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Lagom: a filosofia sueca que ensina como viver bem e com equilíbrio

Filosofia sueca baseada no equilíbrio e na moderação ganha espaço nas discussões sobre saúde mental, burnout e qualidade de vida

1 jun 2026 - 17h06
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Em um mundo acelerado, marcado pela produtividade constante, pela sensação de urgência e pela ideia de que sempre precisamos de mais, uma palavra sueca voltou a ganhar força nas conversas sobre saúde mental e qualidade de vida: lagom.

Entenda o que significa lagom, a filosofia sueca do “nem demais, nem de menos”, e por que o conceito virou símbolo de equilíbrio e bem
Entenda o que significa lagom, a filosofia sueca do “nem demais, nem de menos”, e por que o conceito virou símbolo de equilíbrio e bem
Foto: estar - Reprodução: anyaberkut/Getty Images / Bons Fluidos

Sem tradução exata para o português, o termo pode ser resumido de forma simples: "nem demais, nem de menos - apenas o suficiente". Mas, na prática, o significado vai muito além da moderação.

O lagom representa uma filosofia de vida baseada em equilíbrio, sustentabilidade emocional e consciência sobre os próprios limites. E talvez seja justamente por isso que o conceito tenha se tornado tão popular fora da Suécia nos últimos anos.

O que significa lagom?

Para muitos suecos, lagom não é apenas uma palavra, mas uma forma de enxergar o mundo. A escritora e fotógrafa Lola Akinmade Åkerström, autora do livro Lagom: The Swedish Secret of Living Well, descreve o conceito como a essência do estilo de vida escandinavo. Segundo ela, a ideia está presente em praticamente todas as áreas da rotina: no trabalho, nas relações, na alimentação, na decoração da casa e até na forma de consumir.

O lagom propõe encontrar a medida certa para viver com mais conforto emocional e menos sobrecarga. "Pense em lagom como uma balança imaginária que precisa sempre estar equilibrada", explica Åkerström. A lógica é simples: tanto o excesso quanto a falta podem desestabilizar a vida.

A origem curiosa da filosofia sueca

As raízes culturais do lagom remontam aos tempos dos vikings. Segundo a tradição popular, após longos dias de trabalho, grupos se reuniam ao redor da fogueira para compartilhar hidromel em um único recipiente. Cada pessoa precisava beber apenas uma quantidade justa para que houvesse bebida suficiente para todos.

Com o tempo, a expressão associada a esse compartilhamento coletivo teria evoluído até chegar à palavra lagom. A ideia central permanece a mesma até hoje: viver de forma equilibrada, considerando tanto as próprias necessidades quanto o bem-estar coletivo.

Por que o lagom ganhou força em tempos de burnout?

O conceito voltou a chamar atenção justamente em um período em que temas como esgotamento emocional, ansiedade e excesso de produtividade passaram a dominar debates sobre saúde mental. 

Enquanto muitas culturas valorizam a lógica do "sempre mais" - mais trabalho, mais consumo, mais desempenho -, o lagom surge como um contraponto quase silencioso. A proposta não envolve radicalismos, dietas extremas ou produtividade incessante. Pelo contrário: o objetivo é criar hábitos possíveis de serem mantidos sem sofrimento.

O conceito na prática: pequenas pausas e consumo consciente

O grande charme dessa filosofia é a sua aplicabilidade. Ela não exige revoluções drásticas, mas sim pequenos ajustes de foco na nossa rotina diária:

1. No ambiente profissional

Entender que trabalhar além dos limites esvazia a criatividade. Os suecos valorizam os momentos de respiro ao longo do dia para tomar um café e conversar com os colegas - um ritual social afetuoso conhecido como fika. Parar um pouco ajuda a recalibrar o foco.

2. Dentro do lar

Decorar e organizar os espaços com base no afeto e na utilidade. O que não tem função prática ou valor emocional é desapegado. Uma casa acolhedora é aquela que respira, sem o acúmulo de objetos desnecessários.

3. À mesa

Privilegiar ingredientes locais, sazonais e frescos, evitando o desperdício. Pratos tradicionais escandinavos costumam reaproveitar as sobras do dia anterior com criatividade, celebrando a sustentabilidade no prato.

4. Nas finanças

Direcionar o dinheiro para o que realmente dura. Vale mais a pena investir em uma peça de vestuário durável e de excelente qualidade do que ceder ao impulso de comprar vários itens descartáveis e de procedência duvidosa.

O equilíbrio também vale para as emoções

Talvez uma das partes mais interessantes do lagom seja justamente a relação com o bem-estar emocional. A filosofia sugere que felicidade não está necessariamente ligada a extremos - nem à euforia constante, nem à privação absoluta. O foco está em construir uma vida emocionalmente sustentável.

Segundo especialistas, estilos de vida mais equilibrados tendem a reduzir a sensação de sobrecarga mental e favorecer maior clareza emocional e cognitiva. Por isso, o lagom passou a aparecer cada vez mais em discussões sobre saúde mental, autocuidado e prevenção do burnout.

Encontrando a sua própria medida

O mais fascinante é entender que não existe uma regra única. Cada indivíduo tem o seu próprio ponto de equilíbrio. O autoconhecimento é a chave para descobrir o que é suficiente para a sua satisfação, respeitando o seu ritmo e as suas necessidades reais.

Muitas vezes, adotar essa postura significa aprender a ouvir mais e falar apenas o necessário, ou exercitar o poder de dizer "não" para os excessos do mundo sem carregar o peso da culpa. Que tal fazer uma pausa hoje, respirar fundo e avaliar onde você pode aplicar essa dose de harmonia na sua vida? Afinal, quando descobrimos o valor do suficiente, percebemos que já temos tudo o que precisamos para ser felizes.

Bons Fluidos
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