Marcos Mion no Dia dos Pais: 'Ser pai é o ramo onde mais me consolido'
O apresentador Marcos Mion fala à CARAS Brasil sobre paternidade, filhos e os valores que pretende deixar como legado
Neste Dia dos Pais (10), Marcos Mion (46) celebra a data com o coração transbordando de gratidão. Pai de Romeo (20), Donatella (16) e Stefano (15), frutos do casamento com Suzana Gullo (47), o apresentador da Globo revela que ser pai é sua maior prioridade e a função que mais o realiza.
"Ser pai é o ramo onde mais me consolido. Acho que entendo mais de paternidade do que da minha profissão!", declara.
Uma transformação para a vida toda
Mion relembra o momento em que a paternidade entrou em sua vida e como ela mudou tudo: "A paternidade foi absolutamente revolucionária na minha vida, apesar de extremamente desejada e planejada. Era o grande sonho da minha vida: formar minha família. Tenho até uma lembrança de fazer esse desejo ao cortar o bolo no meu aniversário de 16 anos, mas só tomei a dimensão do impacto dessa responsabilidade no momento em que segurei o Romeo nas mãos", conta.
Mesmo diante das dificuldades no parto, ele se viu completamente transformado: "Foi lindo porque, mesmo com todas as dificuldades do parto do Romeo, eu entendi tudo e me tornei o homem mais feliz do mundo. Feliz com o novo mundo encantado da paternidade e com os sustos e dificuldades que acompanharam os primeiros meses de vida dele. Foi o início de um entendimento que eu deixo me reger até hoje: ser grato e feliz pela bênção da vida, seja ela feliz ou triste, fácil ou difícil."
"Não dá para escolher somente um momento ou uma parte da vida para sentir gratidão, para acreditar em Deus. A vida de Jesus ensinou que estar entre os humanos é encarar injustiça, julgamento e sofrimento. Ou seja, a desgraça, o sofrimento, são partes do pacote. E se você consegue se colocar num canal de gratidão, tem que ser grato por tudo. Não é gostar — atenção! — não é gostar de tudo que passamos, mas sim aceitar e abraçar como parte da experiência humana."
O apresentador ainda reflete sobre as lições que aprendeu: "E, a cada nascimento de um filho, com a vinda da Donatella e do Stefano, esse sentimento de gratidão se renovou. Existe um Marcos antes e depois do nascimento dos meus filhos. Minha visão de mundo se ampliou, minhas preocupações e receios, e principalmente minhas prioridades: o meu mundo passou a girar ao redor deles. E tem sido assim até hoje."
O segredo para ser um bom pai
Para Mion, não há fórmula mágica, mas existe um pilar essencial: presença: "Posso resumir em uma única atitude o que faz de um homem bom pai: ser PRESENTE", afirma.
Ele conta que segue aprendendo sobre o papel paterno e cita até leituras recentes para compreender melhor a juventude atual: "Recentemente li, por indicação do Luciano Huck, o livro Geração Ansiosa, do Jonathan Haidt, para armar meu conhecimento sobre as consequências de uma infância baseada em telas, e não no brincar na rua."
"Uma característica minha é mergulhar de cabeça para realmente ser bom no que eu me proponho a fazer. Ser bom significa dedicar incontáveis horas para entender, estudar, estar pronto e dominar aquele assunto ou atividade. E com a paternidade é uma dedicação que não termina", diz o apresentador.
E completa: "Já li muito sobre a teoria dos 10 minutos dedicados, que defende que, por mais maluca que seja sua vida, você tem que desligar os celulares e distrações e dedicar 10 minutos de qualidade para seu filho. Já eu defendo que 10 minutos seja o mínimo em um dia onde você está dividindo presença com seu filho, mesmo que esteja resolvendo outros assuntos."
A presença, explica, vai além de estar fisicamente ao lado dos filhos: "Eu sou daqueles que movem montanhas para estar com eles. Seja por ligação, voltando antes de um compromisso, atravessando oceano para chegar à apresentação de Páscoa da escola, seja virando a noite, de madrugada, só para dormir com eles em casa e sair antes de acordarem. Faço questão que eles saibam que estou ali para eles e por eles. Isso está diretamente conectado à segurança e autoestima deles."
A importância do "não"
O apresentador também defende que amor e disciplina caminham juntos: "Amar não é ser permissivo:'Amar é falar 'não'. E com o tempo as crianças sentem e sabem disso. Pai é pai. Não é amigo. Meus filhos todos têm seus melhores amigos… Eu sou o pai do meu filho e, dentro disso, já existe a maior conexão existente entre seres humanos."
"Mas é necessário destacar o pai que fala 'não'. Esse, confesso, não é o mais popular lá em casa… mas é muitas vezes o mais necessário! E eu não tenho medo ou receio algum de assumir essa função. Já me questionaram muitas vezes sobre não ser 'o melhor amigo' dos meus filhos ao assumir essa postura"
Ele continua: "Minha opinião? Pai é pai. Não é amigo. Meus filhos todos têm seus melhores amigos e eles são muito mais divertidos e conectados em ideias e linguagem do que comigo. Eu sou o pai do meu filho e, dentro disso, já existe a maior conexão existente entre seres humanos. Os amigos vêm e vão, eu vou sempre estar lá."
Para ele, o "não" constrói confiança: "Numa situação de risco, o melhor amigo vai incentivar e fazer junto; o pai vai salvar o filho. O melhor amigo está tomado do mesmo sentimento; o pai usa sua experiência para guiar e aconselhar para o bem."
"Saber dizer 'não' e explicar o motivo é fundamental para construir uma relação saudável com os filhos. Defendo muito que conheçam o que é melhor para seus filhos e não tenham medo de impor regras. Percebo uma geração que evita o "não" para parecer descolada, para agradar os amigos dos filhos, para ser amigo. Mas acredito que, se o seu objetivo é ser eleito o pai mais legal do mundo, talvez você esteja deixando a educação de lado. O "não" é a forma mais difícil de expressar amor."
Equilibrando carreira e família
Mesmo com a agenda cheia, Mion garante que a paternidade vem em primeiro lugar: "Não sou pai só quando sobra um tempo, sou pai em tempo integral. Isso significa deixar de lado algum momento de lazer ou algumas horas a mais de sono, fazer um esforço para tentar chegar mais cedo em casa, reagendar compromissos, pegar o voo da madrugada, fazer o que for possível para estar presente."
"Quando um filho nasce para viver sua vida, nasce um pai que nunca mais, em sua existência, abandona essa profissão. Então é importante saber ser bom nela! Tenho consciência de que o tempo não é igual para todos, infelizmente, porque o mundo ideal seria aquele em que teríamos o máximo de tempo possível para nos dedicar a essa função. Mas ainda assim vale o reforço: faça o possível e o impossível para ser um pai presente. Boa parte — senão a maior parte — da educação é feita através do exemplo. Da observação. O filho ser levado junto, convidado a participar e apenas observar o pai já é um grande elo se formando, além de criação de caráter. Educação é feita principalmente quando não estamos pensando em educar."
Ele também reconhece o papel fundamental da esposa, Suzana: "Ela é o alicerce que me permite sair para construir nossa carreira. Não é 'minha' carreira de sucesso, é nossa. Se não fosse por ela, eu provavelmente teria aberto mão da minha carreira pela família."
"Ela garante o amor físico, a presença física em 100% de atividades e momentos cruciais, ela cuida de tudo e todos, incluindo as quatro filhas peludas, para que eu possa, por exemplo, viver metade da semana no Rio e metade em São Paulo. Aliás, se não fosse por ela, a gente nem estaria tendo essa conversa porque eu, provavelmente, ao longo desses últimos 20 anos, em algum momento, teria aberto mão da minha carreira pela família. Ela que segura tudo junto funcionando."
O legado que quer deixar
Quando pensa no futuro, Mion deseja que os filhos sigam um caminho de valores sólidos: "Antes de tudo, que coloquem a família em primeiro lugar. Que sejam pais ainda melhores para seus filhos. Que entendam, através do meu exemplo, que Jesus Cristo, que Nossa Senhora está lá para eles, a hora que precisarem. Que, para tudo que não consigam resolver, contem com a fé em Deus."
Ele resume seu maior desejo: "Que sejam pessoas boas para o mundo e façam o bem, sempre. Que, quando entrem num ambiente, todos sorriam. Que nunca se esqueçam de servir o próximo."
E completa: "Mas isso já está enraizado, eles são frutos de um lar atípico. Dá um orgulho enorme olhar para eles começando a se apropriar dos próprios destinos e ver eles florescendo nesse caminho do bem. Me dá a certeza de que estamos indo no caminho certo."
A maior lição
Para encerrar, Mion reflete sobre o sentido da vida após a paternidade: "Se tem uma coisa que a paternidade me ensinou é que a vida deixa de ser sobre você. A completude vem do servir, do cuidar, do amar com entrega total, sem esperar nada em troca. Quando eu olhei para cada um deles, senti: 'É pra isso que eu tô aqui'. Porque, no fim das contas, é isso que vale: o amor que a gente deixa em quem fica."
"Quando eu casei, minhas vontades e minha importância já passaram para segundo plano. A cada filho, seu lugar de importância — no sentido de ser a prioridade e o foco da atenção — só vai caindo! A vida passa a ser sobre o bem que você pode fazer para os outros… e principalmente para aqueles que mais importam: seus filhos, sua família. Eu descobri que a completude, aquela sensação de que "agora sim, tá tudo no lugar", vem do servir. Do cuidar. Do compartilhar. Do amar com entrega total, sem esperar nada em troca."
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