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Maior parte do nosso aprendizado acontece de forma inconsciente, diz estudo

Estudo em neurociência mostra que o cérebro aprende mais por exposição, padrões e contexto do que por esforço consciente - e revela como criar ambientes que favorecem o aprendizado

6 jan 2026 - 17h09
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Você já se pegou cantando uma música inteira sem lembrar quando aprendeu a letra? Ou reparou como bebês absorvem a linguagem apenas ouvindo o ambiente ao redor? Segundo uma nova linha de pesquisas em neurociência, esses exemplos de aprendizado não são exceção. Eles revelam como o cérebro aprende na maior parte do tempo.

Pesquisa explica por que grande parte do aprendizado acontece de forma incidental e como atenção, repetição e ambiente ajudam o cérebro
Pesquisa explica por que grande parte do aprendizado acontece de forma incidental e como atenção, repetição e ambiente ajudam o cérebro
Foto: Reprodução: Karola G/Pexels / Bons Fluidos

Um estudo conduzido pelo psicólogo Aaron Seitz, da Universidade Northeastern, indica que a maior parte do nosso aprendizado acontece de forma incidental, ou seja, sem uma intenção consciente de aprender. A pesquisa foi publicada na revista científica Current Opinion in Neurobiology e traz uma mudança importante na forma como entendemos o processo de aprendizagem.

Aprender sem tentar: o que isso significa?

De acordo com Seitz, mesmo quando acreditamos estar aprendendo de forma deliberada - estudando para uma prova, aprendendo um idioma ou fazendo um curso - o que realmente fazemos é criar condições favoráveis para que o cérebro entre em um "estado aprendível".

"'Aprendizagem incidental' normalmente se refere ao que aprendemos sem intenção explícita", explica o pesquisador. Isso acontece porque o cérebro está o tempo todo captando padrões do ambiente, um processo chamado de extração de "regularidades estatísticas". Em termos simples: o cérebro aprende observando repetições, associações e estruturas, mesmo quando não estamos prestando atenção consciente nelas.

O cérebro aprende por padrões

Esse mecanismo é o mesmo que permite que bebês aprendam a falar sem aulas formais. "Acredita-se que a capacidade dos bebês aprenderem a estrutura da linguagem e segmentarem sons em fonemas, palavras e sentenças dependam de como extraímos regularidades estatísticas dos sons que ouvimos e de aprender suas estruturas", afirma Seitz.

O mesmo vale para situações cotidianas, como decorar letras de músicas sem esforço. "Quantas vezes você aprendeu a letra de uma música sem tentar (talvez 'Baby Shark'?)", brinca o pesquisador. "Quando você pensa bem, muito do que sabemos é automaticamente captado".

Os "truques" que ativam o cérebro para aprender

De acordo com Seitz, aprender envolve alinhar o cérebro a partir de estratégias simples, verdadeiros atalhos que ativam os sistemas automáticos de aprendizagem. Entre eles estão: atenção focada, repetição, criação de recompensas ou associações positivas e exposição frequente ao conteúdo. Esses recursos ajudam a aumentar a presença do material no dia a dia, fortalecendo os padrões que o cérebro reconhece e armazena.

Em um experimento citado pelo pesquisador, participantes realizavam tarefas simples com sucesso. Além de aprenderem o objetivo principal, eles também absorviam informações secundárias apresentadas de forma subliminar, sem perceber.

O papel do ambiente no aprendizado

Para Seitz, aprender não é apenas uma questão de esforço individual, mas de contexto. Ajustar o ambiente físico e mental é essencial para facilitar a assimilação de novas informações. A atenção pode alterar a forma como processamos nossos estímulos sensoriais e moldar a 'imagem neural' da nossa experiência que será aprendida. Isso inclui desde reler um texto ou assistir novamente a uma aula até mudar a forma como nos engajamos com o conteúdo, tornando o processo mais prazeroso ou recompensador.

Não existe fórmula única

Apesar das descobertas, o pesquisador faz um alerta importante: cada cérebro responde de maneira diferente. O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. "Existem inúmeras maneiras de preparar o cérebro para aprender. O importante é descobrir quais truques funcionam melhor para você", conclui Seitz.

No fim das contas, aprender menos por obrigação e mais por ambientação pode ser a chave. Em vez de forçar o cérebro, talvez o caminho seja criar condições para que ele faça o que sabe fazer melhor - aprender naturalmente, quase sem que a gente perceba.

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