem acabada que despertam a minha devoção. Que horas programaram o despertador do celular, meu Deus? E deram café pros filhos? E controlaram aquele mau-humor matinal do mais velho? E perceberam que o tênis do caçula não serve mais, bem na saída de casa e ainda chegaram no horário?

Quanta evolução!
São reflexões que faço enquanto uso minha calça de moletom e meu par de chinelos.

Tenho a sensação de que o calendário escolar é eterno, que o ano nunca mais vai terminar, que férias são utopia, que a maratona matinal não terá mais fim!!!!!! Mas aí me lembro que Elisa e Manu estão crescendo em direção ao terceiro ano e que em 2018 não preciso mais deixá-las na porta da sala, bater aquele papo com a professora (tá tudo bem com elas?), ver o posto de gasolina que fizeram com sucata, dar um segundo tchauzinho e ficar um tempo olhando pra elas e viajando. Nossa, como são simpáticas e que escola legal que eu escolhi….

Me lembro também que ano que vem poderei dispensar tudo isso e permanecer confortavelmente no "pit stop", aquela fila interminável de carros com pais de pijama, brinco numa orelha só e dentes que ainda não foram escovados. Já tô aliviada e cheia de saudades.

Mãe com Prosa

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