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Inteligência artificial pode aumentar o desgaste mental no trabalho; entenda

Estudo da Boston Consulting Group (BCG) aponta que os impactos da tecnologia variam conforme sua implementação no ambiente profissional

30 jun 2026 - 20h39
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A inteligência artificial chegou ao mercado de trabalho com a promessa de tornar a rotina mais leve e produtiva. No entanto, isso nem sempre acontece. Em alguns casos, a tecnologia pode provocar justamente o efeito contrário e aumentar o desgaste mental de quem a utiliza.

Resultados apontam que os impactos da inteligência artificial variam conforme sua implementação no ambiente profissional
Resultados apontam que os impactos da inteligência artificial variam conforme sua implementação no ambiente profissional
Foto: Ridofranz/Getty Images Pro / Bons Fluidos

É o que mostra uma pesquisa da Boston Consulting Group (BCG) com 1.488 profissionais que trabalham em tempo integral nos Estados Unidos. O levantamento analisou como a inteligência artificial influencia o dia a dia dos trabalhadores e chegou a uma conclusão importante: tudo depende da forma como ela é utilizada.

Quando a inteligência artificial exige supervisão

Segundo o estudo, profissionais que precisam revisar, conferir e monitorar continuamente as respostas geradas pela inteligência artificial acabam gastando mais energia mental ao longo do expediente. Os pesquisadores observaram que esse grupo apresentou 14% mais esforço cognitivo do que aqueles que dependiam menos desse tipo de supervisão.

Além disso, os participantes relataram 12% mais fadiga mental e 19% mais sobrecarga de informações. Em outras palavras, a necessidade de analisar grandes volumes de conteúdo e decidir o tempo todo quando confiar nas respostas da IA pode tornar o trabalho ainda mais cansativo.

O problema não é a tecnologia

Os autores destacam que a inteligência artificial, por si só, não representa um risco para a saúde mental. O desafio está na forma como ela é incorporada à rotina profissional.

Em vez de executar tarefas do início ao fim, muitas ferramentas exigem que o usuário revise respostas, corrija informações, compare dados e alterne entre diferentes plataformas. Com isso, parte do trabalho deixa de ser operacional e passa a ser de supervisão.

Como consequência, os pesquisadores também identificaram maior dificuldade para tomar decisões, aumento de erros e até uma intenção mais elevada de deixar o emprego entre quem precisava acompanhar a IA de forma constante.

Possíveis benefícios

Por outro lado, o estudo mostrou que a inteligência artificial pode contribuir para o bem-estar quando assume tarefas repetitivas e não exige monitoramento contínuo. Nesses casos, os participantes relataram redução dos sinais de burnout e uma experiência de trabalho mais positiva.

A pesquisa reforça, portanto, que a inteligência artificial não diminui automaticamente a carga de trabalho. Seus benefícios dependem da maneira como empresas e profissionais utilizam a tecnologia. Quando simplifica processos, ela pode aliviar a rotina. Porém, quando exige atenção constante, também pode se transformar em uma nova fonte de desgaste mental.

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