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Martha Nussbaum, filósofa: "A fragilidade não é uma falha do sistema. É o preço de uma vida que realmente importa"

Pensadora questiona a ideia de que as emoções precisam ser sempre controladas e coloca em dúvida a forma tradicional de encarar o sentir

22 mai 2026 - 14h54
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Branislav Nenin/Shutterstock
Branislav Nenin/Shutterstock
Foto: Minha Vida

Martha Nussbaum é uma filósofa estadunidense vencedora do Prêmio Príncipe de Astúrias de Ciências Sociais em 2012. Considerada uma das filósofas morais mais influentes do mundo, seu pensamento vai na contramão de uma corrente que ganhou força nos últimos anos: o estoicismo. A pensadora valoriza as emoções e não acredita, como os estoicos, que estejamos presos a elas, mas sim que elas nos moldam e nos ajudam a viver.

Partamos de uma base simples: as emoções não são nem boas nem más. Todas são válidas e não deveriam ter um valor moral positivo ou negativo. O que, sim, tem valor moral são as decisões que tomamos a partir de uma emoção. 

Essa ideia defendida por Nussbaum rompe, de forma quase poética, com a visão tradicional que coloca razão e emoção como duas forças em constante conflito e, sobretudo, com a ideia de que sentir raiva, ira ou tristeza é algo ruim e que deve ser evitado. Como explicava a psicóloga Iria Reguera, não podemos evitar sentir emoções negativas, assim como não podemos evitar a alegria ou a diversão quando elas surgem.

Em 'Paisagens do Pensamento', Nussbaum escrevia que "as emoções não são impulsos cegos, mas juízos inteligentes sobre o valor das coisas; são a forma como nos abrimos à vulnerabilidade e ao mundo". Elas são valiosas porque nos permitem, a partir delas, fazer julgamentos. 

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