Lições de Buda ultrapassam os limites da religião
O trânsito parado, os motoristas mal-humorados e o som estridente das buzinas invadindo ruas e casas. Cenas assim são bastante comuns nas cidades grandes. Infelizmente, é raro alguém que consiga manter o controle diante desse cenário de caos.
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Por isso, filosofias e religiões orientais - que buscam o bem-estar e o autodesenvolvimento - estão cada vez mais presentes no Ocidente. É o caso do budismo, que teve origem na Índia, país que está em alta na mídia por conta da novela global Caminho das Índias.
Apesar de a obra de Gloria Perez não contemplar necessariamente as lições budistas - no enredo, a autora vai se ater ao hinduísmo, mais difundido naquele país -, os ensinamentos de Buda caem como uma luva na realidade ocidental e ganham a adesão até de não-praticantes da religião.
"Algumas pessoas gostam de partes dos ensinamentos budistas, porque eles são muito lógicos", afirma York Stillman, dirigente regional da América Latina do grupo budista Shambhala. Stillman é um exemplo disso. Nasceu em uma família cristã e afirma não ter fugido do cristianismo. "Eu apenas me apaixonei pelos ensinamentos e práticas budistas".
O budismo não promete milagres e deixa claro que é preciso muito estudo e dedicação para se livrar do estresse, da mania de se preocupar com o futuro ou de viver preso ao passado, da ganância e da ansiedade. Para isso, conta com o exercício da paciência, generosidade, ética, empenho, concentração e da sabedoria.
Seja mais bem-humorado
O tradutor Ivan Yuchuang Lin, do Centro de Meditação Fo Guang Shan, dá algumas dicas de como colocar em prática as lições budistas. "Ao se levantar, olhe para o espelho e sorria, ajude as pessoas, tenha bom humor e pense positivo. Isso ajuda a desestressar e a viver mais alegre", resume. Ivan é budista há três anos e afirma ter ficado mais calmo após o estudo dos conceitos ensinados por Buda.
Lembre-se que toda ação produz um efeito
A jornalista Monica Cruz, de 24 anos, acredita ter mudado sua vida após colocar em prática o ensinamento de causa e efeito. "Se estou sofrendo agora é porque, em determinado momento, nesta ou em outra existência, fiz algo de errado - e preciso aprender com o erro. Tudo o que faço hoje terá reflexo amanhã ou depois", explica. Por isso, passou a rever suas atitudes, pensamentos e palavras, e a frear comportamentos que acreditava serem prejudiciais.
Monica entrou em contato com o budismo em 2002. "Você pode aprender muito com o budismo, mesmo seguindo outras religiões. Minha espiritualidade mistura muitas crenças diferentes. Hoje, sigo mais os ensinamentos do budismo e das religiões pagãs, como bruxaria e xamanismo".
Viva o presente
Nada de ficar lamentando o passado ou imaginar o futuro e sofrer por antecipação. Viva o presente. "É no presente que as coisas podem ser feitas. Não adianta ficar divagando. Isso só aumenta a ansiedade", conta Marie Souza, budista há três anos.
Pratique o desapego
A ganância está mais do que presente na sociedade capitalista. Um dos ensinamentos do budismo é praticar o desapego. Isso não significa abandonar todos os bens materiais, mas saber o que eles realmente significam para você. "Errado não é comprar uma Ferrari, mas sim achar que precisa dela", simplifica Oddone Marsiaj, instrutor de meditação, professor de budismo e diretor de programas de aprendizado da religião, do grupo de meditação Shambhala Brasil.
O apego também não pode ser confundido com o amor. "É impressionante como é difícil distinguir entre esses dois sentimentos. Poderíamos até dizer que, de modo geral, avaliamos a intensidade de nosso amor pelo nível de apego que sentimos pela pessoa amada. No entanto, apego e amor são experiências distintas", explica a psicóloga clínica Bel Cesar, que presidiu o Centro de Dharma da Paz por 16 anos. De acordo com Bel, o amor acalma e organiza internamente, enquanto que o apego deixa as pessoas inseguras e agitadas.
Além disso, a psicóloga destaca a necessidade de que tudo deva ficar livre para ser transformado. "Ao acreditarmos que um dia as coisas deixarão de existir, nos apegamos momentaneamente a elas, na tentativa de controlá-las. Desta forma, querendo que nada mude, estamos agimos exatamente ao contrário da natureza", explica a psicóloga.
Tenha tempo para meditar
Bel Cesar é mãe do Lama Michel Rinpoche, que se tornou monge aos 12 anos e viveu por 10 anos na Índia. A psicóloga se orienta pelos ensinamentos budistas para atender pacientes terminais desde 1991. A sua meta principal é mantê-los num estado mental positivo.
"A prática faz com que as pacientes se habituem a focar a mente e prestar mais atenção no presente. Assim, não pensam no que gostariam que tivesse acontecido e nem antecipam coisas boas ou más. Depois, essa atitude é aplicada na própria vida", completa o instrutor de meditação Oddone Marsiaj.
Engana-se quem pensa que é preciso ficar longas horas exercitando a capacidade de concentração. O instrutor afirma que bastam 10 minutos e aconselha o acompanhamento de um profissional. "Até mesmo ler um livro longo é uma forma de treinar a atenção", esclarece Marsiaj.
O tradutor Ivan Lin conta que, para meditar, presta atenção na respiração. "Observo o ar entrando e saindo. Mentalizo o ar impuro saindo. Deixo a agitação de lado e isso me dá uma sensação de tranquilidade", resume.
Serviço
Centro de Meditação Fo Guang Shan, São Paulo, SP Telefone: (11) 3207-0662
E-mail: centrofgs@templozulai.org.br
Site: www.templozulai.org.br
IBPS, Rio de Janeiro, RJ
Tel.: (21) 2520-9058
E-mail: zulai@templozulai.org.br
Site: www.templozulai.org.br
Shambhala Centro de Meditação, São Paulo, SP
Tel.:(11) 3717-1418
E-mail: info@shambhala-brasil.org
Site: www.shambhala-brasil.org
Templo Zu Lai, Cotia, SP
Tel.: (11) 4612-2895
E-mail: zulai@templozulai.org.br
Site: www.templozulai.org.br
Templo Fo Guang Shan, Olinda, PE
Tel.: (81) 3432-0023/3429-1194
Site: www.templozulai.org.br
Vida de Clara Luz (Bel Cesar), São Paulo, SP
Tel.: (11) 3872-6858
Site: www.vidadeclaraluz.com.br